Domingo, 17 de Fevereiro de 2008
"Arethusa", metido no contrabando.
Esta escuna de pesca com dóris do tipo “knockabout” (sem gurupés) de 35 metros, foi construída em 1907 nos estaleiros de Tarr & James em Essex, Massachusetts, desenhada pela mão de Thomas F. McManus. Foi a maior e mais rápida escuna “knockabout” das frotas de pesca da Nova Inglaterra durante cerca de 10 anos.
Em plena Lei Seca nos E.U.A., a 13 de Agosto de 1921 saía um artigo no New York Times onde se lia: “Boston – 12 de Agosto. Embora várias caves, milhas em redor, tenham sido cheias de bom álcool vindo da escuna de pesca convertida “Arethusa”, agora com bandeira Britânica e ancorada a cerca de 20 milhas ao largo de New Bedford, Gordon C. McMasters, responsável das forças no terreno para este districto, admitiu hoje que não vê como resolver o sucedido. McMasters vincou que não possuía uma força flutuante para vigiar se cidadãos Americanos andavam a contrabandear alcool para terra ou sequer o dinheiro suficiente para recrutar barcos para tal fim. Recentes directivas dos tribunais indicam que para obter mandados de captura, é necessário prever o que se espera encontrar nos locais do crime. No caso dos contrabandistas de rum que operavam entre o “Arethusa” e terra, tal era impossível.
Entretanto a embarcação montou tamanho negócio ao largo da costa que as águas de New Bedford nunca tiveram tantas pequenas embarcações de todos os tipos, a maioria delas transportando clientes. Hoje um reporter foi a bordo do “Arethusa” e descobriu que havia um bar regular a bordo e o negócio decorria. Ele foi capaz de comprar alcool de quase qualquer tipo ao copo, ao quartilho ou ao barril. Bom whiskey ia a $6.25 o quartilho, enquanto que champagne era a $100 a caixa. Alcool era carregado em pequenos barcos em redor dele. Quando questionados quanto tempo intencionavam estar por ali, um membro da tripulação respondeu que “enquanto o negócio for bom”. Dizia-se que quando esta carga acabasse, haveria mais.
Gordon C. McMasters afirmava hoje que vários agentes e oficiais de fronteiras em barcos a motor vigiavam a escuna Britânica “Arethusa”, da qual acredita que alcool é trazido para terra. A escuna está ancorada ao largo de No Man´s Island, fora do limite das 3 milhas de lei. Segundo consta, os pequenos barcos que vinham do “Arethusa” eram seguidos na esperança de descobrir se alcool era trazido para terra. Até hoje, não existem provas concretas de contrabando.”
Diga-se que nesta história, o “Arethusa” havia sido adquirido pelo “Rei do Contabando de Rum” Bill McCoy e foi segundo ele, o "grande amor da sua vida". Este famoso contrabandista de rum iniciou o contrabando quando comprou a escuna de pesca “Henry L. Marshall” em Massachusetts. Com o dinheiro ganho, comprou o “Arethusa” e durante 4 anos, sob bandeira de Nassau de lá traficou imenso alcool. Vigiado de perto pelas autoridades, mudou o nome do “Arethusa” para “Tomok”, sob bandeira Britânica e ao mesmo tempo para “Maria Celeste” sob bandeira Francesa. Em 1921 o “Henry L. Marshall” foi aprisionado quando o seu capitão, bêbado, veio a terra e deixou o navio em mãos incompetentes. A polícia abordou o “Tomok” e foi o fim de Bill McCoy.
 Já anteriormente mencionei esta embarcação aquando do artigo sobre o “Ernestina” (ex-“Effie M. Morrissey”), pois o “Arethusa” pertenceu também ao mesmo capitão Morrissey e era o seu navio favorito, uma vez que foi a bordo dele que começou o seu gosto pela velocidade desde os Bancos até aos portos de descarga do peixe.
A seguir à fase “contrabandista” desta embarcação, pouca informação surge e só se sabe que o “Arethusa” terminou os seus dias em 1927.


publicado por cachinare às 14:13
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