Quarta-feira, 30 de Abril de 2008
A vida a bordo num “bou” (bacalhoeiro) Espanhol.
Inúmeras vezes leio que a pesca ao bacalhau era duríssima e que por vezes a imagem “romântica” que se lhe dá esconde as agruras daquela vida de 6 meses no mar. Muitos pescadores odiavam aquela vida, mas muitos também não queriam mais nada a não ser aquilo. Tirar-lhes o mar era como tirar-lhes a vida. Relativamente à parte Portuguesa na pesca do bacalhau, os navios basicamente à vela até aos anos 50 e as artes baseadas na pesca à linha e anzol faziam com que olhássemos com alguma “inveja” para os navios dos outros países a pescar perto de nós, já navios-fábrica muitos deles e com outras condições. Mas será que a diferença era assim tanta?
Este é o relato de uma campanha ao bacalhau pela parte de um pescador Galego em 1976, a única que fez:
 “A vida do marinheiro na Terra Nova era duríssima. Os 12 dias de travessia até ao Atlântico Norte provocavam grandes enjoos de mar e fiquei 3 dias doente, a comer só pão e limão até chegar perto dos Açores. À chegada aos pesqueiros, logo ali se ficava 2 meses sem ver terra. Pescava-se com temperaturas até 25-30º negativos. Era terrível. Se cais ao mar, sabes que duras 3 minutos, pois no Inverno congelas e no Verão é muito difícil andar com as botas e a roupa que é preciso levar.
A bordo, preparava-se o bacalhau sacando-lhe a cabeça e logo outro marinheiro o abria e outro sacava-lhe a espinha. Caía por uma calha com água e lá em baixo salgavam-no de imediato. Todo o trabalho era feito à mercê da intempérie, com o perigo de cair do barco com um golpe de mar. Além disso o peixe tinha de ser limpo com água fria. Não se podia usar a água tépida que saía do motor principal, pois estragaria o bacalhau.
Contraponto ao trabalho no Atlântico Norte era a chegada ao porto. Em St. John´s, Halifax ou Grimsby eramos recebidos em autêntica festa. Os 60-65 homens que compunham a tripulação de cada barco, enchiam de ambiente os bares, restaurantes e cabarets da zona. Mas mal se guarnecia ou reparava o navio, havia de novo que saír para a faina. É com mágoa que se vê a sobre-exploração dos Bancos e as escassas perspectivas de futuro, que provocaram o fim de uma actividade que ainda permanece na memória das gentes de Ferrol”. 
Relato de Manuel Alonso, natural do Ferrol, Galiza.
Traduzido do artigo de Henrique Sanfiz Raposo, radiodifusion.eu.

tags:

publicado por cachinare às 18:08
link do post | comentar | favorito

mais sobre mim
subscrever feeds
últ. comentários
Pois ,nesse estado bem bebido até a sua sombra ele...
Ver está foto, salta-me muitas saudades de ouvir m...
Pescador da Nazaré ,homem do antigamente ,com traj...
Uma das formidáveis pinturas de Almada Negreiros, ...
sou de Nazare gostava de saber o meu estorial de 1...
....................COMEMORAÇÕES DO DIA DA MARINHA...
Esta réplica do Vila do Conde, participou em vário...
Pois é exactamente tal como acima se diz.Depois de...
Boa tarde , com respeito a foto aqui presente eu j...
Salvo melhor opinião, julgo que esta imagem do gra...

culturmar

tags

a nova fanequeira de vila chã

ala-arriba

alan villiers

apresentação

aquele portugal

argus

arte marítima

bacalhoeiros canadianos-americanos

bacalhoeiros estrangeiros

bacalhoeiros portugueses

barcos tradicionais

caxinas

cultura costeira

diversos

fotos soltas

galiza

jornal mare - matosinhos

memórias

modelismo naval

multimédia

museus do mar

pesca portuguesa

póvoa de varzim

relatos da lancha poveira "fé em deus"

santa maria manuela

veleiros

vila do conde

todas as tags

Vídeos
links
arquivos