Sexta-feira, 18 de Abril de 2008
Arte marítima.
Gazela Primeiro”  -  Charles Lundgren, 1971
 
Na constante procura por novos detalhes sobre a nossa antiga frota bacalhoeira, de vez em quando ainda surgem algumas surpresas inesperadas, sejam fotos, objectos relativos à faina ou obras de arte de diversos tipos. Desta vez foi mais uma pintura sobre o lugre-patacho bacalhoeiro “Gazela Primeiro".
Foi pintado sensivelmente na mesma altura em que o navio foi vendido ao Museu Marítimo de Filadélfia em 1971 e os detalhes retratados na obra evidenciam o quanto a pesca ao bacalhau pelos Portugueses era conhecida e admirada pelos seus métodos e dificuldades, num tempo em que “já não se usava disso”, referindo-me a veleiros e dóris com linhas de trol. Em particular, o pormenor do pescador no dóri 42 está excelente, vendo-se até a água a escorrer do cabo de âncora. Outro detalhe que me surpreendeu é o facto dos dóris serem construídos com 3 pranchas e não as 4 habituais que vejo sempre tanto em dóris Portugueses como Americanos, Canadianos ou Franceses. Supondo que serão dóris de estilo mais antigo ou de algum mestre constructor específico, terei de investigar esse pormenor, pois esta é a única imagem que os mostra assim.
 
Num àparte sobre a pesca à linha, cá na distante Polónia, há uns dias ao ver o derby da Taça Sporting-Benfica via internet no canal SIC, ao intervalo continuei a seguir a publicidade do costume (o que não existe na RTP internacional) e surge um anúncio sobre a “grande e saborosa pescada do Chile”... pescada ao anzol. Esbocei um sorriso e não pude deixar de pensar no bacalhau pescado à maneira antiga.
Continuo convicto de que há coisas que nunca deviam ter mudado como da "água pró vinho", pois os mares não são infinitos em peixe, há muita gente que pouco se interessa com o seu equilíbrio e muito com o lucro rápido e mesmo a energia de hoje em dia tão baseada no petróleo não pára de ser discutida.
Com isto quero dizer que pelos vistos a pesca à linha tinha e tem as suas enormes vantagens. Nunca me esqueço dos grandes ruivos, sarrões e fanecas que o meu pai trazia do mar pescados ao estralho com anzol nuns pedaços de tempo livre durante a semana de mar lá no barco de redes..., os mesmos estralhos ainda do tempo do bacalhau. Além disso conheço pelo menos uma firma na Alemanha que desenvolveu a introdução de velas em navios de longo curso, pois parece que pode poupar até 50% no combustível e a própria “vela de tempo” facilita a navegação. Obececados pela “facilidade” e modernidade, muitas vezes ficamos cegos para o passado nalguns aspectos.


publicado por cachinare às 09:13
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