Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2012
“O Homem e o Mar – Embarcações dos Açores”.

 

Escrito e editada em 2002 por João Gomes Vieira, o mesmo autor da obra editada mais tarde sobre os Açorianos na pesca do bacalhau, este foi o seu primeiro trabalho, dedicado aos barcos específicos dos Açores. Aqui fica o artigo dedicado à obra pelo Núcleo Cultural da Horta.
 
«Vivendo ao ritmo cadenciado de ondas e marés, este autor florentino dividiu a sua vida entre a carreira administrativa e o fascínio pelas coisas do mar.
Precisamente por ser portador de um imaginário telúrico e de uma memória marinheira, é que João Gomes Vieira levou 50 anos a concluir esta obra, que se apresenta em edição bilingue (português e inglês) com esplendoroso as­pecto gráfico. Não estamos perante um livro de circunstância; esta é a obra de uma vida. De uma vida de trabalho de contínua e continuada pesquisa nos domínios da historiografia e da antropologia marítima.
Com apetecível Prefácio do escritor João de Melo, a que se segue avisada Nota Explicativa do autor, o livro arranca com a descrição de uma viagem “rumo ao alto mar” que João Gomes Vieira efectuou na corveta General Pereira d’Eça. A viajar nessa “fortaleza de aço”, o autor dá conta das actividades a bordo e reflecte sobre o mar e a epopeia marítima de um povo que, através da errância, buscou caminhos de felicidade e sonho. Simples pretexto, afinal, para escrever sobre as embarcações primitivas dos Açores (recorrendo a informações de autores que vão de Gaspar Fructuoso, António Cordeiro, Frei Diogo das Chagas, passando por Padre Manuel de Azevedo da Cunha e José Cândido da Silveira Avelar até a estudiosos da actualidade), seguindo rotas por outros portos e outras memórias.
João Gomes Vieira sabe que os barcos de que fala fazem parte da nossa memória afectiva e têm alma. Por isso mesmo, em plena era da fibra de vidro, lança olhares retroactivos (e fascinados) às embarcações que existiram e/ ou existem nas nove ilhas dos Açores nos últimos 100 anos. E isto numa altura em que, dada a imparável marcha do progresso, a construção naval em madeira tem os dias contados.
Procede o autor à inventariação de todo uni património marítimo, escrevendo sobre embarcações tradicionais e contando histórias de homens do mar e da terra – gente de grande riqueza psicológica e funda expressão humana.
Bem documentado e informado, João Gomes Vieira fala do tráfego local e cabotagem; recorda baleias, botes e baleeiros; analisa a pesca do alto e a recolha de algas marinhas; evoca embarcações de recreio e de aventura; não esquece os artistas que no mar buscaram inspiração; comenta aspectos ligados à construção naval; traz à lembrança devoções marítimas e, a fechar o livro, apresenta-nos um preciosíssimo Glossário Baleeiro por ele recolhido na ilha das Flores.
Impressionante e riquíssima é a iconografia contida nesta obra. Importantes arquivos fotográficos (os do Coronel Afonso Chaves e da família Dabney, por exemplo), recolhidos junto dos Arquivos Públicos dos Açores e nos contactos pessoais com fotógrafos e particulares, aqui se apresentam à fruição do nosso olhar. Porque este é um livro que também deve ser entendido como objecto de prazer visual. E uma coisa me parece certa: este livro passa a constituir uma referência e um marco incontornável no âmbito da etnografia marítima.»
 
in Boletim do Núcleo Cultural da Horta, 2002.


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Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2012
Da minha terra.

 

A pequena doca dos pescadores de Vila do Conde, com a inconfundível capela de Nossa Senhora do Socorro, mandada construir em 1599 por Gaspar Manuel, um piloto-mor das carreiras da Índia, China e Japão que custeou as obras e terá sido influenciado pela arquitectura do Oriente. Os típicos barcos tradicionais de pesca da altura, até cerca de 6 metros, aqui revelando toda a sua variedade de cores e tipologias de construção, não faltando à direita um belíssimo barco de Vila Chã. Que bonita era esta Vila do Conde de barcos.



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Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2012
Aquele Portugal.

 

Há cerca de 50 anos atrás, em Cascais ainda era assim, peixe vivo e as gentes que deram origem ao antigo povoado. E tudo se foi.



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Quinta-feira, 19 de Janeiro de 2012
A preto e branco.

 

A seca do bacalhau nas pequenas ilhas de St. Pierre e Miquelon, na Terra Nova, em inícios do séc. XX. Nesta altura esta indústria florescia nas ilhas, com uma vasta frota de dóris que apanhavam o bacalhau junto à costa, o qual era depois tratado e seco nas praias rochosas para futura exportação.



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Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2012
Arte marítima.

 

“No Areinho, Douro”Silva Porto

 

Um dos típicos barcos do Douro de pequeno porte, usados para a passagem ou transporte de pessoas com a tradicional cobertura, em finais do séc. XIX.



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Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2012
Dóri de rabo-cortado.

Foto tirada na zona do Seixal que mostra um antigo dóri da pesca ao bacalhau “todo artilhado”, como se costuma dizer nas lides automobilísticas. De um passado em que pescava nos mares frios do Norte com linhas-de-mão e de trol aqui parece andar com redes e a popa foi à vida, tendo-se perdido um terço do bote para lhe adaptar o motor fora-de-borda.
Por alturas de 1974 com a Revolução de Abril e o fim de inúmeros navios bacalhoeiros, devem ter sido às centenas os dóris que acabaram abandonados pelos principais portos de descarga, como no Barreiro, Figueira da Foz ou região de Aveiro. Muitos foram provavelmente aproveitados e ainda resistem alguns hoje em dia, como este registado no Barreiro e de nome “Florbela”(?). Com todo o respeito à senhora que lhe deu o nome, na pesca ao bacalhau eram muitos os espinhos e poucas as flores, mas ainda assim... bela foi essa epopeia de cerca de 100 anos, mistura de tragédia, sofrimento e muita bravura.
É uma pena que com o fim da pesca do bacalhau tenha também terminado a construção de dóris. Sendo Portugal um país de muita pesca costeira e de subsistência, a adaptação deste dóri é um bom exemplo do que também se poderia continuar a fazer. São por certo baratos, de fácil manejo e acima de tudo mantinham a memória acesa sobre o passado, embora agora numa forma adaptada, mas aquela proa e casco trincado não enganariam ninguém... é um bacalhoeiro.
Foto de lusobrandane.


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Sexta-feira, 13 de Janeiro de 2012
Pescadores da minha terra.

 

 

Tio António Capelão

 



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Quarta-feira, 11 de Janeiro de 2012
Aquele Portugal.

 

Um anafado varino saúda a Torre de Belém e a mesma responde-lhe de bandeira nacional hasteada.



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Segunda-feira, 9 de Janeiro de 2012
Da minha terra.

 

Uma bússola pertencente a um pescador poveiro, na sua usual caixa de madeira, onde se notam as marcas “de propriedade” na tampa.



publicado por cachinare às 20:40
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Sábado, 7 de Janeiro de 2012
Arte marítima.

 

“Port Scene with the Villa Medici” - Claude Lorrain, 1637

 

Uma “união” algo estranha entre um porto com grandes navios e a vila Medici, localizada em Roma. Provavelmente a única sintonia está na “grandiosidade”.



publicado por cachinare às 17:56
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Quinta-feira, 5 de Janeiro de 2012
A preto e branco.

 

Mesmo junto ao areal, o batel “Ao Gosto dos Filhos” navega a toda a força de remos, governado à ré não pelo leme, mas sim por outro remo. Embora se saiba que estes barcos no seu maior porte podiam usar dois lemes, um de profundidade para fora da barra e outro ao nível da quilha para quando dentro dela, o uso do remo surge com frequência nos registos fotográficos.

 

Imagem do filme: “Ala-Arriba” – José Leitão de Barros, 1942



publicado por cachinare às 19:09
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Terça-feira, 3 de Janeiro de 2012
O caíque de Izmir - Turquia.

A cidade de Izmir (Esmirna em português), situa-se na costa Oeste da Turquia e é considerada uma das cidades mais antigas da bacia do Mediterrâneo, com cerca de 5.000 anos. Hoje é a terceira maior cidade do país e dita a "Pérola do Egeu", considerada a mais ocidentalizada da nação quanto a valores sociais e estilo de vida em geral.

 

 

 

 
Com o turismo a adoptar papel de importância crescente por toda a Turquia, as autoridades locais de Izmir e arredores iniciaram em 2005 um programa de apoio à reconstrução de réplicas dos seus barcos mais comuns, os caíques. Estes barcos eram o meio de transporte tradicional para passageiros e mercadorias nesta região costeira do Mar Egeu, desde o séc. XVII até aos 1950s, altura em que desapareceram. Em Junho de 2008 regressaram finalmente à baía de Izmir após décadas e são hoje uma lufada de ar fresco na imagem da cidade, segundo afirmam as autoridades e população.
Com 9,20m de comprimento (ponta a ponta), 2,62m de boca e 0,64m de pontal, o único mastro central é de 6m e é considerado um barco ligeiro a velejar em mar aberto.
 

 

 

 

 
Este é outro exemplo de sucesso por parte de autoridades locais na recuperação da sua história e tradição náutica, algo ainda por fazer na extensa costa portuguesa. Comunidades como aquelas onde nasci e cresci, Caxinas e Póvoa de Varzim, não podem continuar a esquecer os seus barcos e a continuar a mostrá-los “artificialmente” em papel. Construção de enorme orgulho para a cidade da Póvoa, a grande e magnífica lancha “Fé em Deus”, pelo seu tamanho, não permite o uso frequente e activo da população, a baixo custo. A famíla dos barcos de tipo poveiro a que pertence é muito variada em dimensões e a construção de vários caícos e catraias entre 5 a 6 metros seria o ideal para a formação de associações e seu uso frequente, a baixo custo.
Uma tecla onde continuarei a bater.
 
Galeria de fotos do caíque de Izmir.


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Segunda-feira, 2 de Janeiro de 2012
Arte marítima.

 

“Touch of a Vanished Hand” - Walter Langley, 1888

 

Possivelmente de novo uma cena na Cornualha, sudoeste de Inglaterra e a representação da perda, sempre associada ao mar.



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Quinta-feira, 29 de Dezembro de 2011
Feliz 2012.

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Quarta-feira, 28 de Dezembro de 2011
A preto e branco.

 

Em grande plano uma catraia poveira e outra mais ao largo regressam à praia, num dia ao que parece excelente para velejar. Pode-se notar as óptimas características náuticas destes barcos, mesmo com o exemplo da foto, dos barcos de menor porte. O tracejar da espuma na água não engana.

 

Imagem do filme: “Ala-Arriba” – José Leitão de Barros, 1942



publicado por cachinare às 18:59
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Terça-feira, 27 de Dezembro de 2011
Amarrado ao passado.

 

Há quem diga que Portugal é um país de poetas e esta foto mostra um pequeno e singelo exemplo dessa afirmação. É um velho, muito velho dóri da pesca ao bacalhau, do tempo em que pescadores Portugueses deixavam família e pátria durante 6 meses e labutavam nos mares traiçoeiros do Atlântico Norte, fosse na Gronelândia, fosse na Terra Nova, fosse nos baixios das Virgin Rocks, a ver o fiel amigo a nadar a 3 metros da superfície. Era dentro dum destes dóris que cada pescador lá ia sózinho para longe do navio, pois as companhias nesta faina só atrapalhavam as contas e sabia melhor ver quem pescava mais ao final do dia, para uma boa conversa depois durante a salga e sopa-da-chora.
Esta foto foi tirada no Seixal, local onde muitos bacalhoeiros arribavam em final de campanha e onde muitos acabariam os seus dias, decrépitos do esplendor de outrora como o “Capitão Ferreira” que ainda lá se pode encontrar. Parece ser um dóri muito antigo, cuja cor original seria o vermelho e esta era a cor dos dóris do “Creoula”, “Gazela Primeiro” e “Hortense”, todos da mesma companhia. Poderá ter pertencido a um destes lugres todos eles muito antigos e lá longe no tempo antigo da vela, os dóris eram mais pequenos, daí as 3 pranchas laterias na construção em vez das mais comuns 4
 
Foto de lusobrandane.


publicado por cachinare às 11:57
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Sábado, 24 de Dezembro de 2011
Até sempre, José.

 

Faleceu na madrugada passada José Cunha, autor do blogue "Carioca da Vila", vítima de morte súbita. Vamos sentir a falta dos seus artigos sobre Vila do Conde e da sua boa vontade em partilhar o que mais ninguém jamais quis ou soube partilhar.

 

Sentimentos a toda a família.



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Sexta-feira, 16 de Dezembro de 2011
Boas Festas.

 


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Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2011
Arte marítima.

 

“Port Entrance at Volendam” - Theo van Rysselberghe

 

A entrada do porto de Volendam na Holanda, comunidade de apenas 22.000 habitantes que nos inícios do séc. XX se tornou também retiro favorito de artistas. Este é um exemplo do seu expressionismo.



publicado por cachinare às 11:30
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Quarta-feira, 14 de Dezembro de 2011
A preto e branco.

 

Fotografia de um antigo pescador da Foz do Douro, local da comarca do Porto há muito frequentado pelas classes mais abastadas, mas também terra de pescadores de grandes lanchas, e de intrépidos pilotos da traiçoeira barra, situados na Cantareira.



publicado por cachinare às 00:29
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