Terça-feira, 20 de Maio de 2008
A embarcação "Baltazar", de Vila do Conde.

Há dias, após ter publicado um pequeno artigo sobre a Catraia Fanequeira de Fão, de imediato o caro amigo Albino Gomes, grande conhecedor destes barcos tradicionais, voltou a dar uma importante ajuda sobre detalhes e dúvidas para as quais não existem respostas publicadas. Tal como referi, não percebo como este património quase perdido um pouco por todo o Norte do país, vai sobrevivendo num ou dois exemplares de cada barco e não se encontra nada de nada sobre eles nos sites oficiais das respectivas Câmaras Municipais ou qualquer associação cultural. A excepção é o Forum Esposendense, que tem uma página dedicada à sua Catraia Piladeira de Esposende. Mesmo a grande Lancha do Alto da Póvoa de Varzim, a meu conhecimento, não tem um espaço na internet dedicado a tudo o que tenha que ver com ela e havia muito para contar e mostrar sobre este ícone Poveiro. História, características, fotos, artigos, estudos, eventos onde participa, projectos de futuro... enfim, a Lancha merecia mais à vista do grande público.

Sobre este barco de nome Baltazar, escreve o Sr. Albino Gomes: “Embarcação em estado de nova, construída há mais de 30 anos nos estaleiros do Samuel-Vila do Conde, para o José Fernando Baltazar, mestre da Seca do Bacalhau. Pouco depois da sua construção, mandou cortar o bico de ré, para colocar motor no painel. Em 2002, descobri este barco arrumado nos armazéns, cheio de trapalhada. Mais tarde, conseguiu-se a sua doação para a Ass.Ex-Marinheiros da Armada de Vila do Conde, actual proprietária. Mau grado os alertas, para além de ainda não ter sido recuperada com as características tradicionais, ainda foi fortemente adulterada. Uma pena!...”
Infelizmente terei de me referir ao Baltazar como “embarcação”, pois nem o sr. Albino Gomes lhe atribúi o tipo no qual nasceu há 30 anos. Quando descobri estas fotos do encontro de barcos tradicionais no Ferrol, Galiza em 2007 fiquei um tanto surpreendido por ver este barco, de Vila do Conde e não lhe conseguir distinguir a origem. Na 2ª foto está amarrado ao lado da Catraia de Esposende e imaginando-a sem as “transformações” parece ser também uma catraia. Embora seja um barco bonito e bem cuidado, merecia estar na sua forma original e tradicional, ainda mais bonita. Julgo que não seria necessária uma fortuna para financiar a sua re-transformação, mas aqui já não tenho palavra.


publicado por cachinare às 18:39
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6 comentários:
De jaime pontes a 21 de Janeiro de 2009 às 20:05
olá sou iaime pontes gostava de dar o meu pareçer sobre o barco baltazar,é claro que a ré do barco está alterada pró efeito é pena , até porque ,o caracter do barco é estilo poveiro e caxineiro,por isso já éra tempo de alguém se lembrar de fazer uma replica da catraia caxineira com todos seus aprestos.. Sem mais comprimentos a todos sou jaime pontes de caxinas 21 -01- 2009


De cachinare a 21 de Janeiro de 2009 às 22:51
Caro Jaime,

Agradou-me bastante o seu comentário, pois mostra grande vontade em que se recupere o património dos barcos da Póvoa e Caxinas, os caícos e as catraias tão numerosas das Caxinas. Tenho o maior interesse na reconstrução deste tipo de barcos e acredito que um dia tal irá suceder. É importante que mais pessoas se interessem pelo valor destes barcos e tudo o que girava em volta deles.
Ainda que o "Baltazar" esteja adulterado, pelo menos é um barco que foi recuperado. Representa os tempos de transição, quando começaram a cortar as rés às catraias para lhes colocar motores.
No entanto, o tempo antigo da vela é o que tem de voltar e o seu valor ser ensinado e transmitido aos nossos filhos. Gentes sem a sua tradição, são gentes sem a sua alma.

Atentamente,
António Fangueiro


De jaime pontes a 22 de Janeiro de 2009 às 13:58
António Fangueiro volto a responder com praser sobre o nosso passado .Eu defendo o passado ,porque o passado nos dis muito e em vila do conde ,alguem se esqueçe do passado das caxinas .O pouco patrimonio que havia já nada há ,e nada se reconstroi, o salva vidas ,a velha escola do tempo dos nossos pais ,o velho fontenario que as nossas avos faziam fila para trazer agua para casa nos fammosos cantaros,mais concretamente o museu do mar ,e tambem defendo uma sinçera homenagem aos nossos bacalhoeiros desde os primordios. Amigo Fangueiro ,tambem queria dizer que já tenho tentado entrar em todas as leituras que tenho feito dos seus linkes más como sou novo nisto custa um bocado aprendo aos poucos .Caro Fangueiro já escrevi não sei se leu más fui pescador do bacalhau durante sete viagens ,tres no-avis naufragamos a seguir no inaçio cunha também naufragamos a seguir no -novos mares de má memoria para mim. Portanto no ano -67 a-69 ao mesmo tempo segundo sei no ano que o pai embarcou tambem de verde éra capáz de dizer que foi o amigo jaime da afurada que levou o pai ao bacalhau...sem mais um abraço jaime pontes


De cachinare a 22 de Janeiro de 2009 às 18:14
Boas Sr. Jaime.

Quanto ao passado das Caxinas estar hoje muito esquecido, nomeadamente no seu pequeno Museu do Mar que já não existe e a falta de monumentos sobre a pesca do bacalhau, de certo modo depende também dos Caxineiros demonstrarem-se, reunirem-se e fazer com que as coisas aconteçam. São muito raros os políticos sensíveis às coisas do mar e não podemos ficar à espera deles para estas e outras coisas.
Foi só ontem que li o seu primeiro comentário e não sabia que tinha andado ao bacalhau. Pelo que me diz, o Sr. Jaime será por casamento tio do meu pai? Ele chegou-me a dizer que quem o tinha levado para o bacalhau foi "um tio da Afurada", casado com uma tia. O meu pai chama-se António Fangueiro e é filho de Manuel de Agonia Fangueiro e Rosa Luísa Fangueiro.
Como pode ver pelo blogue, tenho imenso interesse na Faina Maior. Se o Sr. Jaime tiver um email de contacto, escreva-mo num próximo comentário e assim poderemos comunicar mais facilmente.
Acredite que um dia as Caxinas voltarão a ter catraias no areal viradas para o mar, nem que tenha de ser eu a fazê-las no quintal.

Um abraço,
António Fangueiro


De jaime pontes a 22 de Janeiro de 2009 às 20:38
Caro António Fangueiro ,boa noite tudo bém .Com respeito ao seu pai é como digo,conheço bém e o seu avõ que deus lá tém também conheçi bém , homens assim a gente não esqueçe, até porque como caxineiro e com a minha idade difiçil éra eu não conheçer .Caro António ,já agora um dia pergunte ao pai ,com respeito ao bacalhau as primeiras tres viagens que o pai deu se não passou fome 'Pois meu amigo quando naufraguei no Inaçio Cunha nunca julguei ir para o Novos Mares ,porque eu queria éra o são jorge, más dos naufragos do Inaçlo que éra da casa fomos aproveitados metade da tripulação quinze pró são jorge e outros tantos pro´movos mares .Quando chegamos a Aveiro na minha ultima viagém portanto ém -69-cada um foi reçeber o ganho e eu falei ao patrão na presença do Sre Capitão ,estou livre da tropa não contem comigo prá nova safra , e o patrão perguntou ,porqué? Eu respondi ,para passar fome estou melhor na minha terra,no ano seguinte o Sre capitão veio a minha casa e ofereçeu-me bóm dinheiro por fora ,e que comia na cosinha ,eu respondi nem pense Sre capitão nunca éra capaz de ir comer na cosinha ,sabendo que os meus camaradas no refeitorio passavam fome. Pois não fui ao bacalhau más fiquei satisfeito quando a malta chegou da viagém e disseram ....jaime foi um hotél,novo cosinheiro éra do bóm e do melhor ,assim termino envio o meu email....jaimepiao@hotmail.com feliçidades um abraço


De jaime pontes a 22 de Janeiro de 2009 às 20:50
Desculpe António esqueçia-me de dizer que os meus avós maternos são preçisamente aquele casal que o antónio denomina de figuras de bronze, julgo que é assim a frase , mas é como digo ,são o meu avo Manuel Fangeuiro e minha avó Bartelina Clara.....um abraço xauuuuuuuuu


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