Sexta-feira, 11 de Abril de 2008
A pesca ao bacalhau... no Pacífico.
Entre 1891 e 1950, lugres à vela com base em Seattle, Poulsbo e Anacortes na costa Oeste dos E.U.A., pescaram bacalhau no Mar de Bering e águas do Alaska. Foram vários os navios famosos da altura, como o “Lizzie Colby”, “Joseph Russ”, “C.S. Holmes”, “Charlie R. Wilson”, “John A.”, “William Nottingham”, “Sophie Christenson”, “Wawona” e “C.A. Thayer”, dos quais sobrevivem os dois últimos.
A pesca ao bacalhau nas águas do Pacífico surgiria por acidente quando em 1857, o brigue de São Francisco “Timandra” ficou preso no gelo na foz do rio Amur na Sibéria e inadvertidamente descobriu a facilidade em pescar bacalhau no frígido Pacífico Norte. O navio regressou ao local em 1863 com 25 toneladas de sal para preservar uma apanha substancial (a refrigeração surgiria nos anos 1900s). Embora o grande peixe, que se aglomera em cardumes nas águas costeiras ou no cimo de Bancos oceânicos pouco profundos, tenha sido escasso nesta campanha em particular, a pesca ao bacalhau no Pacífico da América do Norte estava establecida.
A frota bacalhoeira de São Francisco cresceria para 5 navios em 1891, quando o Capitão J.A. Matheson começou a operar o “Lizzie Colby” a partir de Seattle. Poulsbo e Anacortes também se tornaram portos de abrigo para as escunas bacalhoeiras e em 1906 as embarcações da Sonda de Puget ultrapassavam a frota de pesca da Califórnia apanhando mais de 1 milhão de toneladas de peixe numa única estação. Com o surgir da refrigeração, o cais de Bell Street no porto de Seattle tornou-se o grande centro da pesca do bacalhau.
A maioria das grandes escunas de pesca ao bacalhau eram convertidas do transporte de madeira, com grande tradição na região, incluindo o originário da Califórnia “Wawona”, campeão em peso da frota com 413 toneladas e o quatro-mastros “Sophie Christenson”, lançado em Port Blakely, Washington. Instalações para a salga e embalagem do bacalhau foram construídas no Alaska e na Sonda de Puget.
A pesca do bacalhau era também, tal como no Atlântico, um trabalho árduo e arriscado nos difíceis mares do Pacífico Norte. O bacalhau, pesando até 5 kg era apanhado usando linhas iscadas que eram aladas à mão para dentro de pequenos dóris, os quais operavam a partir das escunas ancoradas ao longo da costa ou em leitos no cimo de Bancos pouco profundos. Os pescadores dos dóris, muitos deles veteranos da pesca nos Grandes Bancos do Atlântico, largavam tipicamente nos seus botes às 4:30 da madrugada e completavam dois turnos de pesca até às 6:30 da tarde, altura em que regressavam à escuna.
Temporais era comuns e especialmente perigosos nos baixios onde o bacalhau se juntava. A escuna de Seattle “Nellie Colman” naufragou em meados de Novembro de 1910 com 29 tripulantes a bordo numa tempestade ao largo da costa do Alaska.
Apesar destes perigos, a frota da Sonda de Puget cresceu para 8 navios em 1915. A entrada da América na I Guerra Mundial criou um novo mercado para o bacalhau preservado. Com a construção das comportas de acesso ao Lago Union em 1917, as escunas de pesca passaram a ancorar pelo Inverno nas águas doces do lago, o que matava os parasitas nas madeira dos cascos, preservando assim por mais tempo os navios.
Durante os anos 1930s, pescadores Japoneses operando a partir de navios-fábrica movidos a vapor ou diesel, começaram a trabalhar no Mar de Bering e costa do Alaska em números cada vez maiores. A 24 de Maio de 1938, um furioso Capitão J.E. Shields enviava um telegrama através de uma frequência rádio em aberto a partir do “Sophie Christenson” para Bristol Bay, pedindo o envio de “uma dúzia de espingardas de grande alcance e bastantes munições” com o fim de afugentar os seus competidores Japoneses. O Governo Federal tratou de prevenir uma guerra armada entre pescadores e a frota de pesca Japonesa retirou.
Após uma outra frota Japonesa ter atacado Pearl Harbour em 1941, todos os lugres de Seattle excepto um foram comissionados pelo Governo dos E.U.A. para barcas e transporte no Pacífico Norte. As pescas em veleiros nunca mais recuperariam e em 1950 o “C.A. Thayer” era o último da sua estirpe a pescar no Mar de Bering. Hoje funciona como navio-escola a partir da Doca dos Pescadores em São Francisco.
O resto desta nobre família de navios teve um fim triste, acabando como sucata ou barcas desmastreadas, excepto um sobrevivente: o “Wawona”, em restauro no Northwest Seaport do Lago Union.
 
fonte: Capt. Ed Shields, “Salt of the Sea, The Pacific Coast Cod Fishery and the Last Days of Sail” (Lopez Is., WA: Pacific Heritage Press, 2001).
Fotos propriedade de Northwest Seaport.


publicado por cachinare às 08:39
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2 comentários:
De vila_do_conde_ponto_com a 11 de Abril de 2008 às 15:07
Boa tarde.
Somos um grupo da Escola Secundária D. Afonso Sanches e temos vindo a seguir o seu blog há muito tempo. Publica informações muito interessantes acerca das Caxinas.
Em Área de Projecto (12ºano), estamos a participar no Concurso Cidades Criativas, em que temos que projectar algo que achemos criativo e que permita desenvolver a nossa cidade. Assim, pensamos em promover sessões de Contadores de Histórias, isto é, convidar vilacondenses para contar lendas, tradições e histórias da nossa cidade. O nosso projecto tem como nome "Vila do Conde: contada às crianças e lembrada ao povo". Actualmente, temos reunido várias lendas, histórias e tradições da cidade, mas quantas mais tivermos melhor =) Por isso, gostaríamos de pedir a sua colaboração.
Deixamos aqui o nosso e-mail e, se fosse possível, poderia entrar em contacto conosco e posteriormente enviar-nos algumas histórias, lendas e tradições que tenha.
Muito obrigada
Grupo Vila do Conde.com
e-mail: vila_do_conde.com@sapo.pt
blog: http://vila_do_conde_ponto_com.blogs.sapo.pt


De jaimepontes a 19 de Fevereiro de 2009 às 00:14
Caros Sres.Professores e alunos da escola secundaria D.Afonso Sanches,sou pescador reformado de Caxinas e vou contar uma história sobre a entrada da barra de Vila do Conde .Um bélo dia ,estáva-mos ém fevereiro de 1956 no dia de sermão da Sra da Guia éra de tarde ,estáva muita gente a ouvir o sermão ! O mar éra muito bravo ,eu tinha na altura 12 anos éra um miúdo e já ia ao mar normalmente com o meu pai e com o meu avô! Fomos ao mar num barco a remos emprestado pelo Sre Fernando Baltazar ,fomos recolher uns aparelhos que se chamava palangres que já estáva a 6 dias no mar e por causa do invérno não podia-mos lá ir buscar ,é então que se proporciona uma boa ocasião ,arriscamos muito ém especial no regreço porque a maré baichava e éra complicado ,por causa da corrente do rio ,más quando chegamos a barra ao entrar ,apanhamos bastante mar que foi a Nossa Sra .da Guia que não nos deixou naufragar ,atracamos a praia mesmo encostados a Sra da Guia ,o pessoal que estáva a ouvir o sermão começaram aos gritos ,o Sre padre depois mandou por no ar foguetes como a agradeçer a Sra da Guia pelo salvamento do barquinho ,porque eu ainda hoge penso que a Sra da GUIA guiou-nos até a praia mesmo com o barquinho cheio de agua quase no fundo ! Eu que tinha a idade de um aluno ,tinha acabado de fazer a quarta classe e já arriscava a minha vida no mar ,porque não quis estudar ,porque o meu avô éra pescador ,o meu Pai éra pescador ,eu foi pescador ,hoge reformado com 65 anos ,portanto aqui está uma história das muitas que se passaram na minha vida do Mar ! Saúdações maritimas jaimepiao@hotmail.com


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