Domingo, 25 de Janeiro de 2015
O naufrágio do “Veronese” em filme – 1913.

«Muito além do imaginável, o naufrágio do paquete VERONESE chocou o país de norte a sul. As mensagens chegadas ao governo civil do Porto, endereçadas ao Dr. Albano de Magalhães, então seu distinto governador, exprimiam o sentimento geral da população, em função do trágico acontecimento. Com origem em Lisboa, logo que foi dado a conhecer o sinistro, este foi um dos primeiros telegramas recebidos: Peço a V.Exa. que se apresse a significar aos sobreviventes da catástrofe do VERONESE a mágoa do governo e a disposição em que tem estado de acudir a tão grande desgraça, na medida do possível. (ass.) Alfredo Costa, Presidente do Governo.

Decorrem cem anos sobre o naufrágio, ocorrido a 16 de Janeiro de 1913, que ninguém esquece, sobrevivendo às diferentes décadas pela informação oral que passa de avós para pais, de pais para filhos e de filhos para netos. Alguém da família esteve lá, lembrando casos, histórias, relatos sobre os sobreviventes, sobre os feridos, sobre aqueles menos bafejados pela sorte, abandonados ao infortúnio de uma morte prematura.

veronese a navegar

A população unida encontrou-se na praia da Boa Nova, ligeiramente a norte do local onde se encontra actualmente o farol de Leça da Palmeira, pouco depois do navio ter encalhado sobre as pedras do baixo do “Lenho”, a pouco mais de 250 metros de terra, mas simultaneamente num espaço distante para ser ultrapassado, por força da desmedida violência do mar.

A mobilização para dar apoio aos náufragos foi geral e espontânea. Foram colocados médicos e enfermeiros numa tenda, para atendimento urgente sobre as areias da praia, no posto da Guarda-fiscal ali próximo e na capela do oratório da Boa Nova, assistidos pelas esposas dos mais destacados membros da sociedade de Matosinhos e do Porto.

Estiveram presentes diversas associações de bombeiros, de Matosinhos-Leça, do Porto, de Vila Nova de Gaia e de Vila do Conde. A Marinha fez-se representar em presença contínua pelos mais variados oficiais destacados nas localidades vizinhas, marinhagem e polícia marítima, pelo comando e por um largo grupo de alunos da Escola de Alunos Marinheiros, além do rebocador BÉRRIO, enviado às pressas de Lisboa para Leixões, para atender sempre que o seu serviço se justificasse.

Tomaram igualmente parte nas operações de salvamento forças da P.S.P., da Guarda Republicana e da Guarda Fiscal. E foram também posicionados os salva-vidas PORTO, de Leixões, sobre o comando do patrão Aveiro e o CEGO DO MAIO, vindo da Póvoa de Varzim, com o seu arrais, o patrão Lagoa, transportado pela via-férrea, livre de encargos, que só puderam intervir ao terceiro dia, quando o mar o permitiu, e mesmo assim foram responsáveis por 103 salvamentos. E povo, muito povo que só abrandou de entusiasmo altruísta para prosseguir com os trabalhos, quando o último náufrago, o capitão Charles Turner, abandonou o seu navio. Verdadeiros heróis, que o governo da nação honrou, conferindo-lhes significativas homenagens.

patrão lagoa cabo mar povoa varzim

Face à impossibilidade de qualquer embarcação se aproximar do navio naufragado, houve necessidade de recorrer ao lançamento de foguetões de terra para bordo, com o objectivo de permitir estabelecer cabos de vai-vem. Na primeira série de disparos, só o décimo nono foguetão chegou ao navio, conseguindo vencer a distância e as condições adversas de tempo, motivadas por vento forte e contrário, quando já se instalava o desespero no espírito de todos quantos presenciavam a azáfama inglória dos bombeiros socorristas. E durante três dias e três noites, foram tantos os foguetões utilizados, cujos cabos rebentavam a espaços ao roçar na penedia, que o reposicionamento fez esgotar a quantidade total do equipamento disponível na cidade. Nestas circunstâncias,  alguns dos presentes, exímios nadadores,  disponibilizaram-se, pondo em risco as suas próprias vidas, para levar para bordo um cabo salvador, que ajudasse  à montagem do vai-vem. Ofertas negadas ao grupo dos mais ousados, levados apenas por gestos de extrema abnegação, na firme convicção de que era de evitar aumentar o número de vítimas no sinistro. Entretanto, também do navio preparavam a descida de um escaler, ainda preso aos turcos, carregando um amontoado de gente. Foram também persuadidos a aguardar por outra forma de salvamento, pois que a embarcação ao ser lançada ao mar, seria de pronto projetada contra os rochedos, despedaçando-se de seguida.

Casos há verdadeiramente chocantes: uma mãe que carrega dois filhos, perde um deles arrebatado pela violência das ondas; o cabo de vai-vem que se parte, deixando o náufrago à deriva, sem forças para lutar pela vida; congestões inoportunas; familiares que desaparecem, maridos que procuram pelas esposas, pais que tentam localizar os filhos, numa correria desenfreada pelos diversos postos de serviço, desesperados, inutilmente. Comum aos sobreviventes a exposição à dor, em rostos marejados de lagrimas sentidas pela inesperada quebra nos laços de sangue. Por cá encontraram sepultura, em campa rasa, espalhados por vários cemitérios, entretanto preparados para os receber.

A notícia fria do naufrágio caiu na cidade como um relâmpago; o jornal “O Comércio do Porto” de 17 de Janeiro de 1913 relatava assim o acidente: ...  na madrugada de ontem, o mar era alteroso; furiosos vagalhões quebravam de encontro aos molhes de Leixões e galgavam-nos, de lado a lado. Chovia torrencialmente e o vento era impetuoso. Seriam 4 horas, quando foi dado conta que em frente à doca pairava o paquete VERONESE, da Lamport & Holt Line. Este vapor de 11.000 e tantas toneladas, vindo consignado aos srs. Garland, Laidley & Cª., saíra no domingo de Liverpool e tocara ante-ontem em Vigo, onde embarcaram 119 passageiros, tendo já a bordo outros 20 embarcados em Inglaterra. Estava previsto ter entrado e saído ontem para o Rio de Janeiro, Santos, Montevideu e Buenos Aires. Pouco depois, pelas quatro horas e 20 minutos, reconheceu-se que o vapor batera de encontro à pedra denominada “Lenho”, vindo a encalhar sobre a penedia da costa, um pouco ao norte da capela da Boa Nova.

veronese leça 1913

Repetidos silvos de sirene de bordo, em sinal de pedido de socorro, davam dentro em breve, a conhecer, que uma catástrofe ocorrera no seio daquele mar proceloso. Trataram imediatamente de fazer prevenções e de preparar socorros. Ao romper da aurora, a despeito da névoa que pairou todo o dia sobre a costa, observou-se o VERONESE sobre os rochedos, adernado a estibordo, de proa para sueste e com a ré bastante erguida, tendo o mar levado os escaleres que estavam nesse lado e partindo o leme e a ponte da popa.

Era o prenúncio de uma morte anunciada. Mais um navio caía na ratoeira de uma costa mal iluminada e mal sinalizada, obrigado a enfrentar um mar traiçoeiro, calvário de gente indefesa cuja circunstância os levava a viajar ao encontro de um futuro melhor. Das 232 pessoas a bordo, 40 interromperam a viagem no mar da praia da Boa Nova; 5 pertenciam à equipagem do navio, que navegava com 93 tripulantes. Entre os sobreviventes, alguns deles  voltaram para casa, com as suas condições de vida alteradas, por terem perdido todos os bens. Os outros, contudo, continuaram a viagem num outro paquete, mantendo-se firmemente fiéis ao sonho sul-americano. Quanto à tripulação sobrevivente, certamente terá sido distribuída por outros navios da companhia, respondendo às necessidades de um tempo difícil e ao compreensível apelo que  só o mar transmite, ao encontro da luz de cada dia que desponta e a cada pôr-do-sol que os persegue.»

por Reinaldo Delgado, in REVISTA DE MARINHA

foto 1 - O “Veronese” a navegar - photoship.co.uk 


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Sábado, 24 de Janeiro de 2015
A preto e branco.

 

O iate “Lotta”, da praça de Faro, entra no rio Tejo passando em frente da Torre de Belém. Estes iates usados na cabotagem eram lindíssimos, construídos com as mesmas linhas de vários lugres bacalhoeiros. Foto da Fundação Calouste Gulbenkian.


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Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2015
3.º Concurso de Modelismo Náutico - Museu Marítimo de Ílhavo, 2015.

modelismo navios museu ilhavo portugal mar

 

De periodicidade bienal, o Concurso de Modelismo Náutico MMI tem como objetivo promover a cultura náutica como forma de expansão da Cultura Marítima, em geral, e a consolidação do projeto sociocultural do Museu Marítimo, em especial. Como entidade promotora e patrocinadora, a Câmara Municipal de Ílhavo atribuirá, através da decisão do júri constituído para o efeito, o Prémio de Modelismo MMI no valor de 3.500,00 euros, ficando a obra premiada a constituir propriedade da Câmara Municipal de Ílhavo e integrada no espólio do Museu Marítimo.

Tema: Arrastões de Pesca do Bacalhau

  1. No sentido de promover a cultura náutica como forma de expressão da cultura marítima, em geral, e instrumento de consolidação do projeto sociocultural do Museu Marítimo de Ílhavo (MMI), em especial, a Câmara Municipal de Ílhavo instituiu o Prémio de Modelismo MMI em 2011, com periodicidade bienal.
  2. A atribuição do Prémio de Modelismo MMI decorre de um concurso de modelismo náutico subordinado a um tema/género de embarcação.
  3. O 3.º Concurso de Modelismo Náutico do Museu Marítimo de Ílhavo decorre entre 17 de janeiro a 14 de novembro de 2015.
  4. O Concurso é aberto a todos os interessados, com idade a partir dos 16 anos, inclusivamente.

CRONOGRAMA

17 de janeiro a 28 de fevereiro – inscrição para candidaturas
20 de outubro a 1 de novembro – receção dos trabalhos
7 de novembro a 12 de dezembro – exposição
14 de novembro - entrega de prémios

Normas de participação do 3.º Concurso Modelismo Náutico Museu Marítimo de Ílhavo 2015

Ficha de inscrição do 3.º Concurso Modelismo Náutico Museu Marítimo de Ílhavo 2015

Brochura do 3.º Concurso Modelismo Náutico Museu Marítimo de Ílhavo 2015

Cartaz do 3.º Concurso Modelismo Náutico Museu Marítimo de Ílhavo 2015

via Museu Marítimo de Ílhavo online



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Quarta-feira, 21 de Janeiro de 2015
Aquele Portugal.

 

A bela proa de um varino Amoroso. «O primeiro registo conhecido do varino “Amoroso” é de 1921, reportando a actividade de tráfego da embarcação a Abrantes, com a denominação de “Eduardo”. Teve ainda a designação de “Eduardo Primeiro” e, em 1945, recebeu o nome que ainda hoje preserva, “Amoroso”.»



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Terça-feira, 20 de Janeiro de 2015
Arte marítima.

 

“Light Winds” - Alfred Thompson Bricher



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Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2015
A preto e branco.

 

A escuna francesa “Bonne Tante”, do porto de Granville, parte para a Terranova.



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Quarta-feira, 14 de Janeiro de 2015
Cinco pescadores das Caxinas desaparecidos após naufrágio em Sintra.

santa maria dos anjos caxinas pesca barco

 

«Os naufrágios voltam a assombrar a comunidade piscatória da Póvoa de Varzim e Vila do Conde. Na madrugada desta quarta-feira, a embarcação “Santa Maria dos Anjos” naufragou ao largo de Sintra. O barco tinha a bordo 6 tripulantes, um dos quais conseguiu nadar até à costa e dar o alerta. Os restantes estão desaparecidos.

O JN Online avança que os 5 pescadores desaparecidos são das Caxinas, um deles ucraniano mas residente nesta comunidade.

Em comunicado, a Marinha Portuguesa informa: “o Centro de Coordenação de Busca e Salvamento Marítimo de Lisboa, em articulação com o Capitão do Porto de Cascais e a Força Área Portuguesa, encontra-se a coordenar uma operação de busca e salvamento dos tripulantes da embarcação de pesca “Santa Maria dos Anjos”, com 11 metros, que terá afundado nesta madrugada nas proximidades da Praia das Maçãs, com 6 tripulantes a bordo”.

Na altura do alerta, foram logo disponibilizadas, segundo mesmo comunicado, “a Corveta Batista de Andrade da Marinha Portuguesa, um EH-101 da Força Aérea Portuguesa e duas embarcações das estações salva-vidas de Cascais e Ericeira, que com a colaboração da embarcação de pesca “Fruto da União” continuam a efetuar buscas junto de destroços entretanto encontrados que tudo indica pertencerem à embarcação de pesca afundada”. Entretanto o perímetro das buscas foi alargado e agora vai desde a Praia do Magoito até à Praia Grande, numa extensão de cerca de três quilómetros.

O sobrevivente, de 26 anos, foi transportado para o Hospital Amadora-Sintra em situação estável e já teve alta. Deverá regressar a casa ainda hoje.

O barco “Santa Maria dos Anjos” saiu de Peniche na noite de terça-feira e dirigia-se para Cascais, para a pesca do linguado. O naufrágio terá ocorrido por volta das 03h da madrugada.

Em declarações à Sic Notícias, José Festas, presidente da Associação Pró-Maior Segurança dos Homens do Mar, revelou que ainda é “prematuro apontar causas para o acidente”, mas garante: “o mestre era experiente. Era uma embarcação minimamente equipada para a navegação”. O barco está registado em Olhão.»

 

in MaisSemanário.

foto - Markus Lüske


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Terça-feira, 13 de Janeiro de 2015
A estátua de Gaspar Côrte-Real.

«O porto abrigado de St. John´s ofereceu segurança a navios de muitas nações durante mais de quatro séculos. O conjunto colorido de navios estrangeiros atracados lado-a-lado aos dois e três ao longo do porto permite uma imagem fascinante, quando avisos de temporal nos Grandes Bancos interrompem a faina e trazem os navios para o abrigo deste porto estratégicamente localizado e protegido por terra.

Proeminentes entre eles encontram-se os robustos navios da Frota Branca de Portugal, que manda navios para os Grandes Bancos desde os primeiros anos registados na história da região. Os Portugueses partilham a hospitalidade de St. John´s com pescadores da França, Espanha, Noruega, Rússia, Alemanha e Inglaterra, desde a altura em que todas as nações de ambos os lados do Atlântico exploram a rica pesca dos Grandes Bancos, uma planície submarina que tem início a cerca de 50 milhas Este de Cape Race.
Quando Giovani Cabotto regressou da sua viagem de descoberta em 1497 ao serviço da coroa Inglesa, os seus relatos de abundância de bacalhau que se encontrava nas águas costeiras da Terra Nova levantaram um grande interesse nos comerciantes da pesca do Leste de Inglaterra. Estes persuadiram a Coroa a impor fortes leis anti-colonização que mantiveram possíveis colonos fora daquelas terras durante séculos após a descoberta. Apesar desta repressão manter afastados colonos da Inglaterra, nada podiam fazer para evitar que outros países tirassem partido da rica pesca dos Grandes Bancos. Os séculos XV e XVI viram o início da exploração Portuguesa, apoiada pelo engenho marítimo que levou numerosos navegadores aventureiros desde Portugal até muitos dos distantes lugares do mundo. Alguns dos seus nomes são por demais conhecidos – Henrique o Navegador, Magalhães e Vasco da Gama – de imediato reconhecidos por alguém minimamente letrado. Outros nomes são menos familiares excepto para sérios estudantes de história.
Os irmãos Gaspar e Miguel Côrte-Real efectuaram ousadas viagens em busca da elusiva Passagem de Noroeste em pequenas caravelas da Ordem de Cristo nos anos 1501-1502. Miguel perdeu-se no Mar do Norte enquanto procurava pelo seu irmão Gaspar, creditado por alguns historiadores por explorações desde as costas da Gronelândia até à Nova Inglaterra. Dois outros Portugueses, Álvares Fagundes e Estêvão Gomes (este ao serviço de Espanha) navegaram, respectivamente, o Golfo de S. Lourenço e a Baía de Fundy antes de 1525, mais de uma década antes das bem documentadas viagens de Jacques Cartier.
Em reconhecimento da contribuição dada pelos irmãos Côrte-Real, o Rei de Portugal concedeu aos seus descendentes “Real e actual posse daquelas terras e ilhas” descobertas por Gaspar durante as expedições, financiadas e levadas a cabo por esta família dos Açores, num tremendo custo material e físico. Fagundes, em 1520, solicitou e foi-lhe concedido aval das terras que pudesse descobrir “dentro da esfera de influência Portuguesa”. Alguns dos nomes que ele deu a pontos descobertos na parte Oeste da Terra Nova foram mais tarde alterados para a nomenclatura Inglesa e Francesa.
Foi referido por alguns historiadores que os Portugueses foram os primeiros a explorar os leitos de pesca dos Grandes Bancos, em finais do séc. XV. A suportar esta teoria existe documentação sobre impostos especias sobre as pescarias de bacalhau, por Rei D. Manuel de Portugal em 1506. Durante cerca de um século ou mais, depois de descoberta, a Terra Nova tornou-se conhecida na Europa como “Terra dos Bacalhaus”. É assim identificada num mapa de 1569 pelo conhecido Gerardus Mercator, que marcou o Labrador como “Terra Corte Realis”.
Alguns dos locais de colonização mais antiga e histórica da Ilha da Terra Nova ainda mantêm nomes de origem Portuguesa, uma vez que muitos dos cartógrafos do séc. XVI eram Portugueses e foram os primeiros a dar nomes aos maiores cabos, baías, portos e ilhas das costas Leste e sudeste da Terra Nova. Tão cedo quanto 1502, um mapa Português identifica o que é agora a Terra Nova como “Terra do Rei de Portugal”.
Apesar das várias concessões nominais de terra aos primeiros exploradores Portugueses, não parecem haver dados sobre qualquer tentativa organizada de domínio territorial ou ambições por via militar ou força naval, ou sequer colonização planeada. Juntamente com algumas das outras potências marítimas, Portugal continuou a enviar frotas de pesca para os Grandes Bancos numa base sasonal.
O principal porto, St. John´s, tornou-se familiar para gerações sucessivas de marinheiros e pescadores de vários países do mundo e durante mais de quatro séculos manteve a sua identidade. De Maio a Outubro de cada ano, os navios da Frota Branca de Portugal deram um tom e charme único ao porto de St. John´s. Até aos anos 50, estes navios eram da aspecto típico das escunas de pesca dos Bancos, com o convés cheio de pilhas de coloridos dóris de madeira.
O aspecto mais marcante da longa associação entre Portugal e a Terra Nova tem sido a completa ausência de qualquer fricção séria que alterasse a relação de amizade partilhada por muitos dos milhares de pescadores e população residente de St. John´s. É um tributo único aos enrugados, homens de trabalho da frota Portuguesa, quando tantos milhares deles faziam a sua “invasão” pacífica da capital da província da Terra Nova em intervalos frequentes durante os meses de Verão e mantinham uma reputação inabalável por bom comportamento, o que os manteve como elevados e muito benvindos visitantes.
Por duas ocasiões nas últimas décadas, a relação especial entre a Terra Nova e Portugal recebeu reconhecimento público. Em 1955, a Catedral Católico-Romana de St. John´s celebrou o seu centenário e foi elevada a Basílica. Ponto alto das celebrações foi uma parada de vários milhares de pescadores Portugueses que marcharam pela cidade desde a baixa até à Basílica e lá depositaram uma oferta, na forma de uma estátua de N.Srª de Fátima. De novo, em 1965, juntaram-se em grande número para a inauguração cerimonial de uma enorme estátua de bronze de Gaspar Côrte-Real, erigida no proeminente local de Prince Philip Drive, adjacente ao Edifício da Confederação, sede do Governo da Província.
A estátua assenta numa grande plataforma, na qual se lê: “Gaspar Côrte-Real, Navegador Português. Alcançou a “Terra Nova” no séc. XV no início da era das grandes descobertas. – Da Organização das Pescas Portuguesa como expressão de gratitude em nome dos Pescadores Portugueses dos Grandes Bancos, pela hospitaleira amizade a eles sempre retribuída pelo povo da Terra Nova – Maio de 1965.”»
 
Traduzido do artigo de D.H. Wheeler em “Historic Newfoundland and Labrador”. 19ª edição 1988.
 
A estátua de Gaspar Côrte-Real manteve os olhos fixos no Edifício da Confederação durante mais de 50 anos, apenas com uma interrupção. A obra do escultor Martins Correia teve alguma falta de sorte em 1999 quando um carro falhou a curva e embateu no pedestal que suporta a confiante pose em bronze. A estátua em si não sofreu danos, mas a sua base ficou danificada. Nesse mesmo ano seria restaurada por um especialista em bronze.
Foto 1 da autoria de gdraskoy.

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Domingo, 11 de Janeiro de 2015
Aquele Portugal.

 

Foto de Volkmar K. Wentzel publicada na revista National Geographic por alturas dos anos 60, com peixeiras de Esposende a exibir uma bela pescada e uma faneca, espécimes ainda de razoável calibre na altura. Algo que hoje quase não existe, tamanha a destruição dos leitos de pesca, bem como a pesca excessiva.



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Sexta-feira, 9 de Janeiro de 2015
Arte marítima.

 

Ao longo da costa.

 

“Along the Shore” - Edward Henry Potthast



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Quinta-feira, 8 de Janeiro de 2015
A preto e branco.

 

Foto da autoria de Jean Dieuzaide, intitulada “Domingo do Pescador”, em Camara de Lobos, Madeira no ano de 1956. Este fotógrafo francês nascido em 1921 esteve por três vezes em Portugal durante a década de 50 do séc. XX. Por trás do pescador nota-se a forma tradicional dos pescadores locais de secar as redes, suspensas nos mastros e vergas das embarcações ainda veleiras na altura. Desconheço até hoje, qualquer publicação ou estudo sobre as antigas embarcações de pesca tradicional da Ilha da Madeira. Caso alguém conheça, agradeço a dica.



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Terça-feira, 6 de Janeiro de 2015
Revista Oceanos n.º45, “Terra Nova – A Epopeia do Bacalhau”.

Desde pequeno que sempre tentei imaginar o que fora a pesca do bacalhau, pois conhecia-o de quando o meu pai se referia a ela dos 8 anos que andou na Terra Nova. No entanto o que realmente sabia sobre ela era ínfimo, pois o meu pai também pouco a descrevia. Por alturas de 2001 vi numa montra de livraria esta revista, de enormes dimensões, peso e preço (para uma “revista”) e decidi comprá-la uns dias depois, pois seria um documento sobre o passado de pesca do meu pai a ter lá por casa.

Esta obra de 157 páginas vale bem pelas suas dimensões e conteúdos, pois toda ela é “uma história” da Grande Epopeia que foi a pesca do bacalhau por Portugueses e não só. Inúmeras fotos de grandes dimensões, a cores e preto e branco vão completando os textos de diversos autores e são fotos que de modo algum as vi noutras publicações, como por exemplo diversos lugres no rio Tejo. Treze anos passados, esta revista foi o início de um enorme gosto pela investigação desta Epopeia, pela sua evolução, dureza, pescadores, navios e mais navios de grande beleza e todo um país virado para ela durante décadas. Hoje penso no que sabia antes desta revista e o “gigantesco” desenrolar de factos que se foi mostrando durante estes anos. Várias vezes exclamei “Então foi nisto que o meu pai andou!”.
Curiosamente, a maior parte da aprendizagem e recolha de materiais foi feita via internet, sem dúvida via fundamental para o conhecimento. Há ainda um outro tanto a descobrir em inúmeras obras publicadas nos últimos anos em Portugal, obras que vou descrevendo aqui em artigos. Existem arquivos em museus, gavetas e baús em casa de antigos pescadores que estão cheios de “tesouros” sobre o universo do bacalhau e todos os dias surgem histórias novas, memórias num blog, fotos que decidiram passar pelo scanner. Há sempre mais e mais a esperar.
Este é o índice desta revista:
 
- O Atlântico noroeste e a Terra Nova (Terra dos Côrte-Reais).
- O controle das rotas do bacalhau nos sécs. XV e XVI.
- Reflexos carto-geográficos das navegações no Atlântico noroeste no séc. XVI.
- O confronto pelo domínio do Atlântico Norte.
- A pesca do bacalhau nos sécs. XVII e XVIII – Franceses, Ingleses e Americanos disputam a Terra Nova.
- O regresso à Terra Nova dos bacalhaus, de navios armados em Aveiro e Ílhavo.
- O Estado Novo e a frota bacalhoeira – Economia e política da pesca à linha.
- Os primeiros passos na modernização da frota bacalhoeira Portuguesa, 1935-1945.
- Aspectos da construção naval.
- O Estado Novo e a pesca do bacalhau – Encenação épica e representações ideológicas.
- A pesca do bacalhau.
- Navios com história – Lugres do gelo, cisnes dos oceanos.
 
Tal como disse Eça de Queiroz, “Um só livro é capaz de fazer a eternidade de um povo”.
Toda a Epopeia do Bacalhau, foi Um desses livros.


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Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2015
Aquele Portugal.

 

Foto kodachrome de W. Robert Moore publicada na revista National Geographic nos anos 30, com um varino do Tejo, o "José Jacinto", belamente ornamentado e protegido. Pela sua antiguidade, um extraordinário registo da etnologia fluvial do Tejo, das suas gentes migradas de tantas partes de Portugal e das suas superstições, bem visíveis no capelo de proa da embarcação.



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Sexta-feira, 2 de Janeiro de 2015
Arte marítima.

 

“Barco à Vela Ancorado na Praia de Toulon, 1892” - Giovanni B. Castagneto



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Terça-feira, 23 de Dezembro de 2014
Boas Festas.

14zWesołych Świąt

Boas Festas



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Segunda-feira, 22 de Dezembro de 2014
A preto e branco.

 

O velame de um varino ou de uma fragata do rio Tejo, de formas similares aos dois vultos junto a ele, num qualquer cais e altura de maré baixa. Foto de Eduardo Gageiro.


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