Sexta-feira, 13 de Março de 2009
Bacalhoeiros de Portugal por uma objectiva alemã.

 

«Um dóri com a sua palamenta. À proa com o grampolim (âncora) e bóia para a linha de trol. No banco em frente às pernas do pescador-de-dóri, uma agulha de marear (bússola) para orientação no nevoeiro. Na foto aparentemente o pescador não teve sorte pois o bote nem metade cheio está de bacalhau».
 
fonte: Geographische Rundschau 7, 1962 – Wirtschaftsgeographie


publicado por cachinare às 16:23
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3 comentários:
De jaimepontes a 17 de Março de 2009 às 21:52
Pois é ,o bote vasio pouco peixe ,as veses acontecia ,então repara-se no cesto do tról com isca nos anzóis ,quer dizer que o pescador ainda vai dar outro lanço , está a preparar-se para largar, fas-me lembrar uma das muitas vezes que acontecia com migo ,eu que não gostava de dar dois lanços ,por isso eu usava vinte e duas mais e menos linhas ,cada linha com 50 anzois .Um dia ,de calma e mar raso ,eu no Inacio Cunha arriamos e cada um largou ,eu que gostava de ficar sempre nas pontas ,por isso quando de aragém de vento velava para longe ,quando calma como nesse dia remava normalmente até ficar livre de outros ,nunca quis problemas com ninguém e toca largar o tról para água a mais o meu companheiro ,sim normalmente andava-se acompanhado ,embora não fosse muito do meu gosto ! Más na hora de virar o tról ,a rapasiada começaram a alar e como não havia bacalhau ,pelo menos onde nós arriamos ,a rapasiada quando acabaram de alar o tról começaram a velar para sotavento e ém vês de largar não largaram ancoraram e começaram todos juntos a converça ! eu fui ao trol e reparei que a isca vinha direita tál e qual como tinha largado e alei meia duzia de linhas e não me deu mais que uma dezena de bacalhaus ,sendo eles de qualidade ,como a isca vinha direita ,larguei para trase fiquei só ,porque o meu companheiro éra dos que fazia como os de mais ! entretanto acabei de largar e larguei o balão e fui de remo para barlavento para a outra ponta e quando chguei ao outro balão começei a alar ,logo a seguir o navio vendo os botes todos juntos virou ancora e começou a chamar ,içou a bandeira e parou no meio dos botes e começou a meter os botes dentro como os botes não tinham bacalhau escusado será dizer que a coisa foi repida só faltava eu ,prtanto com toda a rapidês possivel começei a alar o tról ,por incrivel que pareça estáva a dar muito peixe e de boa qualidade ,com dés linhas dentro dei sinal ao navio com um remo e o casaco de oleado amarrado na ponta ,o Navio veio ao meu encontro para balrravento e chegou ao meu lado eu emboiei o tról e logo aliviei o bote e a rapasiada tiveram que ouvir das boas do capitão e para acabar ainda carreguei outro bote e o navio já não foi a emposta como o Capitão queria ficamos ali e ganhamos com isso porque nos dias seguintes fizemos boas péscas ! más está visto que se por acaso eu não tivesse a sorte do meu lado também teria que ouvir das boas do Sre Capitão . Más a mim e a outros de vês enquando acontecia estas coisas ,que serve para recordar ,portanto quando olho estas fotos dos dóris e seus pescadores fico com os olhos ém bico,.Um abraço Amigo Fangueiro .J.P ontes


De Anónimo a 22 de Março de 2009 às 12:47
Este texto do Jaime Pontes, está muito interessante.
Pena é que não haja mais pescadores com a sua experiência, a contribuir para a divulgação e preservação de toda uma epopeia marítima, como foi esta, vivida pelos nossos pescadores bacalhoeiros.
A exemplo de outras coisas, nisto é que a Autarquia de Vila do Conde (Câmara e Junta de Fréguesia ), que até tem um Pelouro da Cultura, falha redondamente.
Pois tinha muito mais interesse preocuparem-se em compilar todos estes depoimentos, do que andar a construir cartodromos " para jogarem a suéca , etc., de manhã à noite, sem proveito algum. Antes pelo contrário, já que fomentam o sedentarismo, tão prejudicial para a saúde daqueles homens.
Felizmente que, de momento, instituições como a MÚTUA DOS PESCADORES, estão a fazer algo de importante nesta àrea das pescas, facto com o qual, nos congratulamos, não só por isso, como pelo facto de pessoalmente ser um humilde colaborador.
Parabéns ao Jaime Pontes, e que continue nesta sua
nova e nobre missão de divulgação.
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Este texto do Jaime Pontes, está muito interessante. <BR>Pena é que não haja mais pescadores com a sua experiência, a contribuir para a divulgação e preservação de toda uma epopeia marítima, como foi esta, vivida pelos nossos pescadores bacalhoeiros. <BR>A exemplo de outras coisas, nisto é que a Autarquia de Vila do Conde (Câmara e Junta de Fréguesia ), que até tem um Pelouro da Cultura, falha redondamente. <BR>Pois tinha muito mais interesse preocuparem-se em compilar todos estes depoimentos, do que andar a construir cartodromos " para jogarem a suéca , etc., de manhã à noite, sem proveito algum. Antes pelo contrário, já que fomentam o sedentarismo, tão prejudicial para a saúde daqueles homens. <BR>Felizmente que, de momento, instituições como a MÚTUA DOS PESCADORES, estão a fazer algo de importante nesta àrea das pescas, facto com o qual, nos congratulamos, não só por isso, como pelo facto de pessoalmente ser um humilde colaborador. <BR>Parabéns ao Jaime Pontes, e que continue nesta sua <BR>nova e nobre missão de divulgação. <BR><BR class=incorrect name="incorrect" <a>Al</A> bino Gomes


De jaimepontes a 24 de Março de 2009 às 22:57
Boas noites Amigos António e Albino Gomes ,vou contar mais uma história passada com migo ém plena Térra Nova .Foi no meu segundo ano de bacalhau ém 64 no Aviz ,tinha-mos chegado ao pesqueiro no dia anterior ,portanto éra o primeiro dia de arreio e normalmente arriamos ,.debaixo de muito nevoeiro e cada um lá foi a sorte de Deus e eu com um meu tio desviamos do navio duas milhas mais ao menos e largamos o trol a agua ,entretanto passado uma hora o meu tio dame sinal para alar o tról claro que estavamos perto um do outro e alamos o trol e pesca não foi nenhuma ,como não largamos o trol todo ,até porque éra o primeiro dia de arriar depreça acabamos e como estáva nevoeiro fexado através de toques de busina os botes começaram a juntar-se e ninguém pescou nada ou quase nada . Estáva-mos todos juntos a espéra que o navio chamasse o que normalmente só chamaria daí por 4 horas ,más como estava névoa o Capitão julgando os botes a pescar não chamava ,dava´só sinal de nevoeirocom a sirene ,eu estáva encostado ao meu tio numa ponta os botes todos amarrados uns aos outros e não se via mais de 20 metros tál éra o forte nevoeiro e eu lá deixei o meu tio e fui um bocado ao rola até sair da vista deles e icei a vela com pouca aragém e fui rumo de sul ao contrario de onde estáva o navio e os dóris e com remos lá me desviei meia hora deles mais ao menos, até que quando entendi lá começei a largar trol ,como tinha alado uma duzia de linhas antes com a mesma isca ,assim foi mais isco menos isco ,o melhor é que conforme largava ia a sentir o peixe a puxar e mais rapido eu largava ,então larguei as mesmas linhas que tinha alado antes e férro para fundo sém perder mais tempo ,só que passados 15 minutos o navio que mal ouvia a sirene ,começou a chamar ,primeiro um foguetão e depois a sirene três vezes .Eu começei logo a pressa a alar o tról porque éra mais que visto que longe como eu estáva e nevoeiro o navio não suspendia e se me correçe mál na pésca ia ser o bóm e o bunito?Então força trol para dentro e as primeiras linhas não deu nada o que me deixava preócupado más depois onde eu senti o peixe mais ao menos começou a entrar e cada vês mais até chegar ao ponto quando faltava tres linhas já estáva a pedir a Deus que não viesse mais ,más o que aconteçeu é que tive de despescar e por ao mar e assim acabei de alar despescando outro tanto de bacalhau fora ,porque estáva só e longe , estáva calma e mais névoa e eu ém camisa lá foi ao remo com o bote caregado e de vês ém quando parava para esgotar agua e sempre com os ouvidos na sirene do navio o que me levou uma hora ou mais de remo bém suado cheguei a bordo e o Sre Capitão Vitorino Ramalheira com certesa preparado para me insultar ,logo me perguntou Pontes de que rumo véns eu lá respondi ,venho de sul a uma hora de remo e ém vês de ser o Capitão a dizer-me ou a chamar-me como éra costume as vêzes maltratar não, foi o meu tio que me queria dar com um remo na cabeça e eu reconheço que nessa altura ele tinha toda razão ,porque ele ficou deveras preócupado e então lá descareguei e a rapasiada fizéram o favor de ao serem chamados para escalar aqueles tres quintais me mandavam com as tripas contra as costas enquanto eu descarregava ,más também já éra ábito aconteçer isso ,porque ninguém queria trabalhar para os outros como sempre...Comprimentos J.Pontes


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