Quarta-feira, 14 de Outubro de 2009
Portugal volta a pescar no Flemish Cap.

 

«A partir de Janeiro de 2010, a frota nacional de pesca longínqua poderá regressar após longo interregno a um dos destinos históricos da faina do bacalhau, onde terá a quota mais elevada entre os países comunitários.
A Organização de Pescas do Atlântico Noroeste (NAFO) levantou a moratória que estava em vigor para defesa dos recursos desde há 11 anos nos pesqueiros da divisão M3.
Conhecida vulgarmente como Flemish Cap, ao largo da Zona Económica Exclusiva (ZEE) do Canadá, o bacalhau entrou em colapso devido à conjugação de factores como sobrepesca, alterações climatéricas e aumento das populações de focas. As análises científicas mais recentes dão conta do aumento da biomassa desovante nos últimos anos, concluindo-se que o bacalhau atinge actualmente a maturidade em idade mais jovem.
Perante estes indicadores, 9 das 12 partes contratantes da NAFO (onde se inclui a União Europeia) votaram, no final de Setembro, favoravelmente a decisão histórica de reabrir a pesca directa ao bacalhau no Flemish Cap. A Noruega, país que acolheu a reunião, e os Estados Unidos da América votaram contra e a Islândia absteve-se. Ficou estabelecido um Total Admissível de Capturas (TAC) de 5.500 toneladas já repartidas entre as partes contratantes com os chamados direitos históricos de pesca.
Caberá a Portugal 34% da quota da União Europeia, de 1.077 toneladas, a distribuir, até ao final do ano, através de portaria, aos 13 navios fábrica nacionais, todos estabelecidos no Porto de Aveiro.
Ainda assim, António Cabral, Associação dos Armadores das Pescas Industriais ADAPI), a mais representativa do sector da pesca longínqua, não deixou “de lamentar a posição conservadora” assumida pela União Europeia (UE) ao não apoiar “o cenário do conselho científico que permitia um esforço superior”, que poderia chegar às 8.125 toneladas.
Atendendo “aos sacrifícios” feitos desde o final da década de 80, quando Portugal viu-se sem bacalhau para manter a frota de 60 navios, os armadores nacionais esperam, ainda, aumentar a quota atribuída pela NAFO. O que pode acontecer por integração de quotas nas mãos do Reino Unido (500 toneladas) e Alemanha (200 toneladas), países sem vocação de pesca do bacalhau.
Eurico Monteiro, director-geral das Pescas, que acompanhou as negociações na cidade de Bergen, releva a recuperação dos stocks. “São indicadores muito positivos, mas é necessário cautela para não colocar em causa todo o esforço feito”, referiu, lembrando tratar-se de uma espécie “altamente valorizada”.
Para se ter uma ideia da importância da quota agora atribuída no Flemish Cap, Portugal possui quotas na Noruega (2.605 toneladas) e no Svalbard (1.897 toneladas). Em relação a outras espécies relevantes para Portugal (palmeta, camarão 3L e cantarilho 3O), foram mantidas as possibilidades de pesca em vigor para este ano. Já as reduções decretadas pela NAFO de captura (raia e abrótea) não têm impacto na actividade da frota portuguesa.»
 
in Notícias de Aveiro.pt – 03-10-2009.
 
Tal como anteriormente referido num comentário de Albino Gomes, esta é a notícia difundida no passado dia 3, com decisão a 25 de Setembro. É sem dúvida uma boa notícia, no entanto a frota já não é “Branca”, não haverão muitas fotos, livros, artigos ou filmes sobre ela. Quem sabe, estarão imagens da “Branca” a decorar os aposentos do Capitão... .


publicado por cachinare às 08:42
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4 comentários:
De Celestino a 19 de Outubro de 2009 às 19:23
Agora só falta pescar de novo no Virgin Rocks, esse mar português onde só os dóris podiam pescar no planalto. Ainda lá voltaremos.
Um abraço,
Celestino


De jaime pião a 19 de Outubro de 2009 às 20:02
Boa noite amigo Celestino ,falando pescar no Virgin Rocks eu alinhava e dava qualquer coisa para pescar lá como noutros tempos ,mas por dois três meses no máximo !
Éra bom de ver e recordar a rapaziada a procurar o melhor Lejo e o melhor pescado pagava para passar um tempo por lá será que ainda éramos capazes de pescar ?
Um abraço do amigo Jaime aqui de Caxinas ...


De Anónimo a 20 de Outubro de 2009 às 10:55
A não ser para poder voltar aos tempos da sua juventude, deixando para trás todas as maleitas que ora o afectam, por toda uma sofrida vida de 80 anos,
quem por certo não gostaria de voltar ao Rocks, era o Sr. Manuel Agonia Marafona, a quem há dias tive a oportunidade de entrevistar, no âmbito da Celebração da Cultura Costeira.
Este homem, andou lá 7 dias perdido, dentro de um Dóri , com brisa, sem comida nem bebida, e como se isso não bastasse, pior ainda: envolto em névoa.

Cumprimentos,
Albino Gomes


De Paulo a 1 de Janeiro de 2013 às 12:54
Os antigos pescadores portugueses não tinham um nome em português para o Flemish Cap? Em francês do Canadá é Bonnet flamand.


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