Segunda-feira, 28 de Janeiro de 2008
"Sherman Zwicker".
O “Sherman Zwicker” é uma escuna de 43 metros em madeira, construída em 1942 em Lunenburg, Nova Escócia, nos estaleiros Smith & Ruhland. Esta foi uma embarcação de transição, uma das primeiras e últimas do seu tempo, desenhada com o casco similar ao do “Bluenose”, mas com um potente motor a diesel.
O “Sherman Zwicker” laborou nas ricas águas dos Grandes Bancos até 1968, partindo dos portos de Lunenburg e Glovertown na Terra Nova. Começando em Março, a embarcação fazia três campanhas todos os anos aos Bancos cada uma por um periodo de três meses para pescar bacalhau com dóris. A primeira, conhecida como a da “isca gelada” começava nos princípios de Março e ia até Maio. A segunda, corria desde Maio até Junho e a última ia até meados de Setembro. Após a “campanha de Verão”, em Setembro o navio navegava até à América do Sul com uma carga de peixe salgado e regressava com o porão carregado de sal.
O processo de apanhar peixe a bordo de uma escuna de dóris era uma experiência de trabalho intensivo. A tripulação acordava antes do nascer do Sol para preparar os dóris e iscar os baldes de linhas de trol. Um balde (de madeira) de trol continha uma linha de milha e meia com anzóis atados a cada braça e meia em pedaços de linha de cerca de um metro. Os doze dóris eram lançados à água e a companha largava o seu trol de cerca de 800 anzóis nos sítios de pesca, juntamente com as âncoras e um pequeno barril flutuante na ponta de cada uma para apanhar o elusivo bacalhau.
O trol era depois alado à mão, iscado e largado de novo umas três ou quatro vezes durante o dia (antes e após o pequeno-almoço, depois do almoço e antes do jantar). Ao fim do dia os dóris remavam ou velejavam de regresso ao “Zwicker” onde o peixe era garfado para bordo e de seguida se içava cada dóri com os seus dois homens dentro para o convés (dóris de cor marrom do lado de bombordo e os de amarelo a estibordo).
Durante os temporais ou fraca visibilidade, o sino do navio e buzinas de nevoeiro era usados para guiar os pescadores de volta ao “Zwicker”. O perigo de perder um homem era constante com mau tempo. A última obrigação do dia era arranjar os milhares de peixes e salgá-los no porão do peixe. Havia dias em que este trabalho ia até à meia-noite e esta faina continuava até o porão estar cheio e o Capitão decidir rumar para casa.
Em 1969, George McEvoy adquiriu o “Sherman Zwicker” e trouxe-o para o Maine, restaurando-o na qualidade de museu após o ter salvo de uma morte certa em Glovertown. Passa então a envergar bandeira Americana.
Hoje o “Sherman Zwicker” é um museu ambulante 100% operacional que navega nas águas do Atlântico do noroeste dos E.U.A. e Canadá, indo a portos como os de Lunenburg e Halifax na Nova Escócia, vários portos ao longo da costa Sul da Terra Nova e portos Americanos como os de Boston e Nova Iorque. Quando não se encontra numa das suas viagens de 3 semanas ou a participar em eventos marítimos no noroeste, fica atracado no Museu Marítimo do Maine em Bath. Aqui, proporciona aos visitantes uma excitante e autêntica visão do seu passado marítimo e do futuro incerto a ele associado. Além disso, tem o papel histórico de ensinar os estudantes das escolas locais.
Tudo isto é conseguido com o imenso apoio de voluntários que levam o navio para o mar em visita ou a participar em diversos eventos e a encorajar o gosto pela tradição marítima nas populações. Cada voluntário faz vigias, trabalha na galé, assiste na cabine do motor e saúda os visitantes no porto.
O “Sherman Zwicker” está sob a tutela do Grand Banks Schooner Museum Trust.
 
Texto baseado no original de “http://www.schoonermuseum.org/”, base também das fotos. Inclúi mais informação e fotos.
 
Mais um exemplo, nunca é demais repetir, do que que se pode alcançar ao nível do gosto pelo mar.
A relação de Portugal com o bacalhau e com as mesmas águas ondes estas escunas Canadianas-Americanas pescaram é por demais evidente e antiga para que se fique pelos (bons) livros ou por imensas e belas fotos. Faltam os protagonistas, que são os barcos e os pescadores, em contacto com a população, especialmente os mais novos. Os últimos pescadores Portugueses de dóris e linhas com anzóis andam já na casa dos 60 anos e não vão durar para sempre. Na minha opinião, a melhor maneira de os imortalizar é entre outras coisas “imitando-os” em réplicas dos navios em que andavam durante 6 meses cada ano. Sendo o Creoula pertença da Marinha, a experiência de mar que oferece a civis é de louvar. O Santa Maria Manuela estará por certo muito mais ligado às populações (espero), mas estes navios são de grande porte, mais difíceis de manobrar financeiramente. Construíram-se muitos lugres e escunas em Portugal de menor porte, em madeira, ao longo de toda a costa. Nenhum sobreviveu, muitos deles por incúria do homem, mas é sempre possível reconstruir. Basta muita vontade, dinheiro e acima de tudo saber o que fazer com ele.


publicado por cachinare às 20:05
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