Segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2008
A construção naval em Essex, Massachusetts.
A construção naval em Essex principiou em meados dos 1630s para satisfazer a necessidade local por embarcações de pesca e os primeiros eram construídos sempre para serem usados pelo próprio constructor. Por finais dos anos 1700s, tornou-se comum construir uma nova embarcação a cada Inverno, pescar com ela durante o Verão e depois vendê-la no Outono. Gradualmente, capitães vindos de outros portos dirigiam-se a Essex para contrato de um novo navio. Cerca de 1840, Essex deixava de ter a sua própria frota de pesca e tornara-se num constructor naval o ano inteiro.
Deste modo, desenvolveu-se uma indústria tão especializada que se tornou única na história marítima e por alturas dos 1850s, mais de 50 embarcações por ano eram lançadas à água de 15 estaleiros diferentes em Essex, passando a ser a zona conhecida mundialmente como o centro de construção de escunas de pesca na América do Norte.
A frota de Gloucester era largamente construída em Essex e Gloucester dominava de tal forma a indústria, que os navios de Essex podiam ser encontrados em todos os principais portos de pesca dos E.U.A e Canadá. Um em cada 28 navios de bandeira Americana era construído em Essex.
Das 4.000 embarcações construídas em Essex durante a sua história de 350 anos até 1949, apenas 7 escunas históricas sobrevivem, cinco das quais construídas de raíz para a pesca. São elas o “Ernestina” (ex-“Effie M. Morrissey”), o “Lettie G. Howard”, o “L.A. Dunton”, o “Adventure”, o “Evelina M. Goulart”, o “Roseway” e o “Highlander Sea” (ex-“Pilot”).
Muitos dos constructores de Essex davam continuidade ao trabalho dos seus pais. Tradicionalmente a construção de um navio começava com o pagamento de um quarto do total do custo da obra, que seria paga em três partes anuais. Deste modo o trabalho era contínuo nos estaleiros. A maioria dos trabalhadores eram especializados numa fase do trabalho. Muitos eram contractados a um valor diário, conforme a necessidade dos seus serviços no momento. Havia por exemplo grupos de três ou quatro homens que faziam o trabalho de fazer as cavernas do navio ou de preparar o bota-abaixo. Eram muitas vezes constituídos por pais, filhos, tios e primos. Era comum os próprios grupos sub-contractarem de outros estaleiros trabalhadores, o que implicava trabalhar em várias embarcações ao mesmo tempo e levava a que a reputação de um trabalhador fosse de extrema importância.
Cada trabalhador devia ter as suas próprias ferramentas. No Inverno, os trabalhadores tinham de limpar a neve da área de trabalho sem serem pagos por isso. Também não eram pagos em alturas de doença ou ferimentos.
Nas primeiras décadas, tudo o que era necessário à construção de um navio era produzido em Essex, desde cordas a velas, mastros, âncoras, rodas-de-leme, etc, tudo produzido em lojas e barracões distribuidos pela povoação. Depois de 1860 muito já vinha de outras terras.
Quanto a remunerações, dependia do trabalho. Por exemplo ao efectuar furos, ganhava-se por cada furo feito. Carpinteiros de acabamentos, entalhadores ou outras funções de elevada precisão eram pagos por obra feita. Os calafates eram pagos um valor fixo multiplicado pela tonelagem bruta do navio.
Durante o Inverno o dia de trabalho era desde a alvorada até ao crepúsculo, com uma hora de paragem ao meio-dia – seis dias por semana. Nos meses de Verão trabalhava-se desde o nascer do Sol até ao meio-dia e da uma às seis da tarde, recomeçando às sete até ao anoitecer. Após 1847, o dia de trabalho foi establecido em 10 horas, todo o ano, seis dias por semana. Em 1865 o dia foi reduzido para 9 horas e em 1918 para 8.
Em 1976, como parte da participação de Essex nos 200 anos da Revolução Americana, foi aberto o Museu de Construção Naval de Essex, preservando a história da construção naval em madeira, parte integral da economia e cultura da Nova Inglaterra e dos E.U.A. desde os anos 1630s. O museu contém uma das melhores colecções marítimas da região e conta aos seus visitantes a extraordinária história de uma pequena povoação da Nova Inglaterra na qual se construiram mais escunas de pesca de dois mastros em madeira do que em qualquer outro sítio no mundo.
 
Links de interesse:
 
Site oficial do Museu de Construção Naval de Essex, parte do qual traduzido neste artigo.


publicado por cachinare às 10:02
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