Quinta-feira, 28 de Fevereiro de 2008
O tsunami na Terra Nova em 1929.
A 18 de Novembro de 1929, a terra tremeu e as águas elevaram-se na Península de Burin no Sul da Terra Nova. A consequência foi o tsunami que se abateu sobre as costas da península e surgiu totalmente de surpresa para as populações residentes em Burin. A maioria dos tsunamis ocorrem no oceano Pacífico, não no Atlântico.
O tremor de terra submarino teve o epicentro a 44º69´ Norte, 56º Oeste ao longo de uma falha a cerca de 250 km a Sul de Burin e atingiu os 7.2 na escala de Richter. O desastre iniciou-se por volta das 5 da tarde, quando um violento tremor de terra ocorreu com a duração de 5 minutos. De imediato toda a gente se alarmou. A população em St. John´s, a 402 km do epicentro julgou que o tremor tivesse sido causado por um acidente nos apoios das minas de Bell Island em Conception Bay. Recuperando do seu medo inicial, a maioria dos habitantes tentava fazer esquecer o tremor continuando os preparativos para o jantar. Por volta das 7.30, um tsunami varria as costas da Península de Burin. As ondas, deslocando-se à impressionante velocidade de 130 km/h desde o epicentro, embateram na península a 105 km/h e afectaram mais de 40 comunidades costeiras.
A 22 de Novembro, o Daily News de St. John´s descrevia o sucedido desta forma: “De repente e sem aviso, surgiu um rugir nas águas. Num tom mais alto que o normal das ondas na costa, quebra-lhes nos ouvidos e depois, num bater destruidor, uma parede de quase 5 metros de água cai sobre as suas frágeis moradas, por dentro de portas e janelas e arrastando no movimento recuante, casas, mães e crianças”.
Todas as comunicações ficaram cortadas com o mundo exterior. Além disso, não havia naquela altura qualquer estrada que ligasse a Península de Burin ao resto da província. Quando a onda recuou, sobreviventes incrédulos foram forçados a inventar os seus próprios planos de socorro. Três dias após o tsunami, o vapor costeiro “Portia” aportava no porto destruído de Burin. Uma mensagem de SOS para St. John´s resultou na chegada do “SS Meigle”, contendo médicos, enfermeiras, cobertores e mantimentos.
A perda em propriedade, estimada no princípio em $250.000, chegou ao milhão. Barcos, aparelhos de pesca, stocks e equipamento industrial de metade dos trabalhadores activos ficaram destruídos. Não houve compensação pelas provisões ou fuel de Inverno perdidos. Houve apenas compensação para reparações das casas e barcos perdidos. O primeiro fundo oficial para desastres foi establecido em St. John´s a 25 de Novembro de 1929 e os donativos vindos do resto da Terra Nova, Canadá, E.U.A. e Grã-Bretanha chegaram aos $250.000.
Mais de 10.000 pessoas foram afectadas e ocorreram ao todo 27 mortes registadas em Burin. Resultado do mesmo tremor de terra, foi reportado um tsunami que atingiu o Cabo Bretão na Nova Escócia, morrendo uma pessoa.
Traduzido do original em collectionscanada.gc.ca
 
Por obra do destino, quando este trágico evento correu, não era altura da frota bacalhoeira Portuguesa andar por estas paragens. Em Novembro estava-se por Portugal a passar o Inverno e a preparar a próxima campanha. No entanto o Cabo Bretão no Norte da Nova Escócia era frequentado por vezes por navios Portugueses que lá iam comprar isco.
A foto acima foi manchete na altura e mostra uma escuna de pesca a rebocar uma casa levada pelo mar.
Com as devidas diferenças de proporções (e tragédia) faz-me recordar dias de praia com marés vivas em que o mar sobre de repente e inunda os praiantes desguarnecidos, alguns em ligeiro pânico a segurar os pertences. Várias vezes o presenciei e na verdade toda a gente ri e acha piada ao mar que “brinca” com o povo. No caso de um tsunami... o terror e tragédia não deixam margem para sorrisos.

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publicado por cachinare às 17:49
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