Sexta-feira, 1 de Maio de 2009
Foi há quase um ano… mas Convém recordar.

«Uma embarcação de pesca artesanal teve uma avaria de motor e veio a encalhar na praia da Póvoa de Varzim.

Pescadores, indignados, lamentam a demora no socorro, que voltou a trazer à memória o fatídico "Luz do Sameiro". Uma embarcação de pesca artesanal encalhou, ontem de madrugada, na praia Redonda/Leixão, junto ao molhe norte do porto de pesca da Póvoa de Varzim. À entrada da barra poveira, o "Viva Jesus" teve uma avaria de motor e foi arrastado até à praia. Na maior comunidade piscatória do país, o acidente trouxe à memória o "Luz do Sameiro". Os três tripulantes escaparam ilesos, mas, a meia dúzia de metros do porto de pesca, só uma hora e meia depois do pedido de socorro chegou o salva-vidas do ISN (Instituto de Socorros a Náufragos). "Os homens salvaram-se porque o mar estava 'chão' [calmo]. Se estivesse como no dia do naufrágio do 'Luz do Sameiro', não se safavam", frisou, indignado, o presidente da Associação Pró-Maior Segurança dos Homens do Mar, que, ontem de manhã, ainda lutava, ao lado dos pescadores, tentava rebocar o barco para a praia. José Festas não esconde a indignação. Volvidos dois anos do naufrágio do "Luz do Sameiro", que tirou a vida a seis pescadores, à espera de socorro a 50 metros da praia da Légua, em Alcobaça, as queixas repetem-se: o ISN ainda não funciona 24 horas por dia, o socorro chega tarde e os meios são escassos. "Eles vinham a entrar na barra e o motor avariou. Pediram socorro às 23,20 horas e, até à meia-noite, ninguém lhes respondeu. O salva-vidas só chegou à 1,10 horas", sublinhou José Festas. Via rádio, o pedido de socorro foi ouvido pelo "Tânia Filipe". A sair da barra poveira para mais um dia de faina, a embarcação foi ao encontro do "Viva Jesus". "Chegou num minuto", mas sem meios, explicou José Festas, o "Tânia Filipe", um pouco maior, embateu nas rochas do molhe norte do porto de pesca e, "com uma avaria no leme", foi obrigado a regressar ao porto. O vento e a corrente empurraram o "Viva Jesus" para a costa e, com o mar calmo, os tripulantes saltaram para a praia. O comandante da Capitania poveira reconhece que o piquete da Polícia Marítima - um agente - chegou ao local "já o barco estava encalhado na praia" e o salva-vidas - que teve que vir de Vila do Conde - já depois da uma da madrugada. Nestes casos, diz, e uma vez que o ISN só tem pessoal permanente entre as 9 e as 17 horas, é preciso chamar a tripulação, pelo que o socorro, diz, "chegou o mais rápido possível". Sá Coutinho diz que o salva-vidas de Vila do Conde - uma embarcação semi-rígida -, "é mais rápido" do que o poveiro "Cego do Maio", mas o facto é que a estação salva-vidas do ISN da Póvoa - dentro do porto de pesca, a poucos metros do local do acidente - continua, como o JN noticiou em Abril, sem pessoal para funcionar, já que o patrão da estação está de baixa há três meses, pelo que o "Cego do Maio" não podia sair. A estação poveira até tem um lança-cabos (para ajudar a fixar a embarcação a terra), explicou Sá Coutinho, mas o facto é que às primeiras horas da madrugada os homens do mar "viram-se e desejaram-se" para fixar o barco a terra e o lança-cabos nunca chegou. "Desde a meia-noite que estamos sem dormir. A Polícia Marítima está aí com uma motoquatro. A fazer o quê?", questiona, indignado, Festas, perante a passividade dos agentes, que olhavam as operações. A retroescavadora que deu uma ajuda foi cedida pela Câmara da Póvoa e a "força de braços" dos pescadores. De olhos postos no barco, o mestre da embarcação, não consegue falar: filho de pescadores, uma vida passada no mar, e, numa hora, o sustento da família mar abaixo, à espera de um socorro que não chegou.»
 
por Ana Trocado Marques – 17-06-2008 – Jornal de Notícias
 
Vídeo do "resgate".
 
 
Sinceramente nem sei como escrever sobre isto. Parece piada. Impressiona-me e Muito as repetições patéticas destes casos. Uns poucos criaturas a ganhar o pão, têm o azar de ficar sem motor à entrada do porto. Resultado: de imediato vem um barco de apoio resgatar os homens e procurar trazer o barco a reboque aquela meia-dúzia de metros até ao cais. O mar até está calmo.
NÃO, errado, estava só a brincar. Resultado: Instituto de Socorros a Náufragos? Já ouviram falar? Ouvi dizer que têm motos-4.
 
1º - convém aos pescadores rezar a N. Srª da Lapa, para que mar e tempo os favoreçam.
2º - barco levado para a praia, encalha. Que sorte, saltemos para a areia que o mar está calmo.
3º - e agora o barco?? Puxa! Puxa para cima a ver se vem que depois leva-se numas rodinhas para o estaleiro. Sabes que mais? É melhor desmantelar este MegaPetroleiro de 500.000 toneladas.
4º - Há culpados? Responsáveis? Culpado foi mas é o estúpido do motor que se lembrou de parar. Vai levar nos pistões com uma cana-do-leme!
 
Espero que as vítimas deste e de muitos outros anteriores naufrágios percebam que sobre isto só posso ser irónico, pois revolta e muito a estupidez e cegueira de muito “peixe-de-coiro” que por aí anda. O que sabe essa gente de mar... .
O que estes homens e famílias não sofreram, sofrem e hão-de sofrer por muitos e muitos anos vindouros... .
 
Foto de Carlos Ferreira – blog Garatujando.
Vídeo de ct2hal.


publicado por cachinare às 15:24
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4 comentários:
De jaime pontes a 1 de Maio de 2009 às 20:34
António boa tarde ,é bóm não deixar esquecer estes dramas ,que só não foi na totalidade porque o mar estava bóm ,´mesmo assim mais uma vês se fêz jus a falta de meios de salvamento e que infelismente continua ? Ainda hà quém esteja a espéra que aconteça mais desgraças para curtir lagrimas de crocodilo má esses já estão identificados ? Por tudo isto mais uma vês se chama a atensão dos pescadores para o perigo no mar porque ainda não há meios adecuados de salvamento e os pescadores cá do norte já a 30 anos a esta parte que reclamam meios de salvamento e as vitimas morrem sempre na praia infelismente ,portanto muitas das veses só com um helicóptero se resolviam muitos dos salvamentos ,isto porque na rebentação do mar só por este meio se resolvia o salvamento de muitas vidas ,mas há quem fassa orelhas moucas e verdade seja dita ,o nosso presidente desde que me lembre muito tém feito nesse sentido por isso cabe a nós pescadores forçar no sentido de sempre acordar as autoridades para que esse mesmo helicóptero venha cá para zona de vila do conde ...J.pião


De Anónimo a 4 de Maio de 2009 às 17:16
Perante mais este caso, será que mais uma vez a culpa vai morrer solteira?
Já repararam que apesar da reconhecida falta de formação dos pescadores portugueses, de uma forma geral, nunca são culpados destes acidentes?
Por falta de elementos, não poderemos dizer que este ou aquele acidente seja da responsabilidade da tripulação. Mas a verdade é que apesar dos disparates que de vez em quando se vê, munca são culpados.
Portanto, como se costuma dizer, "nem tanto ao mar,
nem tanto à terra"...
Agora, também estarem sempre ( tal como fazem os
da política para apanharem os votos), não vamos estar constantemente a condenar os meios de segurança, que embora não funcionem como seria de desejar, na verdade não poderiam resolver tudo. Sobretudo quando há irresponsabilidade dos mais interessados,
e estes são os tripulantes dos barcos.
Portanto, como diz o nosso povo:
Cautelas e Caldos de Galinha nunca fizeram mal a ninguém.
E os pescadores, para além das autoridades, devem ser sempre os primeiros a toma-las...

a) Al bino Gomes


De Anónimo a 4 de Maio de 2009 às 17:31
Porque já me escapava, e o Jaime Pontes se refere
a isso, lembram-se que no tempo do Cavaco como
1º Ministro, os políticos locais, para agradarem aos
nossos pescadores, tanto falavam no Helicóptero?
E lembram-se também, que depois que o Cavaco saíu e entraram os da sua côr, se calaram como ratos, durante tantos anos e anos?
O ano passado houve um Show de Helicoptero ali na Praia das Caxinas/Poça da Barca, simulando um
salvamento (em ritmo lento, lento, tão lento, que se fosse a sério dava para morrerem todos...).
Mas, como era "para Iglês ver", taba bem.

Al bino Gomes


De jaime pontes a 5 de Maio de 2009 às 23:21
Amigo Bino mais uma vês comento ém resposta aos aconteçimentos infelises dos pescadores, que me pareçe que não é façil nós que já andamos no mar sabemos que há sempre falhas e algumas de bradar aos ceus, mas também as há ém qualquer actividade ou profição e as vezes pior e com os pés assentes na térra ? Só que ém térra felismente hà mais probablidades de salvamento ,no mar é como nós sabemos ,cada um tém que valer por dois ! Agora com respeito aos meios ,aqui na zona que eu me lembro já andamos a 30 anos a reindivicar um helicóptero desde o tempo do então Dre Fernando Gomes e continuando com o nosso Presidente Mario Almeida juntamente com o nosso amigo Jaime Galante «já faleçido»e eu entre outros ém varias reuniões ,portanto estou a vontade para dizer isto e a mim pouco me intereça as politiquices deste ou daquele mais uma vês lembro que os naufragios dos nossos barcos tém aconteçido 90 por cento pérto da costa e não me venham dizer que os barcos estão a trabalhar encostados a costa isso só por si não é tudo porque o pescador é como o caçador vai caçar onde hà caça e a vida é dura por isso é que se chama pesca costeira e local ,o que entereça é que somos poucos e éra bom a gente remar todos para o mesmo lado para ajudarmos na luta pela segurança da rapaziada e mesmo ém varias reuniões ém Lisboa se descutia entre todas associações a segurança no mar ,e as respostas foi sempre a conta gotas e Deus vele pelos homéns do mar porque aquilo que nós vimos com calma e mar raso e todo aquele aparato ,oxalá não aconteça realmente porque ficou mais que visto que continuamos na mesma e iremos lamentar sempre . Bino um abraço e Bém haja António ...Jaime Pião


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