Terça-feira, 3 de Maio de 2011
A nova fanequeira de Vila Chã - Dia 15.

28 Setembro – Terça-feira

 

Colocação das segundas e medições para a vela do novo barco

 

O Mestre Benjamim tinha humedecido o lado de fora das segundas com água fria no dia anterior. E o dia começa com a repetição dessa operação. A do lado esquerdo foi posicionada com um grampo, a meio do barco (meio cavernas mestras) e pregada. Certificou-se que estava bem justa à cinta. Depois, e caverna a caverna, a segunda foi sendo pregada, sempre muito ajustada à cinta, em direcção à proa. Foi deixada por pregar quatro enchimentos antes da proa. O mesmo procedimento à ré, do lado esquerdo. E também aqui não se pregou até ao alefriz. O mesmo aconteceu com a segunda do lado direito.
Só então se procedeu ao fecho desta operação, terminando a pregação da segunda à proa, do lado esquerdo ajustando a cinta com um formão, passo a passo. Depois realizaram-se as mesmas operações para o lado direito. O mesmo procedimento à ré, mas dobrando mais. Aqui a operação foi mais delicada e demorada devido à dureza da madeira (junto ao pé).

Durante a pregação aguenta-se em cheio da parte de dentro com a maceta para que o prego entre melhor e evitar que o braço parte, pois o braço é uma obra melindrosa. A colocação das segundas foi realizada em duas fases. Entre elas realizaram-se os trabalhos de medição da vela que se realizaram com a ajuda de Manuel Rão.

Mestre Benjamim tinha um vela com bastantes anos, não usada. Era a vela suplente de um dóri, pertencente a um pescador de Vila Chã, Carlos Cardoso, traçada de acordo com as velas locais. Na segunda feira tinham-se já realizado algumas experiências e medições, no estaleiro.
A vela modelo foi colocada na areia húmida e presa com espeques. Fixou-se o comprimento da vela a partir das dimensões da embarcação. Depois, e por tentativas, foi-se chegando a um acordo quanto à forma e às medidas finais. Para isso a altura e a relação dos ângulos(principalmente o punho da verga com a linha da amarração) foi sendo ajustada, pois estão relacionadas. Tudo deve ficar numa certa proporção. Para terminar cada lugar onde a corda tinha sido enrolada ao espeque foi atado com um fio de cor. A corda foi enrolada. A vela foi dobrada.
Se o pano já tivesse sido adquirido proceder-se-ia imediatamente ao corte, na praia. A vela seria depois levada a coser.

 

 
 
 
 

 

texto e imagens – projecto CCC – Celebração da Cultura Costeira.

 

 

 

 

 

 

 



publicado por cachinare às 09:24
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