Sábado, 9 de Junho de 2012
O cruzador "S. Rafael".
 

«Quando, logo após o desfile daquela magnífica alegoria do Cruzador “S. Rafael”, na marcha luminosa do S. João de 2011, levado a cabo pelo Rancho das Rendilheiras do Monte, nos convidaram a escrever algo para uma brochura a editar por ocasião da Exposição evocativa do naufrágio de tão nobilitante navio da Armada Portuguesa, a realizar na sua sede social, a partir de Outubro, houve necessidade de consultar velhas publicações da época em busca de mais elementos sobre uma tragédia que então enlutara a nóvel República Portuguesa.

A verdade, porém, é que passado que foi um século, julgamos ainda não estarem suficientemente apuradas as verdadeiras causas de tão trágico naufrágio, ocorrido em Vila do Conde, escassos 12 meses após a implantação da República.

As dúvidas logo foram mais do que muitas, na medida em que, para além do evocado mau tempo, Portugal vivia piores momentos, em convulsões com algumas forças monárquicas, comandadas por Paiva Couceiro, homem que desde o 5 de Outubro mais resistiu à implantação da República, cujo regime sempre contestou, e combateu abertamente, liderando a revolta em nome do Rei e de Portugal, principalmente na zona Norte do país.

Por tal motivo, o “S. Rafael” navegava ao longo da costa em missão de fiscalização, rumo ao Porto, quando o desastre aconteceu.

O caso, foi de tal modo complexo, que meia dúzia de anos depois, em 1918, a dúvida se adensou, já que o Tribunal de Guerra da Marinha acabaria por mandar arquivar o processo então instaurado ao comandante do navio.

Não tão complexo, mas confuso, foi aquilo que, entretanto, se passava na imprensa, principalmente na local, por vezes em compita, com cada um a esgrimir seus argumentos, na tentativa de chamar a si a vã glória de salvar. Tal como dizia o saudoso amigo Manuel Lopes, poveirinho de gema, talvez se tratasse de um qualquer “bairrismo serôdio”..., já que o povo, esse sim, foi inexcedível em generosidade e nobreza, como adiante se verá.

Daí que, ao elaborarmos esta publicação, nos ocorresse contornar os “escolhos”, optando por uma “navegação à vista”, fazendo uma compilação de textos da época, tanto quanto possível cronológica, e, sobretudo, verdadeira.»

 

Albino Gomes - NOTA DE ABERTURA.



publicado por cachinare às 14:44
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2 comentários:
De mare-nostrum a 9 de Junho de 2012 às 22:37
Boa noite António,
Agradeço-lhe antecipadamente o contacto com o sr. Gomes, para me reservar uma cópia do livro em questão. O meu avô esteve embarcado no gémeo deste cruzador, o "São Gabriel", de melhor memória, nele tomando parte numa viagem de circum-navegação. Ambos os cruzadores eram conhecidos na marinha por "arcanjos".
Continuação de bom fim de semana,
Reinaldo


De Anónimo a 12 de Junho de 2012 às 18:37
Caros amigos,

Em resposta à solicitação de Mare-Nostrum , e à missiva de A. Fangueiro, sou a informar que para adquirirem o livro evocativo do centenário do Naufrágio do cruzador S. Rafael, se devem dirigir à

Associação Cultural e Recreativa do Rancho das Rendilheiras do Monte
Av. Bernardino Machado, 124-136
Apartado 138
4481-910 Vila do Conde (Telefone 252 631 929)

Albino Gomes
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Caros amigos, <BR><BR>Em resposta à solicitação de Mare-Nostrum , e à missiva de A. Fangueiro, sou a informar que para adquirirem o livro evocativo do centenário do Naufrágio do cruzador S. Rafael, se devem dirigir à <BR><BR>Associação Cultural e Recreativa do Rancho das Rendilheiras do Monte <BR>Av. Bernardino Machado, 124-136 <BR>Apartado 138 <BR>4481-910 Vila do Conde (Telefone 252 631 929) <BR><BR>Albino Gomes <BR><BR class=incorrect name="incorrect" <a>ps</A> </A></A>: caso haja alguma dificuldade na sua obtenção, pessoalmente, terei muito gosto em colaborar. <BR>


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