Sexta-feira, 15 de Janeiro de 2010
St. John´s, Terra Nova - 1967.

A pesca ao bacalhau à linha foi o método primordial utilizado desde há inúmeros séculos, fosse no Mar do Norte, fosse mais tarde na Terra Nova, no entanto essa mesma pesca desenvolvia-se com os pescadores posicionados junto às amuradas dos navios, de onde lançavam as linhas. Por volta do séc. XVIII aparece um novo método, no qual pequenos botes saíam do navio com um par de homens cada e os mesmos lançavam o seu aparelho de pesca onde melhor entendessem. Há quem diga que os portugueses “inventaram” o uso desses botes, os dóris, há quem afirme que foram os norte-americanos, enfim, a discussão do costume. Há pescadores portugueses que tratam os dóris por “douros”, associando-os aos barcos fluviais do rio Douro, de método de construção semelhante, possível origem deste hoje afamado bote. Mas barcos deste tipo, de fundo chato e igual construção, são usados milenarmente em vários rios da Europa e como tal, a discussão seria mais alongada. Certo é que o dóri é um barco de rio, adaptado à pesca do bacalhau.

A verdade é também que a tão famosa Frota Branca não seria a mesma e tão admirada, se os portugueses tivessem apostado fortemente nas artes das redes ou arrasto, como todos os outros países o fizeram desde os anos 30. Frota Branca é em grande parte sinónimo de enxames de “barquinhos” de velas coloridas, com um solitário pescador a enfrentar o mar aberto, num misto de bravura e obrigação, em duro labor. Polvilhavam todos os anos as águas do Atlântico Norte e todo o seu universo de campanha era diferente dos navios de outras artes. Diminuindo o seu número com o passar dos anos, só em 1974 acabaram esta arte de pesca.
Esta bem vermelha vela entroniza essa arte única da pesca à linha com dóris, e o papel fundamental desses “barquinhos” na memória que fica daqueles tempos, dezenas deles em cada navio, e no qual cada pescador traçava a sua rota.
 
Foto, direitos reservados – second cello.


publicado por cachinare às 08:11
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2 comentários:
De jaime pião a 15 de Janeiro de 2010 às 13:33
Já vi este filme varias vezes ,esta foto diz muito e nem de propósito ela chegou .
Aqui representa os Navios Bacalhoeiros já em fim de viagem ,atracados com certeza em Santo Jonas Terra Nova e que ainda se esperava por pescar mais uns dias nos rocks como eram conhecidos esses pesqueiros ,mas sempre de fugida ,isto porque já os ciclones não davam trégua nessa altura ,por isso se percebe as velas dos botes a arejar e se percebe que estão sujas com o bolor e humidade de estarem enroladas molhadas , já no fim de viagem a maioria das velas dos botes ,estavam rasgadas e remendadas o que era sinonimo de fim de viagem ,havia sempre os mais cuidadosos que ainda aproveitavam as velas para o ano seguinte .
Aposto em como este navio é o Avis o lugre motor que dei as ultimas três viagens nele e ainda hoje sonho nesse belo lugre com 58 pescadores e mais uns quantos moços de convés com 3 na cozinha mais três na casa das maquinas e dois oficiais capitão e imediato era a campanha do lugre motor Avis ,obrigado amigo António por esta foto que nos vai lembrando os nossos homens dos gelos e nevoeiros dos temporais meu Deus como se passavam seis meses mais e menos em cada viagem de bacalhau ,e lembrar que houveram homens que deram 40 viagens de bacalhau ,Bem Hajam aos bravos bacalhoeiros , nunca é tarde para uma Homenagem sincera aos nossos bacalhoeiros mesmo que humilde e singela ,já que Vila do Conde e Povoa de Varzim muito contribuíram para o progresso do País nessa altura mas dos fracos não reza a história !!!
cumprimentos jaimepião


De jaime pião a 15 de Janeiro de 2010 às 14:07
Perdão vendo bem a foto acho que não é o Avis ,mas sim o Gazela gazelinha como nós dizia-mos ,mas mesmo assim certo será que está atracado em Santo Jonas e também que é fim de viagem ,por isso no que diz respeito ao dory concordo com o António que foi adapatado para pesca do bacalhau por ter mais condições de acondicionamento no encaixe uns nos outros e não só ,mas também para carregar mais bacalhau ,esses os primeiros sinais de comparação .jaime pião


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