Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2009
Entre a Bretanha e a Islândia.
O porto de Faskrudsfjordur na Islândia era bastante frequentado pelas escunas de pesca ao bacalhau Francesas e por essa razão, em 1903 foi lá construído um hospital, bem como um estaleiro de obras de mar. (na foto1, um porto da Bretanha). Havia também um cemitério reservado aos Franceses. A vigilância e o socorro em alto mar eram assegurados pelo navio-hospital “Le Saint Paul”, construído nos estaleiros Buron em Saint-Malo. Media de casco 37 metros e possuía uma superfície vélica de 612 m2. Este navio perder-se-ia num temporal em 1899 encalhado na praia de Koteyar, Islândia e todo o seu equipamento seria salvo pela população da aldeia próxima, sendo todo transportado para Reykjavik a 400 km de distância em cem cavalos.
Em 1890, a construção de uma escuna custava 35.000 francos e depois de aparelhada, totalizava 70.000 francos. A tripulação destes barcos era de 25 homens. Em 1906, 54 embarcações saem do porto de Paimpol rumo à Islândia. Antes da partida, os armadores encarregavam cada capitão de proceder ao recrutamento da sua tripulação. Esta era levada a cabo ao domingo após a missa e era selada no café, com um certo montante recebido de avanço pela campanha. Este dinheiro variava consoante as qualidades reconhecidas a cada marinheiro. No entanto este modo de trabalhar estava sujeito a numerosas contestações. No regresso, cada qual era pago a sua parte deduzindo o avanço inicial do armador.
Os pescadores da Islândia que habitavam nas aldeias deixavam antes de partir todos os campos a serem cultivados pela sua esposa, família e à ajuda dos vizinhos. Labutavam em preparar pequenos cercados onde punham uma vaca, um ou dois porcos, galinhas e coelhos, o que permitiria viver e fazer algumas trocas. Após a campanha e durante o desarmar da escuna, o marinheiro ainda ficava a trabalhar em Paimpol, na carenagem (limpeza do casco), na inventariação do material e no rearmamento do navio. Podia depois fazer uns biscates ou pequena pesca em Port Lazo.
Nas costas da Islândia, os temporais eram frequentes. Com frequência se navegava à capa e os dramas no mar eram bastantes. Contava um velho pescador “Recordo-me de um dos nossos camaradas ter morrido de doença a bordo e devido ao mau tempo, não podiamos ir desembarcar o corpo a terra”.
No mês de Agosto de 1927, o capitão da escuna “Glycine” Yves Quéré de Kermanach atracado em Plouézec, o qual havia practicamente terminado a sua campanha, aproximou-se do lugre de 3 mastros “Bar Avel” para fazer saber à tripulação que iria abandonar a pesca na Islândia e trabalharia só em Paimpol. O capitão Morellec do “Bar Avel”, natural de Plouézec, fê-lo saber que iria voltar à Islândia e não se pretendia reformar. O “Bar Avel” jamais regressaria a Paimpol e foi declarado desaparecido na campanha seguinte, deixando uma comunidade cheia de viúvas e 50 orfãos.
Quando as escunas entravam nos fjords Islandeses no mês de Maio, era para desembarcar a sua primeira apanha de bacalhau nos navios a vapor ou para revitalizar a vida a bordo com provisões e água fresca. Cerca de 1880, perto de 5.000 marinheiros Franceses eram hóspedes sasonais dos fjords de Este a Oeste da Islândia. A marca da sua passagem está sobretudo nos numerosos túmulos que frequentemente eram “alimentados”.


publicado por cachinare às 08:20
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