Sexta-feira, 27 de Novembro de 2009
A preto e branco.

Familiar ainda a muita gente já de idade, estas mulheres despedem-se dos homens que partem para mais uma campanha de 6 meses ao bacalhau, na Terranova e Gronelândia. O navio-motor desce a foz do Tejo em direcção ao mar, após as tradicionais cerimónias da Benção da frota em Belém. Várias vezes leio que esta cerimónia era mais uma onda de propaganda e aproveitamento por parte do Estado Novo, com o qual não concordo de todo. Várias comunidades de pescadores sempre benzeram as suas frotas, mesmo por exemplo emigrantes portugueses nas costas da Nova Inglaterra, E.U.A., em Gloucester, New Bedford ou Provincetown. Essas comunidades não estavam sob a alçada do Estado Novo. Além disso, até numa cerimónia de um simples bota-abaixo de um barco novo, se procedia à benção do mesmo e obedecia-se a regras habituais. A religiosidade e superstição das gentes do mar nunca foi incutida ou forçada por ninguém. É apenas natural e óbvia para quem vai ao mar e não sabe se volta, algo que a maioria não entende.

A cegueira sobre o passado vai aumentando, bem como sobre uns poucos valores essenciais sem os quais perderemos o rumo. Um deles, o valor da saudade, é extraordinário no que nos ensina.
 
Foto – jornal MARÉ


publicado por cachinare às 08:12
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7 comentários:
De jaime pião a 27 de Novembro de 2009 às 14:50
Pois é ,a despedida dos navios bacalhoeiros , era sempre a seguir a cerimonia da missa campal em Belém , Lisboa .
Mas como diz o amigo António ,era habitual e os pescadores de então agradeciam ,isto a maioria ,porque havia sempre uma minoria ,e eu era um dos que não agradecia mesmo nada ,embora fosse como muitos crente ,mas já nessa altura ,tinha as minhas dúvidas e como tal ficava desconfiado com essa bênção dos navios e bacalhoeiros ,mas também se fazia aqui na paróquia de Caxinas missa campal em honra dos pescadores bacalhoeiros !
Mas de qualquer maneira calhou que uma vês fui convidado para estar presente numa dessas cerimónias e vi que foi uma autentica seca e passei mal ,porque depois viemos embora e foram duas noites sem dormir ,consequencias das estradas e camionetas da carreira que levavam 8 horas de viagem de Lisboa Vila do Conde , enfim desgastante ,e pior ainda que passados dois dias fomos chamados para ir para Lisboa outra vês para embarcar para a pesca !
Mas aqui está bem retratado nesta foto que a bênção aos bacalhoeiros ,eram mais os pescadores e mulheres do sul que se faziam representar ,em especial a maioria da Nazaré e alguns poucos cá do norte ,de resto nem agradecia que me convidasse , mas não era pela bênção em si ,mas porque passados dias tinha-mos que nos apresentar lá em Lisboa ,por isso há que aproveitar os poucos dias juntos da família e também porque nós o pessoal do norte trabalhava-mos aqui nas motoras e nos sardinheiros até mesmo a altura de ir para o bacalhau ,era a vida ,larga dum lado e pega no outro !!!
Meus cumprimentos Jaime Pião ...


De Anónimo a 28 de Novembro de 2009 às 12:36
Pena é que as pessoas ligadas à faina da Pesca do
Bacalhau, continuem a andar por aí a jogar as cartas e não leiam aquele fabuloso livro sobre o Comandante Henrique Tenreiro, da autoria do Dr. Alvaro Garrido,
digníssimo Director do Museu Marítimo de Ílhavo.
A verdade è que ainda hoje, como ontem, continue a haver demasiada gente interessada em que os pobres pescadores continuem nesta espécie de limbo,
com suecada atrás de suecada, quantas vezes de manhã à noite.
A religiosidade dos pescadores portugueses, nomeadamente os do Norte, é inquestionável.
Também inquestionável, é o aproveitamento do então chamado Estado Novo, na crença destes homens, e na incultura da maioria deles.
Nos anos cinquenta, pessoalmente, também vivi e apreciei estes acontecimentos.
Ainda há meses, entrevistei um desses homens, há mais de meio século ligado à actividade religiosa, que
confessando-se profundamente religioso, mas no entanto reconhecia haver forte aproveitamento político
dos governantes.
Aliás, tal como hoje em dia acontece, um tanto, ou até mais desavergonhadamente.
Ou acham que quando os políticos disponibilizam autocarros para quem quiser ir a Fátima de borla, e se preciso for, na semana seguinte irem, também à borla,
para um qualquer "forró" na Quinta da Malafaia, não é mais um aproveitamento político?
Pena é que neste país se continue descaradamente a
fomentar a cultura da incultura.
Para finalizar, talvez não seja descabido recordar aqui
uma citação na TV, do Almirante Américo Tomaz:
Com Papas e Bolos, se enganam os tolos...
Viva Jesus!

Albino Gomes


De jaime a 28 de Novembro de 2009 às 14:40
Boa tarde amigo Albino e todos que por aqui passem ,pois que estou em acordo total com o que escreves aqui e na minha opinião muito bem .
Pois que se continua a tratar das pessoas como de ignorantes e se aproveitam das mesmas para dar continuidade aos seus proveitos ,,mas então será que não vêem que as pessoas também entendem que estão a ser tratadas como ignorantes ?´
Inflizmente ,para nós Caxineiros notamos que há ainda pessoas que se deixam levar pelo logro de uns tantos que vão levando á agua ao seu moinho ,mas um dia esse povo compreende que está a ser enganado ,só espero que não seja tarde ,porque já chega de tanta ingenuidade espero que os jovens emendem esse erro já que nós os mais velhos muito pouco podemos fazer por estas Caxinas e não só que é de sobremaneira pendente de meia duzia de pessoas que fazem as coisas ao seu belo prazer !!!
cumprimentos Jaime pião


De caxineiro atento a 6 de Dezembro de 2009 às 12:12
Já poderiamos ter feito algo...mas mais umas eleições passaram e tudo ficou igual!


De Anónimo a 29 de Novembro de 2009 às 12:38
Pena, é que aí haja apenas um Jaime Pião!
Então, Caxinas seria uma verdadeira Nação.
Um abraço de solidariedade.

Al bino


De Rosa Piovezan a 6 de Janeiro de 2010 às 20:57
É Sr. Jaime, infelizmente o seu comentário não se deve única e exclusivamente ao povo de Caxinas e sim a de todo o povo o ser humano, como dizes bem por interesse de meia dúzia de pessoas eles levam vários outros que são cegos no conhecimento ou se fazem de cegos para se conduzir de benefícios próprios com serviços de escravidão que há muito tempo se dizem libertos. Usam sempre da ignorância ou desconhecimento de muitos para "manipularem" e obterem seus lucros.
Abraços

Rosa Piovezan
Brasil


De jaime pião a 8 de Janeiro de 2010 às 14:23
Nunca julguei que este blogs chegasse tão longe ,por isso um obrigado ao comentário de Rosa Piovezan sinal que alguém nos lê e entende a nossa luta de Caxinas a Freguesia ou Vila mais concretamente !
António mais uma vês parabéns pelo fantástico blogs que todos os dias traz algo com que se possa recriar mas no sentido responsável e muito sério Bem-Haja ao Blogs ...
cumprimentos a todos jaime pião ...


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