Sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009
Barcas no rio Ave.

Recentemente, e mais uma vez, o blog Carioca da Vila desvendava mais um tipo de embarcação que navegou nas águas do rio Ave, em Vila do Conde, e da qual acredito hoje poucos terão conhecimento (tal como tantas outras embarcações já esquecidas e relembradas no mesmo blog). Fotos, postais antigos e comentadores dentro do assunto ajudam a perceber o porquê de tais embarcações no rio, e neste caso tratam-se de “barcas”.

Em imagens antigas do rio Douro até às decadas de 60, 70 do séc. XX, várias vezes muitas destas barcas aparecem a povoar ambas as margens do rio, em trabalho diário e constante a carregar e a descarregar navios que chegavam e partiam do Porto / Gaia.
Aqui transcrevo os comentários in Carioca da Vila, que ajudam a conhecer um pouco mais destas embarcações e o seu papel no rio Ave:
 
 
 
«Segundo consta em alfarrábios da época, estas embarcações destinavam-se ao transporte de pedra e outros materiais, quando das obras da Barra, realizadas nos primórdios do século passado. Tal como a freguesia de Vairão, também algumas outras ofereceram as madeiras para a sua construção. Daí os nomes das respectivas freguesias nas embarcações. Se a memória não me falha, os construtores destes barcos, julgo terem sido o Jeremias Martins Novais e o Manuel Nogueira.»
 
«Quanto ao “Vairão”, tal como ESTAVA registado na Capitania de Vila do Conde, trata-se de uma "barca", tal como as do Porto (quem não conhece o desastre da ponte das barcas?), com as seguintes dimensões:
comprimento: 9,8 metros
boca:...............3,2...."
pontal:............1,2...." .
Nos anos de 1929/30, além desta barca, o Estaleiro de Manuel Agonia Nogueira construiu a “Macieira”, “Gião”, “Bagunte” e “Gabriel Teixeira”, com medidas que iam até aos 17,5 metros. Também para a Junta Autónoma das Obras do Porto e Barra de Vila do Conde, os Estaleiros Navais de Jeremias Martins Novais, com o mesmo fim, construiu a barca “Concelho de Vila do Conde” e um escaler com motor de 4 cilindros.»
 
a) Cereja / Albino Gomes
 
 
Nestas 2.ª e 3.ª imagens, no rio Douro, é possível vislumbrar realmente as grandes dimensões que atingiam, a sua robusta construção e os vários fiéis de amarração a lembrar os das fragatas e varinos do rio Tejo.
Dos “burros de carga” não reza a história, e estas barcas carregavam de tudo. Não há a meu conhecimento, nenhuma informação sobre elas a navegar nos mares da net, detalhes de construção ou especificações sobre os seus usos e manobra. Não lhes vi alguma vez velas ou remos, apenas homens com varas, o que num rio de por vezes correntes fortes como o Douro, seria duríssimo trabalho para as manobrar carregadas.
O rio Douro teve durante séculos um tráfego enorme, mas hoje e tristemente, só alguns rabelos o relembram, como se o Porto / Gaia fossem só vinho. Provavelmente, ter também um par destas barcas no rio como parte desse passado é algo de impensável para quem dirige a Cultura. Supostamente não têm nada de formoso e atractivo para o turista... mas aí está o maior erro, pois ver só uns rabelos de exposição É sim, uma pobreza.
 
foto 1 – blog Carioca da Vila


publicado por cachinare às 08:09
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2 comentários:
De barcoantigo a 4 de Dezembro de 2009 às 21:21
Meu amigo, ainda existe uma barca no rio Douro, recuperada pelo estaleiro Socrenaval Lda, da qual tenho algumas fotos.
A tipologia é igual à da foto e serviam entre muitas coisas para fazer a descarga dos navios para o cais.
Abraço


De Anónimo a 5 de Dezembro de 2009 às 12:10
Ontem mesmo, estive na Casa do Infante, na cidade do Porto, onde está patente uma magnífica Exposição de antigas gravuras, cujo tema é idêntico ao desta também magnífica foto.
A quem gostar, aconselha-se demorada visita.
Eu, vou repetir...

Albino Gomes


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