Sábado, 17 de Maio de 2008
A Corrida que o Vento Deu.
Homens iam pescar para os Bancos fazendo apostas sobre se a próxima viagem ia ser melhor que a anterior. Também iam por muitas outras razões – dívidas, problemas matrimoniais, camaradagem e também por razões que não sabiam explicar. Sterling Hayden, natural do Maine, E.U.A., pescador em escunas, participante em corridas e actor escreveu que “Os pescadores sabiam o que era rebentar com as tripas e ter o coração na boca, mas depois agarravam-se à roda do leme a acalmá-la (à escuna) enquanto esta rugia em direcção ao porto a acarinhar com a amurada que puxava da água, o spray salgado que disparava como fogo de metralhadora vindo de uma qualquer lona que a levava de volta ao sotavento de terra.”
Um cruzeiro rápido de regresso dos Bancos normalmente significava usar toda a lona disponível. Armar e alterar as combinações das 8 velas que as escunas normalmente envergavam requeria um elevado nível de destreza. Truques também os havia. “Truques sujos, como alterar o lastro em segredo, delitos insinceros tais como soltar um pau de carga para danificar o aparelho numa embarcação próxima a sotavento, bóias de marcação convenientemente passadas despercebidas e mudança de jogos de velas a meio da noite, não era nada de anormal entre os pescadores para os quais pregar umas partidas era do mais apareciado e a etiqueta de velejadores de iates era pura treta.”
Os pescadores trabalhavam durante semanas ou meses nos Bancos a encher uma escuna. Podiam trabalhar vários dias seguidos sem hora de acabar, com o único fim de querer regressar ao porto rapidamente. Há muito que os pescadores corriam uns contra os outros e querer chegar a casa sem demora com o barco cheio era o que todos ansiavam.
A primeira corrida organizada entre escunas de pesca foi em 1886 e de acordo com William Hale, que escreveu “A Corrida que o Vento Deu” em 1892, esta foi a única e genuína corrida organizada entre embarcações de pesca comuns, tripuladas por pescadores de trabalho comuns. Fosse em corrida para o mercado ou contra um barco rival, a velocidade e o tempo compreendiam a dificuldade, complexidade e o perigo. Trepar no cordame com um casco a adornar e a endireitar, acima e abaixo nas ondas fazia subir a parada. Comunicações verbais eram abafadas pelo vento uivante no cordame e o tipo de linguagem específica a bordo foi atribuído por alguns em parte aos diferentes ruídos em certas alturas. Sons suaves, sílabas e palavras que não são perceptíveis acima do ruído são abandonadas.
Sterling Hayden descreveu a destreza e experiência única destes marinheiros. “A sua tarefa diária era apanhar peixe, mas o seu nicho na história marítima deve-se não menos à sua incomparável habilidade para batalhar a barlavento, nos dentes de temporais vivos. Não há nada a dizer sobre a sua capacidade de se fazer e de se safar dalgumas das mais assombrosas e enfurecidas condições de tempo que se encontram a errar pela superfície dos Sete Mares.”
Segundo a descrição da foto, determinado e com a amurada metida no mar, um homem podia ser levado borda fora ao içar os panos das velas de proa. O Capitão Joseph Collins afirmava antes de uma corrida formal ser considerada que “Tão destemidos e ardentes são os pescadores que o melhor julgamento de um capitão é frequentemente dominado pelas solicitações da tripulação e na esperança de derrotar um qualquer barco rival, velas são dispostas em excessos irracionais. É comum para alguns dos capitães mais desarrojados carregar tanta vela nas suas embarcações que a amurada de sotavento fica completamente debaixo de água na maioria do tempo.” (New Bedford Whaling Museum)
 
Texto de Mike Crowe, Fisherman´s Voice – Julho de 1999.


publicado por cachinare às 19:39
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