Terça-feira, 16 de Junho de 2009
St. John´s, 27-05-1955 – a Procissão dos Pescadores.

A basílica-catedral de S. João Baptista em St. John´s, Terra Nova e Labrador, é hoje o símbolo maior da igreja católica-romana na província da Terra Nova-Labrador. Desenhada pelo arquitecto alemão Ole Joergen Schmidt, foi construída entre 1839 e 1855 e está situada na maior elevação sobre a cidade de St. John´s. A igreja não está orientada no tradicional eixo litúrgico este-oeste, mas sim virada de frente para as “Narrows”, a afamada entrada do porto. Tendo sido construída de modo diferente do que era habitual na altura, o principal material usado foi calcário e granito importado de Galway e Dublin na Irlanda, bem como cerca de 400.000 tijolos de Hamburgo, Alemanha, estando toda a supervisão das obras a cargo do Bispo Michael Anthony Fleming, de origem irlandesa.

O ano de 1955 seria especial para a basílica-catedral, celebrando-se os 100 anos da sua consagração. A celebração ficou marcada na altura pela sua elevação a “basílica-menor” por intermédio do Papa Pio XII. Para preparar as celebrações do centenário em Junho de 1955, foi levado a cabo um grande trabalho de restauro, com novas janelas, aquecimento e luzes e a nova Capela Mariana, localizada nas traseiras da catedral, com capacidade para 110 pessoas.
Considerado como provavelmente o momento mais alto de todas as celebrações, foi a chegada de entre 4.000 a 5.000 pescadores portugueses, da já famosa “Frota Branca”, ao porto de St. John´s a 27 de Maio de 1955. Haviam chegado com uma oferta que compreendia um grupo de 9 imagens sagradas, entre elas a imagem de N. Srª de Fátima, a ser apresentada e oferecida à comunidade de St. John´s.
A oferta foi aceite e recebida pelo arcebispo Patrick J. Skinner na basílica, das mãos do reverendo J. A. Rosa, capelão da frota portuguesa, em nome dos oficiais e das tripulações da frota, bem como do povo de Portugal. O retrato de milhares de pescadores bacalhoeiros portugueses e oficiais de navios a caminhar através da cidade desde o porto até aos degraus da basílica ficou na história e na memória dos intervenientes, comemorando os fortes laços económico-piscatórios entre Portugal e a Terra Nova.
 
Nos arquivos da arquidiocese de St. John´s, encontra-se hoje um pequeno excerpto em vídeo desta procissão dos pescadores portugueses, a cores e com narração. Aqui fica o link:
 
Procissão dos Pescadores Portugueses – St. John´s, 27-05-1955.
 
Foto 2 – arquivos da aquidiocese de St. John´s, Terra Nova.


publicado por cachinare às 08:21
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2 comentários:
De jaime pontes a 17 de Junho de 2009 às 15:09
Mais uma vês agradeço ao António por este blog que vém retratando o que de bom existia nos nossos pescadores do bacalhau ou relacionamentos com os pescadores do bacalhau e não só ? Pois agora temos um bóm documentario de 1955 da prossição da Sra de Fatima ém Saint Jones com os navios todos embandeirados e a volta de 4000 a 5000 pescadores encorporados na procição ,imagino-me lá e apetece-me dizer que maravilha ,que previlégio dos nossos pescadores ém serem relembrados desta maneira ,pena que a maioria já foram embóra más ainda temos muitos que os representam ,embora esquecidos por quém nos tutelam neste caso vamos de quando ém vês lembrando que Vila do Conde deu ao longo da história da pesca do bacalhau milhares de homéns ! desde oficiais ,pescadores e outros que tais ...BEM HAJA ,a todos que contribuiram e contribuém para avivar a memória de quém a tém curta e haja quem de alguma forma vá prestando uma sincera homenagém a esses valentes que tudo fizeram para que não faltasse o pão dos filhos ém casa e que deram nome a VILA DO CONDE ...comprimentos Jaime Pontes »Pião»


De João Marçal a 26 de Junho de 2009 às 16:36
Esta procissão aparece no último documentário da RTP (2007) sobre a Epopeia do Bacalhau, feito por Francisco Manso, com guião do Dr.Álvaro Garrido, director do Museu Marítimo de Ílhavo, e com vista também do interior da basílica. Foi ouvido um padre que na altura esteve presente bem como um historiador que relata com muito ardor aquele dia vivido em St. Johns.
O documentário versa sobretudo a grande ligação dos portugueses à Terra Nova. Termina deixando a sensação de que está incompleto ou de que foi cortado antes do final.


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