Segunda-feira, 24 de Março de 2008
Caxinas antiga.
As duas primeiras fotos a cores, já as mostrei e escrevi sobre elas anteriormente, no entanto eram a preto e branco. Descobri estas recentemente e cá ficam.
As duas fotos abaixo nunca as tinha visto antes. A 2ª foto mostra a procissão do Senhor dos Navegantes diria por volta dos anos 40. É outras das minhas fotos favoritas com as inúmeras catraias e caícas alinhadas e enfeitadas com bandeiras, quase como que vestidas a preceito para o Domingo de festa tal como as gentes em geral. Lembra-me outra foto, esta na Póvoa de Varzim antiga, muito parecida, mas nessa as proporções das embarcações são de outra escala, com as enormes lanchas. Há que ver que nas Caxinas  
barcos de pequeno porte eram os ideais, pois o portinho é pequeno (tal como a comunidade antiga) e bastante rochoso. Lanchas de grande calado nunca lá entrariam. Na Póvoa, as condições de mar e a própria antiguidade da comunidade são bem expressas no porte das inúmeras variedades de embarcações.
A 1ª foto mostra mulheres de pescadores a trabalhar nas redes, tarefa comum no passado. Quando olho para esta foto de imediato começam as comparações culturais, uma vez que vivo num país de cultura bastante diferente. Na Polónia há algumas coisas que não são bem aceites, ou entendidas, no que respeita às mulheres Portuguesas (ou dos países latinos). Tendo eu nascido e crescido nas Caxinas, uma comunidade “pequena” onde as mulheres têm um papel que eu diria central na organização familiar, na Polónia não se passa o mesmo. Por exemplo, em Portugal é normal apresentar ou falar da esposa como “a minha mulher”, o que na Polónia é uma ofensa impensável. Por cá, uma senhora passa sempre primeiro, sai primeiro/entra primeiro no elevador, puxa-se-lhe a cadeira para se sentar, etc. Secalhar por causa do meio onde cresci, por cá várias vezes sinto que a figura da mulher é bastante frágil e de imediato começo a tentar explicar a figura da mulher Portuguesa, ficando a pergunta no ar se somos assim “tão rudes” por terras Lusas/latinas. Poderia escrever imenso sobre estes aspectos comparativos, mas fico por aqui, com estas fotos e com as saudades não só do local que deixei mas também da cultura Portuguesa e da minha local e piscatória. Faz-me falta a estrutura social das gentes da pesca.
 
Estas são quatro das obras principais sobre as Caxinas, de onde por certo terão saído estas fotos. Seria bom poder comprá-las via internet.
 
  • Araújo, Domingos F. (1995). Paróquia de Caxinas - 50 anos de vida. Vila do Conde: Paróquia de Caxinas.
  • Cova, A. F. Vila (1989). Caxinas - Terra do Meu Coração. Vila do Conde: Câmara Municipal de Vila do Conde.
  • Cova, A. F. Vila (1996). Caxinas - Terra de Mar e de Luz. Vila do Conde: Edição do Autor.
  • Oliveira, A. Lopes ( 1973). Caxineiros - Gentes de Vila do Conde. Vila do Conde: Centro Paroquial das Caxinas.

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publicado por cachinare às 19:54
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2 comentários:
De Anónimo a 25 de Março de 2008 às 18:36
Já agora, poderei dar uma achega dizendo que na primeira foto, temos o Sr. Tato, Cabo do Mar de então.
Na terceira foto, as mulheres recolhem a rede, depois de esta secar na praia; vendo-se ainda parte da antiga Igreja do Sr. dos Navegantes. Foto de
Carlos Adriano.
Quanto ao facto de nas Caxinas não atracarem as
lanchas do alto, talvez, mas atracavam os barcos do
pilado, e de tal modo carregados, que por certo calavam mais que as lanchas do alto.
Quanto ao trato dos portugueses, em relação às
mulheres, de facto dantes por cá também havia mais respeito em relação às Senhoras.
Mais uma vez parabéns pelo seu magnífico site.
Albino Gomes
Vila do Conde


De jaime pontes a 30 de Abril de 2009 às 18:40
MEUS AMIGOS BOA TARDE ,JÁ AGORA VOU AJUDAR NAS FOTOS ,O SRE JOSÉ TATO E O TIO DIOGO ÉRA MEU VISINHO ,NA SEGUNDA FOTO TEMOS A TI,ANA ANDRÉ ,A PREPARAR AS GAMELAS DA SARDINHA PARA LEVAR A CABEÇA PARA VENDER NA POVOA ,NA TERCEIRA FOTO TEMOS A TI,ANA CAMAÇA COM AS MULHERES DA CAMPANHA A LEVANTAR AS REDES PARA COMPOR NO BARCO,A QUARTA TEMOS A PROÇISSÃO DO SRE DOS NAVEGANTES A PASSAR A PRAIA DOS BARCOS COM ESTES EMBANDEIRADOS NOS ANOS 50 E O QUE SE VÊ NA TERCEIRA FOTO É A CASA DA GUARDA FISCAL ÉRA O LUGAR IDEAL PARA POR AS PEÇAS DA SARDINHA OU O ARRASTO DA MUGIGANGA A SECAR DITO ISTO ASSIM NA GIRIA E ,COM RESPEITO AS CATRAIAS O AMIGO BINO TÉM RAZÃO NA PRAIA DOS BARCOS ATRACAVAM AS CATRAIAS MAIORES CARREGADAS DE PILADO MAS TAMBÉM É PRECISO DIZER QUE QUANDO DE MARÉ BAIXA ÉLAS FICAVAM ENCOSTADAS A PEDRA SANTA ALI ENCOSTADO AO NORTE DO FAROL DO AGULHÃO E CONFORME A MARÉ ENCHIA O BARCO VINHA PARA AREIA PORQUE COMO DIZ O AMIGO ANTÓNIO COM BAICHA MAR ÉRA SÓ PEDRA MAS TINHA UM CARREIRO QUE CABIA SÓ DOIS BARCOS PORTANTO DE MARÉ VAZA EM ESPEÇIAL DE MARÉS VIVAS ÉRAM VARADOS DOIS DE CADA VÊS ! AGORA ESTOU DE ACORDO QUE NÃO SERVIA PARA AS LANCHAS DA POVOA POR TUDO ISTO ENTRE CATRAIAS DO PILADO E DA SARDINHA E DO CONGRO DE FORA TINHA-MOS MUITOS BARCOS NA PRAIA DESDE O POÇO ALI JÁ FAVITA ATÉ O SALVA VIDAS NÃO TINHA CONTA ATÉ OS ANOS 60 ! DEPOIS VIERAM OS MOTORES DE POPA E OS GAZOLEIROS E OS BARCOS PASSARAM A IR PARA FAVITA PORQUE HAVIA LÁ MELHORES CODIÇÕES E, ASSIM COMEÇOU A SER PRAIA DE BANHOS NO LUGAR DA PRAIA DOS BARCOS E ACABOU A FAMOSA PRAIA DAS CATRAIAS E DOS BARCOS MAIS PEQUENOS QUE DIGA-SE DE PASSAGÉM JÁ TENHO SAUDADES DE VER A PRAIA TAL E QUAL COMO ÉLA ÉRA ,MAS SÃO OUTROS TEMPOS E TEMOS QUE RESPEITAR É SÓ SAUDADES ! ...J.PIÃO


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