Quarta-feira, 22 de Agosto de 2007
POR FAVOR... tragam-no de volta a nós.
Acabo de ler esta manhã no blog atlanticoazul pela escrita de Luis Miguel Correia, que o antigo lugre português ARGUS, o qual desde 1976 navega nas Caraíbas como navio de cruzeiros operado pela companhia WINDJAMMER BAREFOOT CRUISES, como o nome POLYNESIA II, está à venda.
Para quem não sabe, este é o mundialmente famoso lugre português onde em 1950 o Comandante Alan Villiers embarcou durante a campanha de pesca, a convite do embaixador de Portugal em Washington. Do embarque do famoso escritor australiano resultou a edição do livro (e recentemente DVD) “A Campanha do Argus” que imortalizou este navio e a “White Fleet” de Portugal e tornou mundialmente conhecidas as condições árduas em que decorria a pesca do bacalhau à linha. Segundo li, esta obra faz parte da “mesinha de cabeceira” de capitães de navios por todo o mundo, pois é uma narrativa impressionante e apaixonante sobre a relação do homem com o mar.
 
Confesso que fiquei e andarei um bocado tenso e apreensivo com esta notí-cia, pois a perspectiva de ver o grande Argus de volta ao nosso país envergando a bandeira portuguesa é quase inquietante. Digo inquietante porque seria um sonho tornado realidade para mim e muitos, muitos mais ver este navio de volta ao nosso país, mas a verdade é que sei da dificuldade de visão de muitas das gentes com dinheiro em Portugal, para não falar do Governo. Preocupa-me, porque foram necessários imensos anos para que uma instituição privada decidisse pegar no Santa Maria Manuela e trazê-lo de novo à vida no seu esplendor inicial e desta vez não há anos sequer. Há que entrar em acção rapidamente.
Se eu tivesse uns bons milhões, estaria já em acção, mas como não tenho e as perspectivas de ter estão “em águas de bacalhau”, cá fica o post, a ver se ajuda a acordar consciências Lusas. Para mim há certas coisas que são fulcrais e uma delas é a minha identidade como Português. Tenho tanto orgulho em sê-lo, tal como Caxineiro, que pesa toneladas, no bom sentido.
 
Resumindo, temos o Creoula a fazer maravilhas por Portugal, com milhares de pessoas deliciadas só de olhar para ele, além de que a sua história é por demais rica e representativa de uma época que eu por vezes já defino como Romântica Bacalhoeira. É por isso que o Creoula é muito mais que um navio. É a ponta do iceberg (da Gronelândia) no que respeita à Faina Maior. Através dele, há muita gente a investigar o que está por detrás e a “pasmar” com a dimensão deste passado. O Santa Maria Manuela seguir-lhe-à por certo as rotas de sucesso e esplendor e espero dentro de uns anos poder navegar nele, pois o meu avô fez nele 9 campanhas nos anos 50.
 
Dois dos Cisnes do Gelo estarão juntos de novo, para sempre esperemos... e seria o “tal sonho” ver o terceiro, o Argus junto deles, aparelhado na sua bela forma original e acabar com a imagem que tem hoje, na minha opinião de “palhaço” nas caraíbas, onde se brinca aos piratas dentro dele. Um atentado à sua história e imagem.
 
Termino com uma passagem do artigo de A.M. Gonçalves na Revista da Marinha:
 
“A terminar a história dos nossos bacalhoeiros que ainda hoje navegam, resta-nos apenas lembrar que os navios da classe Creoula – Creoula, Santa Maria Manuela e Argus –, constituíram a última evolução dos veleiros portugueses. (...) Os nossos votos vão, no sentido de que um dia os três navios-irmãos possam encontrar-se e voltar a navegar juntos...”
António Manuel Gonçalves
In Revista da Marinha nº384, Março 2005
 
Encontram a história detalhada do lugre ARGUS aqui.
 
“Glória Antiga... volta a Nós”


publicado por cachinare às 11:23
link do post | comentar | favorito

1 comentário:
De Marx a 24 de Agosto de 2007 às 20:43
Meu Caro, tudo isto faz parte de um passado glorioso para quem o viveu de perto. mas muito pouco importante para a maioria. Tal como agora, que a pesca portuguesa foi votada ao abandono nas instâncias da UE, o ruído preenche-se com outras coisas. Bolsas, acções e lucros da banca, que de tanto abarrotarem de massa, ficarão como os senhorios do País. À beira disto, que interesse tem comprar um navio ou uma frota que foi exemplo da capacidade de sacrifício de uma classe, os pescadores, que ainda serão os únicos que herdaram o espírito do Portugal quinhentista? As grandes fortunas, na pesca, fazem-se agora com a negociação e obtenção de licenças para pescar e posterior venda a outros. Se espanhois, se marroquinos, se esquimós, já será igual ao litro.


Comentar post

mais sobre mim
subscrever feeds
últ. comentários
Na verdade, tão belo quanto elucidativo este quadr...
Mas que beleza de foto ou pintura que retrata bem ...
Aproveitando a ocasião, sugiro a todos, pescadores...
Na verdade, tal como diz o Jaime Pontes, esta pose...
Claro que como demonstração tá tal e qual mas ,não...
Tal como se fosse um «filho pródigo», 7 meses depo...
é com orgulho e admiração que leio e recordo este ...
Esta bela foto retrata bem o que eram os tempos an...
Mais de um ano depois, volto aqui (ao blog), e li ...
é de facto interessante, mas .... o que caracteriz...

culturmar

tags

a nova fanequeira de vila chã

ala-arriba

alan villiers

apresentação

aquele portugal

argus

arte marítima

bacalhoeiros canadianos-americanos

bacalhoeiros estrangeiros

bacalhoeiros portugueses

barcos tradicionais

caxinas

cultura costeira

diversos

fotos soltas

galiza

jornal mare - matosinhos

memórias

modelismo naval

multimédia

museus do mar

pesca portuguesa

póvoa de varzim

relatos da lancha poveira "fé em deus"

santa maria manuela

veleiros

vila do conde

todas as tags

Vídeos
links
arquivos