Segunda-feira, 23 de Novembro de 2009
“Mares Poveiros – Histórias Ideias e Estratégias dos Pescadores da Póvoa de Varzim”.

«Um dos pilares que sustentam Portugal como país marítimo, é o carácter e a mentalidade marítima do seu povo, consequência de uma relação íntima e secular com o mar.

Nos Mares Poveiros e no seu litoral, pescadores e conserveiros, seareiros e sargaceiros, construtores navais e comerciantes, formam uma comunidade que vive no mar ou do mar, e que vem contribuindo decididamente para moldar o carácter marítimo do nosso povo e para manter as suas mais nobres tradições.
O livro do Dr. Luís de Sousa Martins é o resultado de intenso trabalho de investigação e de uma notável experiência adquirida em muito prolongado e íntimo contacto com as nossas mais importantes comunidades piscatórias, com realce para os Poveiros.
Ultimamente, tem sido manifestada a necessidade de Portugal regressar ao mar, do qual tem estado arredado, e de assumir claramente o mar como vocação nacional. O livro que agora se publica, para além do seu valor humano e de proporcionar uma muito agradável leitura, tem ainda o grande mérito de evidenciar como, para nós, o mar é um imperativo nacional.
Tendo tido oportunidade de apreciar “Mares Poveiros”, a Academia de Marinha felicita vivamente o autor pela magnífica obra realizada.»
 
O Presidente da Academia de Marinha, António Emílio Sacchetti – Vice-Almirante.
 
Tive o prazer de ler esta obra alguns meses após ter sido publicada, obra que mostra o que significava e significa ser pescador na Póvoa de Varzim. Todo o livro vai sendo ilustrado por fotos de registos na Capitania de pescadores locais, muitas de finais do séc. XIX, quando passou a ser obrigatório tal registo. Aborda todo o universo da faina, desde as técnicas de pesca, aos diversos “mares” e peixe lá encontrado, naufrágios e perda de redes, tempos de prosperidade e de miséria causados pela falta de peixe ou pobre associativismo entre pescadores. Explica as dificuldades em progredir numa comunidade fechada, a hierarquia entre pescadores e famílias que por vezes impediu tal progresso.
Retrata a vida em função dos barcos e aparelhos de pesca, os conflitos com outras comunidades por “invasão dos seus mares”, a relação entre patrão, mestre e companha, a aura de grande conhecimento e competência marítima do pescador Poveiro. Sendo uma obra por vezes de assimilação complexa para quem não conhecer o tecido de uma comunidade piscatória e a vida do mar, é um excelente trabalho de análise a métodos e modos de vida do passado que ainda hoje em dia não são postos de parte totalmente, mesmo com as novas tecnologias ligadas à pesca.
Várias dúvidas e detalhes são esclarecidos pela família “Cavalheira”, com a qual o autor passou muito do tempo de preparação da obra, uma família que conheço bem de nome desde miúdo, entre muitas outras.
A foto na capa deste livro mostra um barco a ser puxado para o mar em finais do séc. XIX na Póvoa de Varzim e exemplifica bem a negra dureza da vida do mar.
 
Link para possível aquisição do livro: Na Linha do Horizonte.


publicado por cachinare às 08:09
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5 comentários:
De José Cunha a 23 de Novembro de 2009 às 09:40
António, esta foto ampliada, e emoldurada, embelezaria qualquer sala.

José Cunha.


De Nando A V Fernandes a 2 de Dezembro de 2009 às 19:09
Apesar da foto ser pobre a embarcao parece ter umas linhas elegantes.
Gostaria de saber como arma e que tipo de pesca se fazia com ela, quantos homens etc.
Para os que nao sabem, no arquivo do Museu de Marinha em Lisboa encontram-se centenas de desenhos de embarcacoes tradicionais portuguesas doados a esse mesmo museu pelo Sr. Monfroy de Seixas com copias disponives por meros 5 euros.
Possouio quatro desses desenhos e tenciono mandar construir pelo menos uma embarcacao tradicional da zona de Peniche.
Nando Fernandes


De cachinare a 2 de Dezembro de 2009 às 21:36
Caro Nando Fernandes,

O tipo de barco que a imagem mostra é da mesma família de barcos do Norte de Portugal, que pode ver neste blog à esquerda nas votações de Barcos Tradicionais, como a Lancha Grande da Póvoa de Varzim, a Catraia Sardinheira de Esposende ou a Catraia Fanequeira de Vila Chã. Eram barcos excelentes para velejar.
Gostaria que me dissesse mais sobre os planos que possúi de barcos de Peniche, pois tenho grande interesse neles, especialmente nas belíssimas motoras e traineiras que muito se inovaram e desenvolveram nos estaleiros de Peniche, ao longo do séc. XX.

Atentamente,
António Fangueiro - autor do blog


De Nando Fernandes a 3 de Dezembro de 2009 às 00:34
Caro António Fangueiro,

Ha um espolio fantástico de desenhos de embarcações típicas portuguesas no arquivo do Museu de Marinha graças a visão desse dito Senhor antes mencionado que na década vinte mandou desenhadores náuticos por Portugal fora para assim arquivarem para sempre o maior numere possível de embarcações existentes na altura.

Eu tenho uma copia do desenho de uma lancha de Peniche de cerca de cinco metros, O Que Deus Quiser" de nome, de 1926 com vela de bastardo quadrangular a avançar pela proa ( típico da zona), assim como um desenho de uma traineira a vela e acompanhante bote, e ainda o desenho de um modelo de uma Canoa da Picada muito semelhante a que se encontra exposta no mesmo museu.
Nando Fernandes


De cachinare a 3 de Dezembro de 2009 às 11:35
Caro Nando Fernandes,

Como terá percebido pelo meu comentário anterior, tenho um grande interesse no estudo das traineiras e na sua evolução desde que Peniche comprou as primeiras em Vigo, por inícios do séc. XX e depois se começaram a construír em vários estaleiros por todo o país. Um desses estaleiros foi o da minha terra, Vila do Conde, onde também se desenharam e construíram traineiras à vela nos anos 50 e das quais possúo desenhos.
Cometerei a grande ousadia de lhe perguntar se me disponibiliza os desenhos dessa traineira à vela de Peniche. Poderá contactar-me no meu email cachinare@sapo.pt
Sei bem que o Museu de Marinha possúi um enorme espólio, mas o facto de eu viver fora de Portugal (na Polónia), não me permite lá ir. Por email nunca me responderam às solicitações, pois também pretendia (e pretendo) desenhos de navios bacalhoeiros.

Atentamente,
António Fangueiro


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