Quinta-feira, 3 de Fevereiro de 2011
A catraia dos Fangueiros contra a catraia dos Farias... .

 

  

«O 3º Encontro de Embarcações Tradicionais organizado pelo Ecomuseu Municipal do Seixal (de 22-26 de Maio, 2009) reuniu na baía do Seixal 48 embarcações e 194 tripulantes: 32 embarcações tradicionais do estuário do Tejo (com 147 marinheiros), 4 barcos do Norte de Portugal (com 20 marinheiros) e 12 barcos da Galiza (com 27 marinheiros).

Neste Encontro participaram também 10 embarcações de apoio, com 36 tripulantes, além de 14 elementos da organização.
Embarcaram ainda e participaram nas várias actividades de navegação, a bordo das embarcações tradicionais das autarquias do estuário do Tejo – desfile, regata e passeios com navegação em frota – 377 pessoas. Nas actividades do 3º Encontro de Embarcações Tradicionais na Baía do Seixal contaram-se assim 621 participações no rio.
Complementarmente, realizaram-se, junto ao cais do Seixal, os ateliês Aprender a fazer… Nós de marinheiro e Pintura tradicional de barcos do Tejo, com 126 participantes, sendo estes maioritariamente crianças.
Ao longo dos cinco dias de actividades foi ressaltada a opinião de que o Encontro de Embarcações Tradicionais na Baía do Seixal já assumiu um importante lugar no calendário de iniciativas culturais no estuário do Tejo, contribuindo para a protecção e a valorização do património marítimo e fluvial, em particular das embarcações tradicionais, enquanto recursos de desenvolvimento, divulgando-os nos âmbitos nacional e internacional. Assim, foi reafirmado, pelos diversos parceiros e associações integrados na dinamização do Encontro, o propósito de contribuir para a sua continuidade e consolidação, quer quanto a embarcações e tripulantes no rio, quer quanto a participantes e diversidade de iniciativas em terra, particularmente de forma a envolver as comunidades locais.»
 
in EcoMuseu Municipal do Seixal – Organização.
 
As 3 fotos acima, são da autoria de Eduardo Goody, a quem devemos um belo e vasto álbum fotográfico deste evento, que na sua 3ª edição, já apresenta excelentes resultados a vários níveis.
Reparem como a catraia sardinheira de Esposende “Santa Maria dos Anjos” navega. É isto que quero voltar a ver a ser feito pelos caxineiros, poveiros, vileiros e demais comunidades que têm estes barcos no seu passado, desde Setúbal a Vila Praia de Âncora. Bolinam que é uma maravilha e o desenho de barco e vela içada no horizonte.... as fotos não precisam de palavras.
O dia virá em que vou ver... a catraia azul-branca dos Fangueiros, contra a catraia verde-rubro dos Cambolas, contra a catraia amarela-negro dos Maranhas, contra a catraia vermelha-branca dos Farias... em disputa, partida da barra da Póvoa, viragem na foz do Ave e meta no regresso à barra poveira. E à espera está a catraia dos Piões, vencedora da regata anterior, que aguarda com outras 2, o adversário restante para a grande Final, a 14 de Agosto. Aos fins de semana, pelo menos, é vê-las bolinar ao longo da costa em puro recreio, vira para a Vila, vira para a Póvoa... a varar no areal ao fim do dia, ou de regresso “à garagem” lá de casa até ao próximo fim-de-semana.
E depois... a meio do Verão, surgem de surpresa na foz de Vila do Conde os 2 batéis de Buarcos e os 3 de Matosinhos, para pernoitar e no dia seguinte, rumar à Póvoa para se juntar às 5 lanchas (2 delas grandes) e 1 batel (o 1.º da Póvoa, lançado à água há 2 meses), com rumo à Guarda, na Galiza.
Um dia... poderá será assim.
 
Eduardo Goody – álbum 3º Encontro Seixal, 2009.



publicado por cachinare às 08:54
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3 comentários:
De jaime pontes a 5 de Fevereiro de 2011 às 12:08
O que eu daria para ver os barquinhos dos meus tempos assim sair a barra de Caxinas para a sardinha com uma aragem de vento norte ,eram as dezenas com as velas ao vento ,eram belos tempos ,tudo ao natural sem outros meios que nao a sabedoria dos arrais na altura , pois que a vida era isso ,o remo e a vela ,adorei ver esta foto que me fez lembrar outros tempos da minha juventude !!!


De Anónimo a 6 de Fevereiro de 2011 às 11:44
Várias vezes naveguei nesta catraia, em águas de Portugal e da Galiza.
O homem do leme, cujo nome agora não me ocorre, e sei ser alfaiate de profissão, é um verdadeiro artista nesta «arte de navegar a todo o pano». Mesmo com a embarcação sem lastro, o que exige uma ainda maior perícia, e saber, daquilo que está a fazer...
Tal arte, dever-se-á ao facto de, segundo nos contou, desde miúdo ter feito escola nas águas do Tejo, em embarcações da extinta Brigada Naval.
Portanto, é sempre um enorme prazer,
ver velejar alguém, com quem tenhamos algo a aprender.

Albino Gomes


De Jose Reis Loureiro a 11 de Novembro de 2012 às 20:40
Caro Albino Gomes. Obrigado pelas suas amáveis palavras, embora que talvez um pouco exageradas!


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