Quarta-feira, 20 de Outubro de 2010
"... uma medalha, que a soubeste ganhar!".

 

"Andava no alto mar, um velhinho pescador,
Sentiu o trol pegar, sem outro poder comprar,
Chorava metia horror. Pediu socorro porém,
Outros botes ali chegaram, reparam viram bem,
Para que saibam também, o trol ao velho salvaram.
O velhinho pescador, fez uma prece a Jesus,
O trol ele safou, e sem querer reparou,
Que nele havia uma cruz... . Isto é para quem trabalha,
Ó para quem sabe trabalhar, teu corpo é uma batalha,
Isto é uma medalha, que a soubeste ganhar!"

Este pedacinho de poesia está "escondido" num dos artigos abaixo sob a forma de comentário. Lá foi colocado pelo amigo Jaime Pontes Pião, das Caxinas, que muito por aqui comenta.
Não pode de modo algum ficar "escondido" e aqui fica ele, ilustrado por mais uma bela foto que encontrei recentemente nos mares da internet. A imagem mostra-nos um pescador bacalhoeiro português, do navio motor "São Jacinto" na campanha de 1962. Parece estar já a alar o seu trol

Pergunto pois a estes antigos pescadores o que se cantava a bordo dos navios nas campanhas do bacalhau, as letras, as ladaínhas e porque não o registam escrito ou gravado. O também habitual comentador Albino também há dias o referiu. Quando a pesca longínqua ou costeira era feita ainda por grandes tripulações e se baseava no trabalho braçal (por exemplo os sardinheiros), era comum cantar-se a bordo. O advento da maquinaria, também aqui traria os seus efeitos nefastos.

Aqui lhes deixo o desafio.

imagem - LIFE magazine 21-12-1962 - direitos reservados.



publicado por cachinare às 08:06
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2 comentários:
De jaime pião a 20 de Outubro de 2010 às 10:42
Claro que este pescador não estava alando trol ,mas sim zagaiando como se dizia em giria na altura ,pescando a zagaia ,e com certeza com o trol dentro de água ou largo ao mar ,entretanto sempre que isso acontecia ,normalmente se cantava algo ,lembrava muito a familia e então era mais o fado ,as vezes letras feitas na altura ou copiadas com fados mais e menos conhecidos na altura com letra feita pelos pescadores ,assim se passavam horas dentro dum bote que hoje penso como era possivel os pescadores portugueses pescarem num bote tão pequeno e as vezes debaixo de tudo quanto era vento ,nevoeiro ,e mar alteroso ,enfim eram tempos que alguém não deixa apagar ,por isso a minha gratidão como pescador bacalhoeiro por este e outros blogs existirem ,e um BEM-HAJA ao Museu de Ílhavo .cumprimentos Jaime Pião


De Anónimo a 20 de Outubro de 2010 às 16:32
À zagaia ou ao «pinglin»,
A vida do pescador era assim:

Enquanto o «trol» está na água a pescar, o pescador
trabalha para aquecer,...porque o frio era de morrer.

Albino Gomes

ps: repare-se ao fundo, a imagem enevoada do navio.
Provavelmente o S. Jacinto.


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