Quarta-feira, 16 de Junho de 2010
A Jangada.

 

«Muitas vezes é difícil compreender a relação de amor e lealdade do jangadeiro para com o mar – vida dura, cheia de desafios e perigos. Mesmo assim, dificilmente o jangadeiro troca sua profissão por outra. Sempre dependendo do “amigo” vento que leva ao mar e traz de volta à terra sua jangada, é também ele, o vento, maior temor dos jangadeiros: - “Uma vez, nós estávamos no pesqueiro quando começou a soprar um vento muito forte, tanto que estourou a vela. Aí começamos a remar com força em direção à terra para não sermos arrastados para o alto mar. Mesmo assim, o vento nos arrastou e fomos parar em Itacarezinho, enquanto outros colegas terminaram perdendo suas jangadas”. Segundo outro jangadeiro, o Sr. Batista, o medo do vento quebrar a vela ou virar a jangada em alto mar sempre é assustador. Em condições de vento forte o mar fica muito agitado e estando longe da costa, sem conseguir desvirar a jangada, a tragédia pode ser bem maior.

Além dos sustos com os ventos fortes, existem outros. Nem parece realidade, mas nos meses de Julho e Agosto as baleias começam a chegar na região, e causam muita apreensão entre os jangadeiros. – “Às vezes elas passam muito perto da gente, dando pulos fora d’água, acompanhadas pelo filhote. Estes animais ficam brincando e como são grandes demais, às vezes é perigosos para a gente. Quando vemos que as baleias estão vindo em nossa direção temos que levantar a âncora e rapidamente dar o fora da sua rota, porque ela não desvia nem um pouquinho da gente.”

A jornada do jangadeiro começa bem antes do sol nascer. Ainda no escuro saem de suas casas em direção ao mar para preparar a tralha e a jangada, pois precisam sair com o vento terral que sopra continente para o mar, empurrando as jangadas mar a dentro até atingir os pesqueiros. Após passarem muitas horas no mar os jangadeiros retornam à tarde pelo vento que sopra do mar para o continente.»

 

texto em - Costa do Cacau



publicado por cachinare às 17:53
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1 comentário:
De Anónimo a 22 de Junho de 2010 às 11:31
"(...) a jangada não é minha, por isso tenho que repartir o peixe que apanho com o intermediário, que é o dono da embarcação(...) vendemos o peixe ao intermediário pelo preço que lhe convier (...) o mestre recebe uma parte muito maior do que o resto dos pescadores (...) sou pescador mas não quero que os meus filhos andem ao mar (...)"
A única garantia daqueles homens (de trabalho) é o quinhão de peixe para comer (quando há bom tempo).
É triste poder ver a nossa realidade actual espelhada na de outros povos e culturas, quase nómadas. Mas ainda pior é ver quem não trabalha (nem quer trabalhar) ser subsidiado e usufruir do trabalho dos outros.
Por outro lado, e mudando de assunto, em Porto de Galinhas, conseguiram transformar as jangadas em embarcações recreativas, que são cartões de visita para os turistas de todo o mundo.
Obrigado pela partilha!

Rui Maciel


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