Sexta-feira, 9 de Outubro de 2009
À Pesca do Passado, em Roterdão - Holanda.

Este é o título de uma exposição que tem vindo a decorrer (quase a terminar) no Museu Marítimo de Roterdão, Holanda, entre 4.7.2009 – 11.10.2009, num trabalho de parceria com o Museu Marítimo de Ílhavo. Compõe-se de fotografias de Alan Villiers durante a sua campanha a bordo do bacalhoeiro português “Argus”, no início da década de 50,. De seguida, uma adaptação / tradução do texto de apresentação na página oficial do museu de Roterdão:

 
«Um bacalhau de dimensões colossais, um cozinheiro do navio com uma galinha por animal de estimação, ou uma foto de um frágil e pequeno bote que dança no gigantesco oceano. A partir de 4 de Julho, os visitantes da exposição no Museu Marítimo “À Pesca do Passado” poderão ver o trabalho do jornalista britânico-australiano e aventureiro Alan Villiers, numa série de atmosféricas e expressivas fotos da pesca portuguesa ao bacalhau, no ano de 1950, para que a revivamos.
Através da campanha de Alan Villiers no “Argus”, retivemos no tempo uma imagem da pesca portuguesa. Enquanto outros países mudavam para a pesca com arrastões, equipados com grandes redes, Portugal mantém-se até 1974 -(em parte)- com o método tradicional de pesca. Os pescadores portugueses várias vezes trabalhavam sob duras condições de tempo nas águas geladas da Terranova e Groenlândia. Apanhavam o bacalhau com isco e à linha a partir de pequenos botes, denominados “dóris”, que saiam do navio-mãe para a água.
Os portugueses na pesca do bacalhau dormiam em média 4 horas por dia. De manhã, saíam do navio-mãe “Argus” no seu dóri, desconhecendo os perigos que poderiam enfrentar nesse dia. Podiam perder-se no nevoeiro, ser surpreendidos por um temporal repentino, sofrer de enjoo-de-mar, ser arrastado por correntes fortes, ser abalroado por um navio em fraca visibilidade ou mesmo ser esmagado pelo próprio navio-mãe junto à amurada. Por vezes viam até baleias a emergir debaixo do dóri. Apesar de todos estes perigos, as precauções eram poucas. Bastando alguma reserva de água, o pescador do bacalhau entregava a sua vida nas mãos de Deus, dos elementos e do seu dóri.
Alan Villiers (1903-1982) era um marinheiro experiente, autor e jornalista com um forte interesse na vida marítima. Escreveu principalmente sobre os inícios do séc. XX, quando os grandes veleiros começavam a desaparecer rapidamente. As suas esperiências através de artigos e livros chegaram a leitores de todo o mundo. A sua experiência a bordo do lugre-motor “Argus” está descrita no livro “A Campanha do Argus”. Durante os anos 50 e 60 do século passado, fotos e relatos das suas aventuras no mar, são publicados na revista National Geographic.
As fotos presentes nesta exposição são a empréstimo temporário ao museu de Roterdão, por parte do Museu Marítimo de Ílhavo.»
 
in maritiemmuseum.nl
 
Uma presença de alta importância para a memória bacalhoeira portuguesa, num dos museus marítimos de referência em toda a Europa, e com um público que por natureza, sempre lidou e se mostrou empreendedor com o mar. Um público que certamente aprecia estas exposições.
Que belo artigo escreveria Alan Villiers, se soubesse que o também seu "Argus" está de novo em Portugal, para um futuro que esperemos, de sucesso e bem vivo.


publicado por cachinare às 08:15
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1 comentário:
De jaime pião a 9 de Outubro de 2009 às 21:51
Mais uma bela foto ,da pesca do bacalhau ,algumas saudades desses tempos ,mas também recordo as agruras da vida porque todos passamos sem distinção, e ao ver esta foto fico pregado bem conseguida esta foto reparem o Navio Argus ,os botes acostar para descarregar o bacalhau pescado e ainda este bote mais proximo com o pescador bem conseguido com o seu fato de oleado e sueste na cabeça e com suas mãos nos punhos do remo o que quer dizer que bem de longe ao remo e bem suado só que está uma pequena aragem e pouco mar por isso ele está a chegar ao Navio mãe ,para descarregar o seu bacalhau pescado !
cumprimentos do jaime pião !


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