Terça-feira, 30 de Junho de 2009
Gronelândia, rumo à independência.

«Este ano, o Solstício de Verão foi histórico para a Gronelândia, a enorme e pouco populosa ilha do Ártico governada pela Dinamarca desde o séc. XVIII. Por entre fogos-de-artifício nos céus claros, concertos e festas, a Raínha da Dinamarca atendeu à cerimónia no parlamento em Nuuk, a capital da Gronelândia, no passado domingo, 22 de Junho de 2009, onde presenciou o início da autonomia governativa no território.

Um sentimento de nacionalismo tem vindo a crescer firmemente entre os cerca de 56.000 gronelandeses, acompanhado pela vivacidade política local. Há 3 décadas atrás, os gronelandeses alcançaram um certo nível de autonomia e depois, ansiosos pelos seus direitos de pesca, rapidamente votaram contra a inclusão na União Europeia (Comunidade Europeia nessa altura), completando o processo em 1985 e tornando-se no único povo a separar-se do bloco continental. Agora, movem-se rumo à indendência da Dinamarca.
Em Novembro passado, mais de 75% da população votou a favor da diminuição de laços para com o administrador colonial, tomando responsabilidade pela segurança e assuntos judiciais. Por agora, no entanto, os dinamarqueses continuarão a gerir os assuntos externos e monetários e a providenciar um generoso subsídio de 633 milhões de dólares a cada ano.
A seu tempo, os gronelandeses, encorajados pela faixa mais jovem e de esquerda, são esperados cortar “as amarras” dos dinamarqueses, estes confirmando que a total descolonização é bem provável. Este processo terá sido desencadeado também por fúria local contra os políticos e à ligação que tinham a Copenhaga, a capital dinamarquesa. Similar ao escândalo das despesas de MP´s em Inglaterra, a Gronelândia entrou em choque com as revelações sobre as vidas extravagantes dos seus políticos, reproduzidas por jornalistas ao abrigo de leis de liberdade de informação.
Assolada pelo escândalo, a elite governativa da Gronelândia foi retirada este mês, terminando 30 anos de governo dos sociais-democrata do partido Siumut. Neste cenário, as promessas eleitorais da oposição de esquerda para limpar o sistema, foram bem aceites pelos eleitores. Kuupik Kleist, o seu líder, focar-se-à de imediato nos benefícios sociais, educação e saúde. O passo seguinte será tornar a Gronelândia um país independente viável, encontrando formas de diminuir os subsídios da Dinamarca e gerar novas formas de riqueza para além da exportação de peixe. Planos para uma fundição de alumínio estão já a decorrer. No Sul da Gronelândia a agricultura tem vindo a desenvolver-se favorecida pelo aquecimento climático. No entanto, o maior prémio de todos seria a possibilidade de explorar petróleo e gás natural. Para já as pesquisas estão nos inícios ao largo da costa e se nos próximos tempos os geólogos alcançarem boas reservas, como esperado, a marcha rumo à total independência irá acelerar o passo.»
 
Adaptado / traduzido de Economist.com
 
Esta última foto mostra o arrastão-popa português “Príncipe do Vouga” em Narsaq, no Sul da Gronelândia, em 2002. Foto de John Rasmussen - Narsaq Foto.
 
Mais sobre a Gronelândia.

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publicado por cachinare às 08:15
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2 comentários:
De jaime pontes a 30 de Junho de 2009 às 14:18
Algo me diz que a Groenlândia ao ser independente se tornará um dos Paizes mais desenvolvidos do Mundo ,porque tem muito por onde explorar !


De JAIME PIÃO a 2 de Julho de 2009 às 10:45
Falando ainda da Groenlândia essa enorme Ilha !
La terá as suas razões para ser total independente e parece com condições de se governar com os apoios das nações unidas.
Nos anos 60 ainda saltei em terra da Groenlândia ,mais concretamente em ---godtahv-welstanborg- faringhaven- eu sei que estes nomes escritos por mim tem erros mas é mais e menos assim os nomes dos portos que visitei e fiquei encantado ,como diz o outro foi feliz em pelo menos num desses portos ,portanto boas recordações tenho eu desse grande país e dos tempos em que andei na pesca do bacalhau ...
jaime pontes


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