Quarta-feira, 20 de Fevereiro de 2008
“Roseway”.
No Outono de 1920, um jornal de Halifax na Nova Escócia, Canadá desafiava os pescadores de Gloucester, Massachusetts para uma corrida entre as escunas de pesca de Halifax e a frota de Gloucester. Por essa razão, muitas escunas como o “Roseway” foram aperfeiçoadas no seu desenho para funções extra às da pesca, de forma a salvaguardar a honra Americana nas corridas anuais.
O “Roseway” com cerca de 42 metros de comprimento, foi desenhado como hiate de pesca para competir contra os Canadianos, por John James e construído em 1925 nos estaleiros da sua família em Essex, Massachusetts. Pai e filho trabalharam lado a lado no “Roseway”, continuando a longa história e tradição da Nova Inglaterra na construção naval em madeira, quando a pesca do bacalhau era raínha. A embarcação foi comissionada por Harold Hathaway de Taunton, Massachusetts.
Apesar da sua história de pesca ser limitada, o “Roseway” estableceu o recorde de 74 espadartes apanhados num dia em 1934, tendo conhecido os rigores da pesca de Inverno.
Este navio foi construído e mantido ao mais alto nível, tendo na sua base um tipo especial de carvalho branco proveniente da propriedade de Hathaway em Taunton. Tinha as amuradas e escoras envernizadas e um abrigo preparado para ele todos os Invernos. O cuidado era tanto que o próprio carvão para o fogão era lavado antes de ser armazenado no carvoeiro do navio. Este tipo de tratamento, que contribuiu para a sua longevidade, não tinha paralelo na frota de pesca comercial.
A 7 de Dezembro de 1941, mesmo antes do ataque a Pearl Harbor, o Boston Globe anunciava a aquisição do “Roseway” por parte da Associação de Pilotos de Boston. No artigo lia-se a opinião da associação sobre a embarcação como sendo “robustamente construída em carvalho e capaz de aguentar a força do mar alto e os violentos ataques de temporais que os barcos-piloto em vigía ao largo do porto de Boston tinham de suportar.”
Na Primavera de 1942, o “Roseway” teve instalada uma metralhadora de calibre 50, pois todas as guias luminosas foram desligadas ao longo da costa Leste dos E.U.A. durante a guerra e cabia aos pilotos, incluindo o “Roseway”, guiar os navios através dos campos de minas e rede anti-submarina que protegia o porto. No final da guerra, a Guarda Costeira galardoou os pilotos pelo trabalho exemplar do “Roseway”em tempo de guerra.
Serviu como piloto durante 32 anos e foi a última escuna piloto nos E.U.A. quando em 1973 foi retirada de serviço para ser substituída por barcos a motor de aço mais pequenos. Nesse mesmo ano, o navio iniciou a sua transformação para veleiro de recreio, comprado por um grupo de empresários de Boston. Em 1974 foi de novo vendido a dois capitães de Boston, os quais reformularam todo o interior, criando cabines para 36 passageiros e em 1975 estava a navegar. Em 1977, o “Roseway” e o “Adventure” (construído em Essex em 1926 e sobre o qual já escrevi) participaram na versão televisiva do filme “Captains Courageous” de Rudyard Kipling em Camden, Maine onde continuou a sua actividade turística.
Em Setembro de 2002, o “Roseway” foi doado à “World Ocean School” para ser usado como plataforma de ensino pela escola. Um mês depois entrou em doca-seca para um restauro completo. Hoje, após 83 anos de serviço, é uma das 6 escunas dos Grandes Bancos originais em existência e a única escuna especificamente desenhada para bater as da Nova Escócia nas corridas internacionais de barcos de pesca entre os anos 20 e 30.
Presentemente a sua função é a de plataforma educacional no porto de Boston, denominado-se como “sala de aulas flutuante”. A “World Ocean School” organiza programas de 12 semanas de mar a estudantes de dois grupos diferentes no Outono e na Primavera, com o lema de proporcionar o desafio da educação experimental focados na comunidade, cultivando e expandindo horizontes e desenvolvendo uma forte ligação a valores éticos. Os estudantes operam no barco cozinhando e limpando, aprendem navegação enquanto estudam e investigam. Os cursos são focados na ecologia marinha e humana, história natural, assuntos globais e artes de marinheiro. De igual modo os estudantes são envolvidos em serviço comunitário e diversos projectos em ilhas ao longo da viagem. Ultimamente a escola tem estado empenhada numa campanha de angariação de fundos para os seus programas e contínuo restauro da embarcação.
Embora o tenha catalogado sob “bacalhoeiros canadianos-americanos”, somente o seu desenho é semelhante a essas escunas. Andou pelos Grandes Bancos, mas os seus dias de pesca não foram muitos e apenas se dedicou ao espadarte.
É mais um belo exemplo do que se pode alcançar para a sociedade com trabalho, um barco e o mar.
 
Links de interesse:
 
Site oficial do "Roseway". Inclúi inúmeras fotos sobre viagem e restauro, incluindo as apresentadas neste artigo.


publicado por cachinare às 09:51
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