Domingo, 4 de Maio de 2008
“Theresa E. Connor”.
O “Theresa E. Connor” é mais um exemplo que mantém viva a herança de pesca Canadiana no que respeita às escunas de pesca Atlântica durante cerca de 100 anos, representando os milhares de escunas de dois mastros na costa Atlântica do Canadá e E.U.A. e os milhares de pescadores que nelas andaram. Esta escuna foi lançada à água em Lunenburg, Nova Escócia a 14 de Dezembro de 1938 nos estaleiros Smith & Rhuland, os mesmos de onde saíu o “Bluenose”. Um navio idêntico, o “Lilla B. Boutilier” foi lançado em Outubro desse mesmo ano. O “Theresa E. Connor” foi inicialmente propriedade da Maritime National Fish Company de Halifax, pescando nos Bancos da Terra Nova e Labrador com dóris. Em 1952 a companhia vendeu-o à Zwicker & Company Limited de Lunenburg, continuando a pescar usando dóris de dois homens numa altura em que as traineiras já dominavam os portos. Em Maio de 1963, o Capitão Harry Oxner preparou a escuna para uma última campanha aos Bancos. Com alguns pescadores locais, largou vela a partir de Fortune Bay na Terra Nova para ir buscar o resto da tripulação. A viagem foi interrompida a meio quando o capitão não conseguiu o resto da tripulação que necessitava, pois a perigosa e trabalhosa pesca com dóris já não atraía os pescadores, que preferiam as traineiras.
A escuna passou o resto de 1963 a pescar bacalhau com armadilhas ao largo do Labrador e até 1966 pescou de forma reduzida. A Sociedade do Museu Marinho de Lunenburg adquiriu o “Theresa E. Connor” e abriu-o ao público em 1967 pela mão de Mrs. Roland Hurst, filha de Theresa Eleanor Connor.
Como navio-museu, a escuna sofreu um extenso trabalho de restauro, com algumas alterações menores de modo a acomodar o público, sendo o porão do peixe o que mais mudou desde os dias em que acomodava a carga. Quando em faina, o porão era escuro e com muito pouca luz que vinha do convés e levava 195 toneladas de peixe. Presentemente o porão é bem iluminado e está repleto de exposições relacionadas com os periodos de pesca com peixe fresco e salgado das escunas. O “Theresa E. Connor” estava envolvido em ambos os tipos de pesca, embora não ao mesmo tempo. Construído para peixe fresco, a apanha era inicialmente acomodada em gelo em vez de sal. Anos mais tarde o comércio de peixe salgado era mais procurado.
Membros da tripulação do “Theresa E. Connor” e de outras escunas de dóris agora reformados costumam estar presentes, prontos a sentarem-se à mesa da galeota e a tirarem dúvidas sobre a era da pesca com escunas, trazendo ao presente os dias de pesca com dóris e as suas aventuras nos Bancos de pesca do Atlântico.
Hoje esta escuna é o navio-bandeira do Museu, um símbolo raro da herança de pesca onde os visitantes vão a bordo e podem explorar todos os detalhes.
Foto 1 de spikehampson
Foto 2 de freelancr47
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Fotos em 1959 – 1 + 2


publicado por cachinare às 13:48
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