Segunda-feira, 12 de Julho de 2010
Pesca ao bacalhau no séc. XVIII.
Nestas duas gravuras do séc. XVIII, pode-se ver parte de como se processava a pesca ao bacalhau num navio Francês. Durante a pesca nos Grandes Bancos, os pescadores colocavam-se dentro de barris até meio corpo, os quais estavam pregados ao convés do navio (gravura 2), de modo a manterem o balanço e a protegerem-se do frio e humidade. A pesca em si era efectuada do seguinte modo: usando um longo avental de couro, lançavam as suas linhas à água, linhas estas que tinham na ponta um peso de chumbo de cerca de 2,3 quilos com um ou dois anzóis iscados. Quando sentiam a mordida do bacalhau, alavam-no para bordo, cortavam-lhe a língua e punham-na de lado. As línguas eram mais tarde contadas para determinar a apanha de cada pescador.
Pode-se ver na figura 2 da esquerda para a direita, o descabeçador que tirava a cabeça e as entranhas do peixe e o escalador que o abria e lhe retirava a espinha principal. O descabeçador e o escalador trabalhavam numa mesma mesa em posições opostas. Um aprendiz trazia o bacalhau ao descabeçador que depois de tirar a cabeça e o limpar, entregavao fígado a outro moço que o depositava num barril. O escalador abria-o e depois de retirar a espinha, lançava-o para o porão onde os salgadores o acomodavam entre duas camadas de sal.
Noutro detalhe da gravura 1 pode-se ver que cada pescador estava protegido por uma armação em madeira, contra a rudeza do clima.
 
Gravuras de Traité général des pesches, by Duhamel du Monceau, 1772 (National Library of Canada)

tags:

publicado por cachinare às 08:17
link do post | comentar | favorito

1 comentário:
De Anónimo a 13 de Julho de 2010 às 16:15
Estas duas belas gravuras, mais a publicada no dia
7 de Julho, fazem parte de um magnífico conjunto
que vi, há uma boa meia dúzia de anos, numa excelente Exposição realizada no Museu da Póvoa, sobre a Pesca do Bacalhau, e ali permaneceu cerca de dois a três anos.
Pena não haver quem, a propósito de qualquer evento marítimo, ou outro que tal, se disponha a fazer uns
colóquios a partir destas magníficas peças.
E nós, que por cá temos tantas instituições, como
Pelouros de Cultura, Associações e até outras
invenções...
Mas, como vai continuando a haver falta de miolos,
persiste-se naquela velha máxima que nos diz:

Com papas e bolos,
se enganam os tolos...

Albino Gomes


Comentar post

mais sobre mim
subscrever feeds
últ. comentários
Outros tempos ,diria mesmo meus tempos de rapaz ,o...
Pois ,nesse estado bem bebido até a sua sombra ele...
Ver está foto, salta-me muitas saudades de ouvir m...
Pescador da Nazaré ,homem do antigamente ,com traj...
Uma das formidáveis pinturas de Almada Negreiros, ...
sou de Nazare gostava de saber o meu estorial de 1...
....................COMEMORAÇÕES DO DIA DA MARINHA...
Esta réplica do Vila do Conde, participou em vário...
Pois é exactamente tal como acima se diz.Depois de...
Boa tarde , com respeito a foto aqui presente eu j...

culturmar

tags

a nova fanequeira de vila chã

ala-arriba

alan villiers

apresentação

aquele portugal

argus

arte marítima

bacalhoeiros canadianos-americanos

bacalhoeiros estrangeiros

bacalhoeiros portugueses

barcos tradicionais

caxinas

cultura costeira

diversos

fotos soltas

galiza

jornal mare - matosinhos

memórias

modelismo naval

multimédia

museus do mar

pesca portuguesa

póvoa de varzim

relatos da lancha poveira "fé em deus"

santa maria manuela

veleiros

vila do conde

todas as tags

Vídeos
links
arquivos