Quarta-feira, 12 de Outubro de 2011
Uma carta de 1867.

Em 1988 foi apresentada no Museu de Dunquerque, no Norte da Bretanha, França, uma exposição consagrada aos pescadores do bacalhau na Islândia do séc. XIX. Por entre documentos, objectos e recordações encontrava-se uma carta dum pescador à sua esposa... .

 
«Querida esposa, ponho-me a escrever-te estas curtas palavras para te dizer que chegamos hoje a Grismoute, embora secalhar me consideres levado deste mundo depois de tanto tempo, mas Deus bem nos conservou a vida apesar de todos os grandes perigos aos quais estivemos expostos.
Digo-te querida esposa que tivemos a má-sorte de perder o nosso pobre navio a 9 de Setembro na Baía de Forestonne na Islândia e ainda pior doi que perdemos uma porção dos nossos efeitos e não pudemos salvar o que havia a bordo do navio, estando já o navio cheio de água quando o deixamos nas embarcações e em poucas horas ficou o navio desfeito pelas vagas.
Enfim querida esposa, é um grande azar de grande sofrimento, tendo grande dor por nada ganhar, mas embora nada podendo fazer, devemos agradecer a Deus por nos ter conservado a vida. Enfim, o principal é que ainda nos encontramos no mundo. Peço a Deus que a minha presente carta te encontre na mesma posição na qual me encontro, bem como a nossa criança e toda a família. O que desejo do mais profundo do meu coração é que Deus tenha piedade de nós. Espero que as nossas maiores dores estejam passadas e que dentro de 6 ou 7 dias estejamos em casa.
Nada mais tenho a dizer-te por agora e peço-te que abraces bem a nossa criança por mim. Cumprimentos à tua mãe, bem como à minha, aos nossos irmãos e irmãs e a toda a família de uma casa como da outra e a todos aqueles que se queiram informar de mim.
Querida esposa, acabo de te escrever e não de te amar e sou para toda a vida teu fiel esposo. 
Louis Dollet, 2 de Novembro de 1867»
 
A foto é já de inícios do séc. XX, mostrando a tripulação de uma escuna francesa de pesca ao bacalhau na Islândia, próximo a Reykjavik.


publicado por cachinare às 01:17
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1 comentário:
De Jaime pião a 12 de Outubro de 2011 às 13:33
Tal e qual as nossas cartas escritas para as famílias em outros tempos ,mas que bela demonstração de simplicidade nessa então carta escrita por um dos pescadores que, como diz na altura naufragado do veleiro bacalhoeiro onde era tripulante pescador ,mas como diz e bem ,vão-se os anéis e fiquem os dedos e assim eu me lembro que também fui naufrago em dois Navios bacalhoeiros e duas traineiras da sardinha ,por isso aqui o meu respeito por todos que até hoje já passaram por naufrágios .cumprimentos Jaime Pião !


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