Quarta-feira, 2 de Setembro de 2009
Caxinas 1977.

 

«A especificidade de um lugar é impressionante, quando se torna totalmente diferente daquilo que o rodeia, de certa forma passando a ser autónomo, tendo costumes diferentes e um modo de falar particular. As características do “lugar” Caxinas impressionam, por estar metido entre duas cidades. Parece que se ergueu a partir da areia, para sempre marcado por alguma precaridade e enorme vontade de sobreviver.

Quando em 1977, José Manuel Sá filmou as Caxinas, provavelmente não percebeu o tesouro que passaria a guardar, por ele próprio revelar um testemunho desta gente que raramente deixa rasto, a não ser o sangue que lhes corre nas veias. Estas, são imagens preciosas que após mais de 30 anos relembram-nos aquelas faces, as ruas, as suas casas e a praia com uma claridade que se julgaria impossível de reavivar.
Lugares como as Caxinas, normalmente não vêm a sua história narrada, e este filme, pequeno como é, dá a todas as gerações futuras a dignidade da memória, a dignidade daqueles que vivem da dura vida da pesca, aprendendo da pior forma o que a vida e a morte significam.
O que José Manuel Sá nos mostra, é cinema na sua forma mais valorosa, aquela na qual se ressuscita a magia de imagem após imagem, evitando o esquecimento, evitando a indiferença.»
 
in festival CURTAS, Vila do Conde 2009.
 
Sem dúvida este filme valerá imenso pela raridade do que mostra. Nunca tinha ouvido falar dele antes e tenho pena de não estar em Vila do Conde para saber mais ou ter tido oportunidade de o ver no festival. Mesmo nem sabendo qual a sua duração, seria excelente que estivesse divulgado e “disponível” ao público, especialmente aos caxineiros.
Obrigado ao José Manuel Sá pelo registo, que ao que sei não é o único. Existe pelo menos um outro filme do realizador Ricardo Costa, das Caxinas em 1978, intitulado “E do Mar Nasceu”. Ao que ele me informou, o filme encontra-se guardado nos arquivos da Cinemateca Portuguesa, e não tem sido fácil “arranjar uma cópia”.
Tantas relíquias nestes arquivos, à espera de ver a luz do dia.
 
imagens – Festival CURTAS, 2009


publicado por cachinare às 08:07
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