Segunda-feira, 11 de Fevereiro de 2008
A chegada do primeiro bacalhoeiro.
Sequência de três fotos de 1926, parte da base de dados da prof2000, que mostram a espera das gentes à chegada do primeiro lugre bacalhoeiro da Terra Nova à Barra de Aveiro. Eram momentos de enorme alegria, mas também de preocupação, pois muitos destes navios não possuíam meios de comunicação com Portugal durante os seis meses das campanhas de pesca e as famílias ansiavam pelo dia da chegada, sempre incerto e se estavam todos a salvamento. Quantas famílias acabavam à chegada do navio por ter a notícia do falecimento do seu ente querido ou que desapareceu no nevoeiro e nada mais se soube dele. Ainda mais aflitivo era ver que o lugre em que o pai, marido, tio, avô, irmão, cunhado ou primo partiram... nunca mais chegava. E de imediato se previa o pior.
Durante as campanhas de pesca, normalmente os navios sabiam dos que naufragavam e traziam a notícia consigo, mas por vezes por exemplo em viagem, também se naufragava e podia não haver ninguém por perto no momento. Só quando já em Portugal não se via a navio a chegar dia após dia, é que se punham as mãos à cabeça. Isto até aos anos 20, em que muitos navios não tinham rádio.
Li algures um caso em que toda a frota havia chegado, excepto um. Dia atrás de dia não aparecia e as famílias desesperavam. Passadas uma ou duas semanas, já com o luto e a dor assumida, o lugre é visto ao longe a dirigir-se para a costa. Razão do macabro “atraso”, foi a falta de vento a meio da viagem, pois o navio não possuía motor. Imagine-se pois a sensação de ver a família de luto à nossa espera em terra.
A epopeia da pesca longínqua do bacalhau é única em muitos aspectos, mas na sua base está a vivência com a dureza do mar, a morte e a saudade, para tantos homens e famílias ano após ano.
Quando os navios evoluem e passam a ter motores, rádios, vão deixando de usar velas, as coisas melhoram razoavelmente... mas o mar continua a mesmo e por vezes leva e levará a sua avante.


publicado por cachinare às 17:13
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1 comentário:
De jaimepontes a 20 de Fevereiro de 2009 às 00:01
Que tristeza ,a espera dum lugre bacalhoeiro,que com o passar dos dias e semanas não chegava ,e tudo por causa do vento que não chegava para esticar as escotas ,más no fundo éra melhor isso que coisas piores ,que infelismente aconteçiam ! Éra pescador do Aviz e lembro-me da minha segunda viagém ém 64 de partir-mos do Norte da Groenlandia no fim de Agosto para Portugal e correu também a viagém ,que os mais velhos disseram que nunca tinha aconteçido uma viagém tão boa sempre com ventos de Noroeste frescos até chegar-mos a barra do Porto «Douro» ém apenas 12 dias ,o que normalmente nos levaria de 15 a 18 dias de viagém ! Mesmo a tempo da fésta da Sra das Dores que diga-se muito ansiava-mos ! Mesmo assim eu pescador presto minhas homenagéns a esses grandes aventureiros e navegadores que com os seus veleiros faziam grandes viagéns e maravilhas nesses tempos difiçeis os homens de barba rija como eu penso que éram ,por isso eu recordo o meu avô Fangueiro com muito carinho ,pelas trinta e tais viagéns ao bacalhau e com os meus 4 ou 5 anos quando a minha avô dizia dia apos dia ,ide esperar o avô que deve estar a chegar ,então quando alguém gritava lá vém o teu Fangueiro com o foquim e a lata do oleo de figado do bacalhau nas mãos e nós os netos a correr pela rua de saibro fora ao encontro dele ,ele parava pousava o foquim e a lata e éra aquele abraço ,todos os netos ao mesmo tempo ,sim éramos muitos nétos más eu já nessa altura adorava o meu avô Fangueiro . Recordar é viver e nada melhor que ler estas lindas histórias que o amigo Fangueiro me proporçiona, por tudo isto muito obrigado ! Um abraço e saúdações maritimas de Jaime Pião...


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