Quarta-feira, 25 de Junho de 2008
A preto e branco.

Esta é uma foto que por certo muita gente das Caxinas e Póvoa de Varzim reconhecerá, embora esteja a preto e branco. Será de princípios dos anos 80, julgo que no cais Norte da actual marina da Póvoa e mostra um guindaste enorme do qual me recordo exactamente como está na foto, tombado. À entrada do outro cais que envolve a marina já nas Caxinas, existia um guindaste igual à entrada e lembro-me de passar debaixo dele sempre que ia pescar com o meu pai para as pedras com umas linhas e anzóis, nas tardes abafadas dos sábados de Agosto. Como sabia bem a aragem fresca do vento no cais.

Na verdade, o meu primeiro “aparelho de pesca” foi um pau de vassoura com dois pequenos fios de seda (jarda) na ponta e anzóis pequeninos para as marachombas. O isco, eram pulgas da areia, previamente apanhadas no areal da parte de dentro do cais e metidas numa garrafa de cerveja Cristal, ou quando era possível a “sarrada”, um tipo de vermes que vive debaixo do mexilhão que cobre as pedras da maré baixa. Foi assim que comecei com uns 9 ou 10 anitos a andar pelas pedras do cais e quando passava por baixo daquele enorme guindaste amarelo e ferrugento, ficava deslumbrado com tamanho monstro que parecia adormecido há já muitos anos e quantas vezes perdia os chinelos de tanto olhar para ele.
Um dia vi que o guindaste fora deslocado até meio do cais e mais tarde, se bem me recordo, estava também tombado na água. Na altura nunca percebi porquê que lhe haviam feito aquilo e nunca mais o “guardião do cais” me recebeu e deixou passar por baixo das suas 4 pernas rumo à minha pescaria. Eventualmente seria desmantelado.


publicado por cachinare às 13:06
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1 comentário:
De jaime pontes a 2 de Fevereiro de 2009 às 19:51
António são recordações que nunca acaba ,o cais sul ,o guindaste no meu tempo de miúdo ainda trabalhava de um lado prá outro mais tarde parou e morreu como um ser humano ! más lembro-me de ter lá umas cordas que a malta colocou e então servia de baloiço éra uma alegria os rapazes com o impulsso do baloiço só parava-mos na agua isto no verão claro ,também me lembro duma tragédia que aconteçeu ,nós os miudos a brincar por dentro na areia fina ou seja encostado ao cais havia um buraco que fazia sugar a areia e nós os miúdos achavamos graça então nós saltava-mos prá dentro do respectivo buraco que éra largo ,então aconteçeu essa desgraça ! a miúda saltou e não conseguiú vir prá cima a areia começou a levala e ninguém consegiú salvar a miúda , ainda chegaram os bombeiros más éla foi sugada pelo buraco que exestia e foi o fim ! más no meio dessa tristesa também se passava bons momentos todos juntos a nadar a correr na areia saltar os barcos que estavam barados na areia e éram tantos e assim se passava bons momentos ! um abraço e saúdaçoes maritimas ... Jaime Pontes...


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