Sexta-feira, 16 de Julho de 2010
Lançamento do livro "Histórias do meu tempo".

 

«JAMAIS pensei, alguma vez, ser condenado a confessar publicamente os pecados de, com a conivência de outros pecadores, ter publicado em alguns periódicos locais umas larachas a que Zé Azevedo baptizara de “Histórias do Meu Tempo” e o Dr. Manuel Costa lhes dera guarida na Biblioteca Municipal Rocha Peixoto. E assim sendo, sem direito a recurso, eu me ajoelho, declarando:
Sou José dos Santos Marques, nascido num casebre da Rua de Traz-os-Quintais desta Póvoa de Varzim a 19 de Março de 1914. A previsão apontava para dois meses depois, mas o esforço de minha mãe ao arrumar a sua máquina de costura dera lugar ao acidente. E, segundo ela contava aos serões, eu nascera magrinho e quase sem alento e por tal, entre duas “mamadas”, era-me dada uma colherinha de vinho fino, que hoje se chama do Porto. Vá lá, que não me habituei…
Por volta dos 6 anos entrei para uma mestra a fim de aprender o catecismo e as primeiras letras; aos 8 anos passei para a Escola Pereira Azurar, pertinho de casa; passado um ano passei para a Escola dos Sininhos e dali, por mais 2 anos, para a Escola Camões, no extremo norte da Avenida dos Banhos. Que grande pulo…
Aos 12 anos, portanto em 1926, comecei a trabalhar como tipógrafo para a obtenção da formatura em letras de chumbo. Da tipografia Poveira saltei para a de Santos Graça & Frasco onde eram impressos os semanários “O Progresso” e “O Comércio da Póvoa”. Aqui comecei por apreciar os escritos dos seus colaboradores e fiquei com o vício.
Nos anos de 1936/37 servi o Exército no quartel do Batalhão de Caçadores 5, em Lisboa, decorria a guerra em Espanha.
Em Dezembro de 1948, já com família constituída, rumei para Moçambique, com destino a Quelimane. Quando lá chegado o lugar que me fora destinado estava já preenchido porque esperei oito meses para o embarque. Porém, o amigo Manuel Lopes Ferreira (Quintandura) conseguiu encaixar-me em um escritório, dado que eu possuía o curso comercial tirado às noites na Escola Comercial e Industrial Rocha Peixoto, concluído em 1943, ficando assim pela teoria, sem qualquer prática. Consegui-a com a ajuda de um técnico, já idoso, de nome José Maria Alcoforado, revolucionário de Monsanto para repor a monarquia. Foi o período mais difícil porque trabalhava de dia e de noite.
Conseguida a carteira profissional de guarda-livros e dentro mais ou menos do mesmo regime de trabalho, consegui a gerência de duas empresas. Com a independência de Moçambique passei a funcionário na empresa estatal – EMOPESCA – na Beira, até 1981, ano em que regressei à Póvoa de Varzim.
Por tão longa confissão, espero o vosso perdão.»

 

De José dos Santos Marques (Joteme). Autobiografia

Apresentarão o autor, a Dra. Sandra Brandão e o Sr. Fernando Linhares de Castro.


Dia 17 de Julho, Sábado, 17h00

Na Biblioteca Diana Bar – Póvoa de Varzim

 

via Biblioteca Municipal da Póvoa de Varzim.



publicado por cachinare às 09:01
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1 comentário:
De Anónimo a 20 de Julho de 2010 às 12:57
Por quanto nos foi dado observar por ocasião do lançamento efectuado no Diana Bar, este livro, feito por um nonagenário poveiro, ex tipógrafo, que tal como nós trabalhava de dia e estudava de noite,
recomenda-se.
Sobretudo aos interessados na vivência e carências
da gente humilde da nossa beira mar.
Esta edição faz parte de uma série que de há anos a esta parte, em boa hora, a Câmara da Póvoa resolveu
editar, e tão bons frutos nos está a dar.
Pena é que as gentes e a Câmara de Vila do Conde
não façam o mesmo.
Talvez tenham outras coisas com que se preocupar.
E muitas das nossas memórias irão a enterrar...
Há anos que nós para isto vimos alertando.
Eles, absortos, felizes e contentes vão ignorando...

Albino Gomes


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