Quarta-feira, 7 de Maio de 2008
Caixa da Memória
«O Museu Marítimo de Ílhavo organiza o seu projecto cultural e a sua programação em torno do conceito de Conservação Memorial. Este conceito-chave da museologia pós-moderna desafia os museus que o adoptam a promoverem a conservação dinâmica, criativa e pluralizante dos patrimónios que guardam. Daqui decorre a diferença fundamental, assumida e praticada no Museu Marítimo de Ílhavo em favor do segundo destes conceitos, entre “museus de colecção” e “museus lugares de memória” – museus votados à construção de memórias e identidades.
 
Os patrimónios materiais e imateriais da pesca do bacalhau têm sido o campo de ensaio para projectos expositivos centrados no conceito de “conservação memorial”. A intenção de contribuir para a edificação de uma memória colectiva, tanto quanto possível plural e não apenas reprodutora dos homens que foram ao bacalhau, gerou o projecto expositivo Caixa da Memória, cujo primeiro módulo, dedicado aos Ilhavenses, foi exibido no Museu Marítimo de Ílhavo entre 21 de Outubro e 22 de Dezembro de 2006. A grande instalação em forma de cubo ou caixa de luz contendo centenas de nomes e rostos de ex-tripulantes de navios bacalhoeiros depressa despertou o interesse e emoção da gente do mar – dos próprios pescadores e oficiais, dos seus parentes e amigos. Inúmeros homens e mulheres do mar pediram ao Museu Marítimo de Ílhavo que organizasse nas suas localidades uma Caixa da Memória exclusivamente dedicada aos bacalhoeiros naturais desses lugares.
 
Depressa esta exposição inovadora ganhou uma dimensão nacional. Uma vez adaptada a base de dados que o Museu organizara e uma vez restauradas e impressas as fotografias seleccionadas para expôr, em 2007 a Caixa da Memória foi partilhada e admirada em Matosinhos (AP Leixões), Olhão (Compromisso Marítimo) e Figueira da Foz (Centro de Artes e Espectáculos). Em todas estas localidades a exposição alcançou recordes de visitas e acabou por ficar o dobro do tempo que se previra. Muitos pescadores emigrados na América do Norte se deslocaram a Portugal para poderem ver a exposição.
Para 2008 estão acordadas cinco itenerâncias da Caixa da Memória: Murtosa (no âmbito das comemorações nacionais do Dia do Pescador, a 31 de Maio), Vila do Conde, Portimão, Lavos e Mira. Em 2009 está planeada uma itenerância no The Rooms Museum, em St. John´s, Terra Nova, Canadá.
 
Seja qual for o resultado de públicos deste leque de itenerâncias, é certo que a Caixa da Memória constitúi a exposição mais visitada de sempre na história do Museu Marítimo de Ílhavo. Acrescem as vantagens de uma eficaz comunicação do projecto cultural do Museu, em Portugal e no estrangeiro. Daqui resulta, também, um envolvimento inédito do Museu com as comunidades piscatórias do País, uma ligação de sentido identitário, porque baseada numa expressão calorosa de reconhecimento e afecto pelo facto de o Museu ter assumido a dívida da memória.
 
Projecto expositivo dinâmico e interactivo, a Caixa da Memória só terminará quando se esgotarem as adesões que suscita. No dia 18 de Maio, Dia Internacional dos Museus, será apresentado no Museu Marítimo de Ílhavo – e no dia 30 de Maio na Biblioteca Municipal da Póvoa de Varzim – o catálogo da exposição, um magnífico livro-álbum editado em parceria com a editora portuense Campo das Letras, intitulado Portugal no Mar – Homens que Foram ao Bacalhau (308 páginas).
Talvez esta seja a mais bela e interpelante iniciativa editorial do Museu nos últimos tempos. Síntese serial e estética do projecto expositivo Caixa da Memória, o livro conta com o apoio à edição das seguintes Câmaras Municipais: Ílhavo, Matosinhos, Olhão, Póvoa de Varzim, Vila do Conde, Murtosa e Figueira da Foz.
 
O programa sócio-cultural do Museu Marítimo de Ílhavo na área da “conservação memorial” prossegue através do projecto “Arquivo de Memórias da Pesca do Bacalhau”, o qual consiste no registo audio-visual de depoimentos orais de antigos tripulantes da frota bacalhoeira. Este projecto estará concluído em Dezembro de 2008.
Projectos idênticos começaram a ser desenvolvidos em relação aos patrimónios materiais e imateriais da Ria de Aveiro».
Álvaro Garrido
Director do Museu Marítimo de Ílhavo
 
Há uns meses atrás escrevi sobre a Caixa da Memória, que esperava um dia ver esta exposição em Vila do Conde, pois os pescadores das Caxinas participaram na pesca do bacalhau em números avassaladores. A pesca do bacalhau está muito presente nesta comunidade e só agora se começam a ver iniciativas sobre esta grande e dura aventura a que muitos homens se lançaram, tal como hoje em dia se lançam em frotas de pesca de outros países.
Por outro lado apraz-me ver de novo a Póvoa de Varzim envolvida no lançamento de obras de referência etnográfica e de memória, como será o caso deste álbum. Gostaria de estar presente, mas da Polónia à Póvoa ainda é um esticão e como tal terei de adquirir o álbum por outros meios.

Há muito a trabalhar e a desenvolver quanto à memória do Mar, quer na Epopeia do Bacalhau, artes tradicionais de pesca, embarcações tradicionais ou construção naval tradicional em madeira, mas acredito que o Museu Marítimo de Ílhavo, hoje em dia na vanguarda de alguns destes temas, criará mais e mais interesse e as suas ramificações acabarão por se desenvolver.



publicado por cachinare às 19:59
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1 comentário:
De Anónimo a 8 de Maio de 2008 às 17:56
Por ocasião das Festas do Senhor dos Navegantes,
em Caxinas, salvo erro em 2005, esta Exposição
Fotográfica do Museu Marítimo de Ílhavo, graças aos
bons ofícios do seu Director e nosso amigo Dr. Alvaro Garrido, já cá esteve patente nas Caxinas, com os Vilacondenses bacalhoeiros até à letra M, onde obviamente se encontrava a minha foto por ter o A de Albino. Isto, antes da exposição naquele Museu.
Embora com o mesmo tipo de formato das fotos, ainda
não tinha a designação de Caixa da Memória, já que era apresentada em apenas uma superfície plana e
acompanhada de uma listagem de nomes e alcunhas.
Destas, fiz eu próprio um apanhado de cerca de duas centenas delas.
Portanto urge a apresentação na Cripta da segunda parte
da Exposição, já que foram de várias centenas os
descoroçoados por na ocasião não terem lá sua
foto.
Por quanto acima nos diz o Dr. Garrido, será este ano.
Ainda bem, ansiosamente ficamos a aguardar.

a)Albino Gomes
Vila do Conde


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