Sexta-feira, 7 de Março de 2008
“L.A. Dunton”, exemplo de sucesso.
Esta escuna de pesca de Gloucester de 37 metros é uma das poucas embarcações do seu tipo que restam nos E.U.A.. Há mais de 50 anos que as escunas à vela foram forçadas a abandonar os Grandes Bancos ao largo da Terra Nova, e o Georges Bank ao largo de Cape Cod, mesmo que o seu desenho as tivesse tornado nos mais rápidos e capazes barcos de pesca do mundo nas suas artes e naqueles mares.
Desenhado por Thomas F. McManus, o “L.A. Dunton” foi construído nos estaleiros de Arthur D. Story e lançado à água a partir do seu afamado estaleiro em Essex, Massachusetts em 1921. As suas linhas eram as típicas do seu arquitecto, com proa aredondada, boa guinada, vão inclinado e casco longo. Construído após os motores auxiliares a gasolina se terem já tornado comuns nas escunas, o “L.A. Dunton” era provavelmente a última e maior escuna de pesca sem motor, sendo que mais tarde umas poucas foram construídas sem motor mas apenas para competição. Esta escuna foi usada na pesca do eglefim e alabote com dóris à linha entre os Grandes Bancos e o Banco de Georges, fazendo a sua descarga em Boston. Por alturas de 1923 foi-lhe instalado um motor Fairbanks Morse de 100 cv. e quando a Grande Depressão afectou a indústria, o “L.A. Dunton” foi vendido ao novo proprietário Aaron Buffet da Terra Nova em 1934. Durante 20 anos pescou ao largo da Terra Nova e em 1955 foi vendido a Erik Piercy também na Terra Nova, que o passou para navio de carga, passando a navio-motor com vela auxiliar. O seu último dono comercial foi J.B. Foote & Sons em 1960, que também o usou para carga em geral. Aí foi-lhe alterado o porão do peixe e as juntas originais retiradas para aumentar a capacidade de carga.
Foi nesta forma que em 1963 foi adquirido pelo museu Mystic Seaport, Connecticut nos E.U.A. onde pouco depois da chegada se deu início ao restauro obedecendo ao seu desenho original e usando-se as mesmas madeiras usuais na construção naval de Essex, como o carvalho branco, pinheiro amarelo, pinheiro branco, bordo; as juntas interiores em sicômoro e pinheiro branco; e por fim abeto de Douglas. As pranchas de pinheiro amarelo e carvalho branco e os tectos também em pinheiro amarelo são fixadas com cavilhas de alfarrobeira e pregos de navio galvanizados. Joelhos, cantoneiras e grampos de tamarga dão apoio e resistência ao casco e ao convés em pinheiro branco. Entre 1974 e 1985 foi-lhe retirado o motor, a quilha restaurada e corrigida ao seu aspecto original, vigas e pranchas do convés substituidas e as amuradas de igual modo receberam novo pranchado.
Todo este trabalho foi necessário para manter o “L.A. Dunton” como um exemplo do mais fino tipo de escuna de pesca Americana e um testemunho dos pescadores de vida dura que a tripulavam. Em 1994 o “L.A. Dunton” foi designado como Marco Histórico Nacional. Todos os anos recebe cerca de 400.000 visitantes onde a bordo se interpreta o seu contexto e história, construção, o manejo dos dóris e os métodos de preservação do peixe.
A última foto apresentada é um perfeito exemplo do conceito que gostaria de ver implementado cada vez mais em Portugal. O “L.A. Dunton” embora totalmente apto para navegar, presentemente é apenas navio-museu atracado mas é um perfeito polo atractivo de famílias, onde miúdos e graúdos se recreiam por entre os detalhes de um navio de pesca em madeira com imenso que explorar. Ressalvo o uso dos dóris como parte fundamental do museu, pois o seu aspecto simples é enganador, uma vez que é das embarcações preferidas para o pessoal se meter dentro, especialmente os mais pequenos. Julgo que em Portugal dóris só existem uns poucos em certos museus (que me corrijam se estiver enganado) e não se pode tocar-lhes pois são originais da Faina. Não sei qual o custo de construção de um dóri, mas julgo ser um elemento de enorme importância para que museus ou instituições ligadas ao mar o usem como elo atractivo para aprender sobre o mar. Além disso mantinha-se a arte de os construír viva.
Penso que esta foto realmente diz muito de como a riqueza marítima de certas comunidades costeiras e mesmo países deve ser aproveitada. Portugal tem muito dela, mas o aproveitamento é pouco. Não haverá dinheiro ou interesse nos dias que correm em construír réplicas de bacalhoeiros em Portugal, mas ao menos os dóris não levariam ninguém à falência e não faltaria gente mesmo em terra seca a querer saltar para dentro deles para brincar, imitar ou experimentar. Além disso, quando se consegue atraír os mais pequenos, o resto da família vem junto.
É importante que certos tipos de museu não sejam totalmente estáticos.
 
Aqui ficam várias colecções de fotos que incluem o “L.A. Dunton”.
A foto nr.2 é da autoria de Dr. WHO.
A foto nr.3 é da autoria de billjank.


publicado por cachinare às 23:08
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