Segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2009
O Pombalete (fulmarus glacialis).
Os pombaletes são aves marinhas conhecidas internacionalmente como Fulmar (por acaso conhecia este nome desde miúdo) que povoam vastas regiões frias do hemisfério Norte, principalmente no Atlântico. Devido aos desperdícios da pesca indústrial moderna, o seu número tem vindo a aumentar, pois costumam seguir os arrastões em busca do que é deitado ao mar, tal como várias outras aves marinhas o fazem.
Muitos dos pescadores da pesca do bacalhau em Portugal conhecem bem estas aves dos mares frios, as quais muitas vezes serviam de isco para a pesca quando este escasseava a bordo. Principalmente no tempo em que se pescava a partir de lugres à vela, quando não havia câmaras frigoríficas para guardar isco durante meses, os pescadores literalmente “pescavam” estas aves com anzóis iscados com fígados do bacalhau, as quais posteriormente passariam por si a servir de isco. Agradeço este detalhe ao Sr. Albino Gomes de Vila do Conde.
Fico também curioso em saber se estas aves eram consumidas pelos pescadores a bordo, pois várias vezes o meu pai trazia do mar ao fim-de-semana cagarras e mascatos. São memórias que nunca mais esqueço, a particularidade do sabor destas aves e da carne bastante rija e escura.

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publicado por cachinare às 08:20
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3 comentários:
De Anónimo a 25 de Fevereiro de 2009 às 11:30
Não sei que raio se passa aqui, mas parece-me que o A. Fangueiro atendeu a minha "súplica", tornando mais acessível o seu CAXINAS A FRÉGUESIA.
Reportando-me aos pombalentes, direi que de facto estas aves eram o petisco favorito dos pescadores bacalhoeiros, fartos de comer bacalhau fresco, todos os dias...
Vai daí, quando fazia um ou dois dias de "briza", em que não se podia arriar os Doris, lá ia um ou outro para a ré do navio "pescar" pássaros, sobretudo pombaletes. Depois era só pedir ao "mestre" cosinheiro se deixava fazer uma "arrozada" para dois ou três amigos. E assim se fazia um festim...
Pobre gente, heroica e valente, cujo sofrer, ainda não me apercebi que alguém conseguisse descrever.
Cumprimentos,
Cereja

PS: Onde digo: ia um ou outro para a ré do navio "pescar" pássaros, obviamente que me refiro aos pescadores, já que os outros tripulantes, nomeadamente oficias, motoristas, telegrafistas, enfermeiros, etc. desfrutavam da chamada "comida da ré", que era uma coisa à parte, muito diferente para melhor.
Hoje, não, mas naquele tempo era assim, ou pior.


De celestino a 26 de Fevereiro de 2009 às 10:05
É verdade que os pescadores do bacalhau comiam por vezes carne de pombalete e cagarra. Sobretudo, em dias de brisa , em que não se arriava, ia-se até à popa do navio e com uma linha e um anzol iscado com fígado de bacalhau, apanhavam-se facilmente umas quantas aves. Esfolavam-se e punham-se em vinha de alho. Pedia-se um favor ao cozinheiro para que emprestasse uma panela e, num canto do fogão, a carne era cozinhada. Para isto ser possível, era geralmente necessário dar-se bem com o pessoal da cozinha, ter alguma confiança. Esta caldeirada não era generalizada, era para alguns. Mas, um menú precioso, com aspecto a cabidela e sabor intenso. Pena era que não fosse habitual e para todos. Nunca compreendi isso. Até, porque, na minha primeira viagem em 1964, não tínhamos carne fresca, só salgada em barricas, cheia de sebo e que eu, particularmente não gostava. E era este o menú pelo qual sabíamos que era domingo. Não seria melhor comer pombaletee cagarra ? Coisas! Espero ter respondido à curiosidade. Um abraço e até breve.


De Anónimo a 26 de Fevereiro de 2009 às 16:55
Está muito correcta esta descrição do Sr. Celestino.
Só que o seu comentário, mais aquilo que antes digo,
são uma muito ínfima parte daquilo que era a vivência a bordo dos bacalhoeiros.
Na minha primeira viagem ainda trabalhei uns meses na cosinha , sem no entanto deixar o convés, e comia comida da ré, durante esse tempo.
Portanto, no que respeita à carne, servida a bordo do Lousado às Quintas e Domingos, era de facto carne salgada, que cosida ficava mais ou menos côr de
rosa. Isto em 1957/8. Portanto ainda antes de 1964.
Pois havia no Castelo de Proa, ao tempo, barricas cheias de carne salgada, que já ali andavam desde a inauguração do navio em 1954. Carnes que fizeram 4 e 5 viagens ao bacalhau. Pessoalmente, nunca a comi. Nesses dias comia as batatas e deixava a carne.
Recordo-me que havia a bordo um mais velhote, um
tal João Cravo, que pelo contrário, catava a carne e deixava as batatas...
Os fornecedores destes navios eram uns armazéns dali do Ginjal, em Almada.
Passados uns anos, já depois de ter deixado esta (má) vida, li algures na imprensa diária, que tinham descoberto no Alentejo uma organização que matava jumentos velhos e lazarentos, cuja carne era na sua maioria vendida para esses Armazéns que forneciam principalmente os navios bacalhoeiros.
No entanto, parece que disso ninguém morreu...
Por hoje fica-se por aqui. Cumprimentos,

Albino Gomes
Vila do Conde


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