Sexta-feira, 3 de Julho de 2009
“Henrique Tenreiro – Uma Biografia Política”.

«“Henrique Tenreiro – Uma Biografia Política”, é um livro de história contemporânea dedicado a uma das figuras mais relevantes e controversas do Estado Novo.

Henrique Ernesto Serra dos Santos Tenreiro (1901-1994) viveu muito e de maneira intensa, por vezes frenética. Oficial da Armada de méritos discutidos, nunca foi um homem de hábitos tranquilos. A forma activa e vibrante como consumiu boa parte dos seus noventa e dois anos de vida em nada condiz com a desencantada monotonia do regime que serviu. Numa ditadura salazarista que, em teoria, dispensava a agitação carismática e o movimento dos fascismos, Tenreiro foi sempre uma reserva mobilizadora.
“Patrão das Pescas”, investiu-se em chefe de uma extensa oligarquia corporativa erguida em 1936, nos tempos febris da Guerra Civil de Espanha, e desmantelada em 1974, com a Revolução de Abril. A sua obra foi a razão de ser da sua vida. O fomento das “pescas nacionais” e a assistência social aos pescadores parecem ter legitimado um poder quase autónomo, tentacular e eminentemente “fáctico”. De certa maneira, esta biografia política é, também, uma criptobiografia do Estado Novo, período ditatorial cuja memória histórica carece de trabalhos inéditos e da razão crítica dos historiadores.»
 
Da sinopse.
 
Esta nova obra da autoria do Dr. Álvaro Garrido, actual Director do Museu Marítimo de Ílhavo, foi estreada e apresentada no passado dia 24 de Junho na Fundação Mário Soares, em Lisboa.
Será apresentado ao público em Ílhavo no dia 4 de Julho, no Museu Marítimo pelas 18:30, apresentação essa a cargo de Joaquim Feio (Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra).
É mais uma obra que fazia falta, para uma melhor compreensão dos meandros da organização das pescas durante o Estado Novo... seus prós e seus contras e comparações aos dias de hoje.


publicado por cachinare às 08:11
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8 comentários:
De JAIME PIÃO a 3 de Julho de 2009 às 11:38
É muito controverso falar dum homem que durante muitos anos dirigiu as pescas com mãos de ferro ?
Mas eu sou capaz de dizer ,que foi um grande homem na altura ,teve na minha óptica coisas boas e algumas menos boas ,sendo as boas a sua maneira forte de dirigir as pescas pela positiva ! E as coisas menos boas foi ,obrigar as pessoas a ir ao bacalhau se não dizia ele ,ou bacalhau ou tropa que era o mesmo que dizer guerra e, também tinha o defeito de ser a favor dos oficiais e contra os pescadores ,houve muitos casos que justifica este meu comentário ,mas eu lembro que hoje não falta quem diga mal ,é sempre assim , as coisas boas que se fez na altura , não são lembradas ? também o governo de então era governado com mão de ferro e hoje a quem diga mal e a quem diga bem ,porque passados anos as pessoas ficam com falta de memoria e, não se lembram das coisas positivas que de bom se fez e assim sucessivamente ...jaime pontes


De celestino a 3 de Julho de 2009 às 22:36
Conheci pessoalmente o Almirante quando se deslocava à Escola Profissional de Pesca de Lisboa, em datas especiais. Muita gente importante estava com ele. Não me obrigou a ir para o Bacalhau. Fui porque quis, melhor, por necessidade de melhorar a minha vida ainda tão jovem e por este espírito de saír daqui.Também fiz a tropa no exército por força da sua decisão : ou bacalhau , ou tropa. Parece uma contradição dizer que fui ao bacalhau porque quis e fui também à tropa , à força. Mas, foi mesmo assim.
Registo como negativo , sendo ele o topo do poder nas pescas, permitir muita desumanidade por parte do sistema e de alguns oficiais, déspotas por natureza. Sêl-lo-iam em qualquer parte onde tivessem um apoio superior. Felizmente, conheci também bons oficiais, porque o seriam assim também em qualquer parte. Homens que ainda hoje admiro.
O meu registo positivo vai para a sua obra social em favor dos pescadores e das suas famílias. Notável. Não pretendo julgar. O juízo definitivo, só a Deus cabe. E, ele , está para além da história.


De JAIME PIÃO a 4 de Julho de 2009 às 07:59
Bom dia amigo Celestino ,é com prazer que o comprimento ,já vi que conhece daquilo que fala ,por isso já somos vários a relembrar os tempos dos bacalhaus .
Falando do então Almirante Tenreiro ,eu diria que a sua apreciação está correta mas, a sempre discordancias ,como em tudo que se discute na vida .
Como digo teve coisas boas e outras menos boas ,e ésta é a minha ideia ,mas que é falível ,sem mais comprimentos e tive prazer em conectar com o amigo Celestino ...jaime pontes


De Anónimo a 4 de Julho de 2009 às 18:13
O grande Poeta popular António Aleixo, tem uma
quadra que diz assim:

NÃO SOU ESPERTO NEM BRUTO,
NEM BEM, NEM MAL EDUCADO.
SOU SIMPLESMENTE O PRODUTO,
DO MEIO EM QUE FUI CRIADO.

Portanto, o Alm. Henrique Tenreiro, até poderia ser um tipo "porreiro", mas naqueles tempos do Salazarismo (tal como acontece hoje, um tanto por todo o lado...), quem não se adaptasse ao Sistema, e com o perfil militar que ele tinha, não iria tão longe como foi.
Portanto, as coisas boas que eventualmente teria feito, são de louvar.
As coisas más que fez, ou permitiu que se fizessem,
tais como os bárbaros castigos aplicados por alguns capitães de navios, as ameaças de queixa à Pide, os insultos, etc. etc., podem e devem ser denunciadas.
Amigos Jaime e Celestino, eu também andei na Escola Profissional de Pesca, em Lisboa, mas antes, tive a oportunidade de trabalhar uns anos na redacção de um jornal, o que me deu a vantagem de em pleno mar ver horizontes que outros infelizmente não viam...
Pobres coitados, quantas vezes sujeitos a ouvirem os superiores dizer-lhes que ali : eram "abaixo do cão, três vezes"...
Portanto, se puderem, vamos ler a Biografia Política daquele "pobre diabo", que durante tantos anos foi a face de um regime desumano que desejaríamos não mais ver em parte alguma.
Infelizmente, continuarei céptico, na medida em que vejo mudarem as moscas...e
O resto, um pouco melhor.
Parabéns ao Dr. Alvaro Garrido, grande homem da
cultura , a quem devemos o favor de se ter dedicado a esta desmistificação mitológica.

Albino Gomes



De JAIME PIÃO a 5 de Julho de 2009 às 15:36
Falando do mar e do sargaço , este bem natural que todos os anos vem por esta altura do ano emperrar a praia de banhos ,sim o sargaço que nos anos 30 até 70 era um ganha pão e um bem natural para os campos ,hoje não ,porque estamos a viver um pouco das pescas e das praias no verão ,e não é desta maneira que podemos viver melhor ,pelo contrário é com mais dificuldades que hoje se vive .
Então não haverá ninguém que vislumbre uma saída para este mal aqui nas praias? ,será preciso fazer um levantamento para alterar isto ?,será que desde o presidente da junta ,até quem nos tutela, ninguém quer saber ! Pois bem meus SENHORES eu não me calo ,porque seria uma cobardia andar por aí a falar e nada fazer ,até porque hoje os mais velhos aqui das Caxinas olham todos os dias para a praia e dizem que saudades ,antigamente era montes por todo o lado ,porque era o pão do dia ganho ,agora está o «argaço» aos montes e não a quem o apanhe e isto tudo porque alguém está interessado em fazer muito mal as Caxinas e os «desgraçados » não tem culpa de como eu nada perceber de politica e Caxinas da muito aos SENHORES ! Que só para chegar ao poleiro são capazes de prometer tudo e calcar e pisar tudo e todos e depois são iguais a outros doutros tempos ,enquanto o povo se entretém com futebóis e mais, a gente vai-se governando ...
Por favor ,deixem de entreter o povo das Caxinas e resolvam os problemas que foi isso que prometeram e o povo já desespera com as promessas não cumpridas ...


De celestino a 10 de Julho de 2009 às 23:29
Os eleitores Caxineiros deviam votar em branco nas próximas eleições autárquicas, como protesto por Caxinas ainda não ser freguesia. Este, é a meu ver, o caminho para o reconhecimento deste direito.


De F.Torres a 27 de Julho de 2009 às 18:43
Já li a biografia política de H.Tenreiro e considero-a um documento excepcional, claro, conciso, imparcial e desmistificador. O seu autor merece o meu respeito e fico-lhe grato por se ter empenhado nesta colossal tarefa. Fico à espera da próxima obra que já vem a caminho.


De filhosdaterra a 22 de Setembro de 2012 às 22:09
Cresci num bairro Lisboeta onde muitos dos meus vizinhos que andavam na campanha do bacalhau me relatavam o tratamento desumano dado pelos comandantes aos pescadores bacalhoeiros. Era o regime fomentado pelo Alm. Tenrreiro. A sua obra não foi mais que um acto de mesericordia dado aos pobresinhos dos pescadores. Só após 1974 é que estes passaram a ter uma assistencia social condigna. .


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