Quarta-feira, 8 de Julho de 2009
VII Encontro de Embarcações Tradicionais de Vila do Conde.

«Tradicionalmente, desde há sete anos a esta parte, a Associação de Ex-Marinheiros da Armada de Vila do Conde, com a colaboração do município vilacondense e em parceria com a Comissão de Festas do S. João, tem vindo a realizar encontros de embarcações tradicionais, os quais ocorrem no fim-de-semana que antecede o S. João.

Este ano, mais uma vez associando-se às festas sãojoaninas, a Associação de Ex-Marinheiros da Armada de Vila do Conde organizou o VII Encontro de Embarcações Tradicionais de Vila do Conde, que teve lugar nos dia 19, 20 e 21 de Junho, o qual contou com a participação de cerca de 80 tripulantes e mais de uma dúzia de embarcações tradicionais.
Para além das catraias “Baltazar” e “Briosa” propriedade da associação, estiveram presentes o catraio do Tejo de Sarilhos Pequenos, o moliceiro de Aveiro, a lancha do alto da Póvoa de Varzim, a catraia de Esposende, o carocho de Lanhelas e da vizinha Galiza, a dorna de Portonovo e as bucetas de Bouzas. Associaram-se, ainda, a este encontro, diversas embarcações à vela de recreio (veleiros) que se encontram atracados no Núcleo de Recreio “Cais das Lavandeiras” e uma embarcação salva-vidas, actualmente fora de serviço e que foi lançada à água em 1962.
Durante estes dias trouxemos ao estuário do Rio Ave, em complemento da magnífica reabilitação da frente ribeirinha, animação, vida e cor, chamando a população ao encontro do seu rio.
Algumas dezenas de populares puderam efectuar, durante a manhã de Domingo, passeios a bordo da lancha poveira “Fé em Deus” e do salva-vidas “Rabumba”, permitindo as condições meteorológicas que os mesmos pudessem prolongar-se fora da barra de Vila do Conde.
O encontro terminou com um almoço de confraternização e encerramento no Rancho da Praça, com a entrega de diplomas às embarcações e entidades participantes.»
 
-- Associação de Ex-Marinheiros da Armada de Vila do Conde.
 
Foi precisamente faz já 7 anos que emigrei e me encontro ainda no estrangeiro; precisamente no ano em que teve início este tipo de encontros na cidade onde nasci, Vila do Conde. Estando à distância, tem sido todos os anos um “problema” encontrar um relato ou uma foto que seja deste evento e mesmo a imagem do cartaz que o publicita tem sempre apenas uns 10cm2. Sobre o cartaz deste ano, infelizmente os barcos que mostra nada têm de “tradicional” e mesmo a participação de modernos barcos de recreio no evento descaracterizam a meu ver o que se pretende, ou seja, a recuperação da cultura marítima tradicional local (e quase perdida). Pretende-se publicitar a beleza da madeira em vez da fibra-de-vidro.
Agradeço imenso ao amigo José Cunha, do blog Carioca da Vila ter-me enviado várias fotos dos barcos deste Encontro e agora, à Associação que promove o evento ter publicado uma crónica via FGCMF (Federação Galega pela Cultura Marítima e Fluvial), cujo grande Enconto bi-anual se realiza este fim-de-semana na localidade de Muros, Galiza.
Tendo poucos dados, não me poderei pronunciar muito mais sobre o evento, o que esteve bem e o que esteve mal. 12 embarcações vindas, desde o Seixal até à Galiza, são um bom sinal rumo ao futuro, no entanto quer-me parecer que o Encontro ainda está na “sombra” das festas de S. João no concelho e não parece um acontecimento totalmente focado nos antigos e tradicionais barcos, sua cultura, sua construção, recuperação, artes de manejo, etc.
Como referi, tenho muito poucos dados para me pronunciar correctamente e acima de tudo há que agradecer o trabalho da Associação de Ex-Marinheiros da Armada de Vila do Conde, por fazerem deste evento uma realidade, por se preocuparem com os barcos tradicionais e a importância que têm na memória marítimo-fluvial. Certamente fazem o que podem e os deixam.
Um comentário do Sr. Albino Gomes, membro da associação, será (como sempre) muito benvindo sobre este evento e sua organização.
 
Fica aqui o link para um Álbum de Fotos do VII Encontro, da autoria de José Cunha.
 
Foto 1 – Associação de Ex-Marinheiros da Armada de Vila do Conde.
Foto 2 – José Cunha.


publicado por cachinare às 08:19
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4 comentários:
De JAIME PIÃO a 8 de Julho de 2009 às 09:00
Grande evento de barcos tradicionais ,mas que a meu ver muito pouco divulgado ,o que em Vila do Conde não é de admirar ?
Eu todos os anos tenho visto e fico satisfeito em ver os barcos com as velas de um lado ao outro aos bordos é uma beleza !
Mas se vierem fazer um inquérito nas Caxinas e perguntarem se conhecem esse tal evento 90 por cento dizem desconhecer ,e porquê ?
Porque de Vila do Conde nunca houve divulgação de nada para fora do centro da cidade , acontecem muitas coisas em Vila do Conde que nas Caxinas passa ao lado pela razão aqui exposta ...Jaime Pontes


De Anónimo a 16 de Julho de 2009 às 17:21
Regressado ontem do norte da Noruega, onde, na Universidade de Tomson, com deslocações a várias ilhas ainda mais a Norte do Círculo Polar, participei em
mais um Seminário, com visitas a fábricas, sécas e museus vários, no âmbito da Celebração da Cultura Costeira, só hoje pude ver os textos acima, os quais, em abono da verdade, me sugerem umas pequenas correcções, tal como se segue:

Assim, onde se diz «desde há sete anos a esta parte»
deveria dizer: desde há seis anos a esta parte (uma simples questão de aritmética já que 2009-2003=6...).

Onde se diz: «contou com a participação de cerca de 80 tripulantes», deveriam acrescentar À MESA...já que
a bordo das embarcações,MUITO MENOS DE METADE!

Onde se diz: «mais de uma dúzia de Embarcações Tradicionais», apenas deveria dizer 9 Embarcações Tradicionais, já que nem a Baltazar, nem o barco salva-vidas a motor Rubumba, que veio dar apoio à catraia Sta Maria dos Anjos, de Esposende, podem ser consideradas tradicionais.
Mesmo contando com estes, seriam apenas 11 e não
mais de uma dúzia...
Portanto, continua a ser um problema de aritmética...
Ou pretensão de "lourar a pílula"...
A não ser que também estejam a contar os veleiros de plástico que foram "engajados" na Marina da Póvoa
para encher...

Quanto ao chamamento «da população ao encontro do seu rio», se calhar até chamaram mesmo, só que a população mais uma vez, não foi...
A população talvez vá quando acabarem com aquela
talvez mais de uma dúzia de nauseabundos Esgotos a Céu Aberto, e nos restituirem a magnífica frente ribeirinha de outras Eras. Antes da destruição de Pontes Centenárias como a da Doca e a de Gustav Eiffel, etc.

Mas como isto agora está entregue à sua "Pandilha",
Até há quem diga que isto agora é uma maravilha...

Albino Gomes




De cachinare a 16 de Julho de 2009 às 19:12
Caro Albino,

Já sabia eu que iria pôr os pontos nos "i"s a este único texto que encontrei sobre o Encontro. Tudo o que escreveu não me surpreende e até se "pressentia" pelas fotos do amigo José.
É melhor que nada, como diz o outro, mas realmente a falta de cultura marítima de quem tem as nozes... enfim.


De Anónimo a 22 de Março de 2010 às 16:10
Então refere-se a «colaboração do município» e a
«magnífica reabilitação da frente ribeirinha», e
ignora-se a prestimosa colaboração da Capitania do Porto de Vila do Conde?
Isto cheira a escritos de alguém, que outrora dizia o piorio desta Autarquia, e agora estando acomodado,
estará completamente mudado ...


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