Sexta-feira, 22 de Novembro de 2013
Barca de Sesimbra, “Nossa Senhora da Aparecida”.

 

Neste blogue, anteriormente escrevi um artigo sobre o o Caíque de Olhão “Bom Sucesso”, réplica do original de há 200 anos que à queda das tropas de Napoleão em Portugal, rumou ao Brasil tripulado pelos seus pescadores para dar a boa-nova à realeza lá em exílio. O heróico feito elevaria a comunidade de Olhão a vila, passando a denominar-se “Vila de Olhão da Restauração”. Pois a referida réplica era suposta efectuar o mesmo périplo em Julho de 2008, interesse já demonstrado pela APOS às entidades políticas em inícios de 2007 para comemorar os 200 anos da Restauração. Tal pelos vistos não veio a acontecer por conflitos entre a APOS e o presidente da Câmara de Olhão, ao que parece com jogos de protagonismo político ou desinteresse cultural envolvidos. Quem ficou a perder foram as gentes de Olhão e Portugal e o desenvolvimento da cultura marítima, que precisa sempre de novos eventos navais.
Viagem semelhante e que realmente aconteceu foi a da Barca de Sesimbra “Nossa Senhora da Aparecida” em 2005. Este é um resumo do site oficial que chegou a existir sobre a viagem:
«A Barca “Nossa Senhora da Aparecida” foi construída em 1961 no antigo estaleiro de Sesimbra de Joaquim Silvestre Farinha. Tendo sido originalmente baptizada de “Cupido”, foi-lhe sendo sucessivamente alterado o nome para “Poder de Deus”, “Família Samagaios”, “Skipper” até ao nome actual. Representando várias épocas da nossa história, e tendo andado na faina ao longo dos últimos 40 anos, tornava-se urgente o seu restauro. Deste modo, era também recuperado um pedaço da nossa memória colectiva. Acácio Vidal Farinha, herdeiro do saber fazer dos constructores navais de Sesimbra, era o único capaz de o conseguir.
O Mestre Acácio, ajudado pelo seu filho, Rui Manuel Ferreira Farinha, restaurou a “Nª Srª da Aparecida”, tendo ao longo de um ano e meio chamado a atenção das gentes que passavam na doca. O seu trabalho de recuperação foi de tal modo genuíno, que houve logo quem quisesse apoiar a aventura de atravessar o Atlântico, cruzando a rota dos nossos antepassados. Entre elas: Junta de Freguesia do Castelo, Junta de Freguesia de Santiago, Câmara Municipal de Sesimbra, Clube Naval de Sesimbra, Governo Civil de Setúbal, Região de turismo da Costa Azul, Embaixada do Brasil, CPLP e Instituto Camões.
Em nome de Portugal, queremos lembrar aos mais velhos, aqueles que já se esqueceram e aos mais novos, a quem nunca foram ensinadas as suas origens, a temperança e a audácia de um povo que descobriu mundo. Prolongar para o futuro a memória colectiva das gentes do mar e das artes a eles ligadas, desde a construção naval e tudo o que a rodeia ( mestres de vela, calafates, mecânicos, electricistas, pescadores, etc.), bem como capitalizar o facto da melhor costa para navegar ser exactamente entre Sesimbra e Sines. Divulgar a imagem de Portugal como um povo com História e fiel detentor das suas raízes.
A barca chama-se “Nª Srª da Aparecida”, a Virgem e padroeira do Brasil, procurando mais um ponto de união entre Portugal e o Brasil, países já entre si irmãos, quer no plano histórico e cultural com a língua portuguesa enquanto instrumento comum, quer na devoção mariana a Nossa Senhora da Conceição, a mesma padroeira dos 2 países: a de Vila Viçosa em Portugal, e a da Aparecida no Brasil.
Durante a travessia da Atlântico pela rota de Cabral, a “Nª Srª da Aparecida” utilizará apenas as suas velas. O motor será excepcionalmente utilizado para entrar e sair de portos.
O tempo estimado para a viagem é de cerca de 50 dias. A partida está prevista para dia 18 de Dezembro. Partindo de Sesimbra, em vez de Lisboa, fazendo a primeira paragem em Tenerife, a segunda em S. Vicente de Cabo Verde, e zarpando desta ilha rumo a Fernando de Noronha, segue-se Porto Seguro, onde Pedro Alvares Cabral aportou pela primeira vez.
Somos quatro homens numa pequena embarcação e, tal como noutros tempos, o nosso gesto quer significar muito. Uma homenagem a quem outrora conquistou os mares, levando um pouco mais do nosso Portugal ao País nosso irmão.»
 
Como em tudo na vida, num país existem homens grandes e homens pequenos e considero triste que por vezes homens pequenos tenham o poder de tomar decisões, saber conceder ou não conceder vontades. Este exemplo de Sesimbra, outra terra marítima por excelência, orgulha locais e Portugueses pelo seu propósito e mesma audácia dos nossos antepassados, a quem devemos hoje e para sempre reconhecimento mundial. São iniciativas muito raras hoje em dia, pois já não se vai ao Brasil de barco, só avião, mas relembram que antigamente ir ao brasil em barcos de pesca era frequente e a Póvoa de Varzim não fugiu à regra. Porque não uma iniciativa igual à da Barca de Sesimbra com a Lancha de 12 metros “Fé em Deus”? A emigração de poveiros para o Brasil em inícios do séc. XX foi enorme, como atesta hoje em dia a Casa dos Poveiros no Rio de Janeiro e o regresso de muitos, décadas mais tarde, marcaram para sempre a cidade da Póvoa. Haverá condições para a Lancha fazer tal viagem? Interesse sócio-cultural há de certeza e políticamente vive-se cada vez mais numa época de união entre os dois países a vários níveis.
 
Site sobre a viagem Rumo ao Brasil.


publicado por cachinare às 11:08
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1 comentário:
De JAIME PIÃO a 24 de Dezembro de 2013 às 19:17
DESEJANDO UM BOM NATAL A TODOS QUE SEJA PASSADO EM FAMÍLIA E UMA BOA SAÍDA DE ANO COM BOA ENTRADA ,ABRAÇOS !


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