Terça-feira, 27 de Outubro de 2009
St. John´s, Terra Nova - 1967.

1966 e 1967 foram dois anos especiais no que respeita às memórias da Frota Branca portuguesa. Em 1966, Hector Lemieux realizava o curto mas intenso filme sobre a pesca do bacalhau a bordo do lugre-motor “Santa Maria Manuela”, filme esse intitulado “O Navio Branco” e sob a tutela da National Film Board do Canadá. Foi um trabalho que dois anos mais tarde seria galardoado no Festival Internacional de Filmes sobre Povos e Países, em La Spezia, Itália.

Em 1967 seria a vez de George Sluizer realizar um documentário para a National Geographic Society, desta vez a bordo do lugre-motor “José Alberto”, trabalho esse exibido pela primeira vez na CBS em Abril do ano seguinte.
Para além dos documentos em filme, muitos outros ficaram guardados em fotografia “no estrangeiro”, como no exemplo da foto, também de 1967 no porto de St. John´s, Terra Nova. Dos 4 navios na imagem, o navio-motor em aço “Senhora da Vida” foi construído em 1957 pelos Estaleiros Navais de Viana do Castelo para a companhia Bacalhau de Portugal, Lda. Em 1973 passou a arrastão de nome “Zodíaco” e terminaria os seus dias em 1991 por abate. Quanto ao navio-motor “São Jacinto”, sobre o qual várias pessoas já têm escrito, construído também em 1957 na Gafanha da Nazaré por Manuel Maria Bolais Mónica & Filhos, teve um fim trágico 4 anos após esta foto, por explosão na casa das máquinas, relacionada com trabalhos de manutenção. Vários homens morreram no acidente e tive oportunidade de ouvir a história na 1ª pessoa de um pescador a bordo na altura.
Era num detalhe, assim, a Frota Branca dos portugueses.
 
Foto, direitos reservados – second cello.


publicado por cachinare às 08:57
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3 comentários:
De jaime pião a 27 de Outubro de 2009 às 23:02
Eis mais uma foto ,os navios bacalhoeiros em Santo Jonas já no fim da viagem de 67 !
Pois eu digo no fim de viagem porque os navios a vista estão cheios de limo e, o São Jacinto com muitos balões vermelhos a popa o que me faz pensar que não seria em 67 ,porque as redes para os navios só vieram em 69 ano que os navios encomendaram redes já no fim da viagem ,ainda pescamos uns 15 dias no rocks com redes mas como digo em 1969 !
Mas lembrar Santo Jonas nos anos 60 é recordar muitas coisas boas que não só más e, era uma das maravilhas dos bacalhoeiros ,porque se encontravam com familiares e amigos ,porque se recebia correspondência e porque se ia tomar um duche de agua doce depois de passados 5 meses de mar !!!
cumprimentos Jaime pião ...


De celestino a 30 de Outubro de 2009 às 22:45
Olá amigo Jaime Pião:
Confirmo o que diz. Apenas um reparo: pescamos cerca de quinze dias com redes nos dóris mas foi no mês de Julho. Tenho duas fotografias tiradas em St. John's na altura em que fomos meter e entralhar as redes. Depois voltamos a pescar com os anzóis.
Eu naveguei para os Rocos a bordo do S. Jacinto que me levou ao Santa Maria Manuela do qual era tripulante. Pouco depois de abandonar o navio deu-se a explosão e o S. Jacinto acabou tragicamente. Coisas da nossa história comum.
Um abraço Jaime aqui do
Celestino ( Ulisses )


De jaime pião a 31 de Outubro de 2009 às 11:01
Bom dia amigo Celestino e a todos que por aqui passem , pois deve ter razão deve se lembrar melhor do que eu ,sei que em 69 pescamos mal na Groenlândia e viemos em meados de Agosto salvo erro para Terra Nova ,o único Navio que andava as redes nessa altura era o Rainha Santa no Rocks ,e como estava a pescar bem , os botes de todos os Navios começaram a informar os Capitães que o Rainha Santa fazia boas escalas ,então os Capitães lá resolveram ir a terra buscar redes depois de as encomendar com certeza ,e foi entralhar a força ,e então la pescamos uns 15 dias ou mais, com redes através dos botes meia duzia de redes para três homens ,mais e menos isso ,e toca largar uns por sima dos outros no lejo manolejo era este o nome que lhe davam ,uma barafunda ninguem se entendia varios Navios a pescar ali juntos com redes por todos os lados ,eu não sei pescar assim disse ao Capitão quando cheguei a bordo logo no primeiro dia ,mas o Capitão respondeu-me que tinha que pescar ali no manolejo eu disse, não Senhor Capitão, eu vou procurar outro lejo onde esteja livre e safo ,ele me disse faz o que quizeres mas traz peixe para bordo e assim fez ,larguei as redes noutro lejo mais a norte ,éramos aí uns 20 pescadores com radio de falar para o Navio os primeiros 20 e então quando fomos alar as redes , estavam cada malha um quase não vinham para cima tive a baleeira a bordo duas vezes e um moço ajudar passamos a ser quatro num bote com outro bote amarrado ao lado para carregar ,foi um lanso espetacular arrepiava ver tanto bacalhau junto meia duzia de redes cheias de bacalhau ,foi de manhã até a noite a desmalhar bacalhau ,mas depois nem pude largar ao mar ,porque vieram os nossos botes todos informados pelo Capitão e largaram por cima por todo lado ,sei que a ultima rede foi alada aos palmos com redes por sima ,e o bom foi que ja não larguei ali ,foi procurar outro lejo,o bote tinha motorzinho hivinrude era esse o nome do motor mas era meu dois homens foram pra bordo e eu e um primo que levei de verde nesse ano fomos largar noutro lejo ,claro que o Capitão pelo radio começou a mandar vir comigo mas eu também não era daqueles que concordava a primeira por isso fui fazer, novamente bastante pesca, só para dizer que foram poucos dias de redes mas foi o que valeu para compor um pouco o porão do Navio !
Assim é o que me lembro desses dias de redes ,mas tinha que acabar porque ficou provado que as redes de imalhar eram nocivas e com tantos Navios ,os lejos ficavam logo escuados ,até porque nesses 15 dias de pesca lá ficaram centenas de redes nos lejos mortas no fundo ,por isso se vê a desgraça que se fez em tão pouco tempo !
Cumprimentos Jaime Pião ..


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