Sábado, 26 de Julho de 2008
Museu das Pescas do Atlântico – Lunenburg, Nova Escócia - Canadá.
O Museu das Pescas do Atlântico teve o seu início em meados dos anos 60 com a designação de Museu das Pescas de Lunenburg e o seu propósito era a formação de um polo museológico que reconhecesse a importância histórica da indústria da pesca na costa Leste do Canadá.
Em 1966, a última escuna da salga dos Bancos a sair do porto de Lunenburg, o “Theresa E. Connor” (sobre o qual já escrevi), foi adquirido pela Sociedade do Museu marítimo de Lunenburg e o seu mentor, John Fisher, sugeriu que a preservação de uma escuna de pesca seria um tributo apropriado às muitas gerações de pescadores que haviam trabalhado em portos do Canadá. Eram várias as escunas disponíveis nessa altura, mas após conversas com os vários armadores, depressa perceberam a importância histórica da embarcação, pois o seu aspecto original não havia sido alterado desde o dia em que foi lançado em 1938. O armador Zwicker & Company ofereceu a escuna à Sociedade pelo preço reduzido de $30.000 e o “Theresa E. Connor” tornou-se o navio bandeira do museu em 1967.
O museu desenvolveu-se rapidamente e muitas horas de voluntariado foram dadas por homens que sempre haviam trabalhado na pesca, nomeadamente na recolha de inúmeros objectos pelo Capitão Angus Tanner relacionados com a indústria pesqueira tradicional e não só. Muitos “tesouros” de famílias acabariam por vir para o museu através dos seus esforços, desde baús de mar, instrumentos de navegação, cartas e outros demais que seriam expostos no “Theresa E. Connor”.
Em 1975 o museu encontraria as suas instalações permanentes e as visitas atingiam cerca de 50.000 pessoas por ano. Planos de expansão para uma velha fábrica de peixe adjacente tiveram o seu início, sendo nesta altura que o museu passou a fazer parte da rede de museus da Nova Escócia, pela sua importância e especialização de programas.
Com a expansão em área do museu, o Parks Canada, uma agência federal, expressaria o seu interesse em arranjar uma exposição permanente, detalhando a era das embarcações à vela à pesca nos Grandes Bancos. Vários anos foram passados a investigar o tema e a exposição finalizada cobre o periodo entre os finais dos anos 1400s até os 1930s. Modelos à escala detalhados de embarcações de pesca (foto 2) representativas e painéis informativos foram instalados e várias peças de arte foram também comissionadas, de modo a ajudarem a interpretar o estudo da pesca nos Grandes Bancos. Estas incluem um modelo de madeira em tamanho real de um bacalhau com 96 quilos, o maior bacalhau registado jamais apanhado.
Desde os inícios dos anos 80, muitas exibições e programas de investigação ocorreram no Museu das Pescas do Atlântico e hoje são mais de 25 exposições e mostras abertas ao público, incluindo uma ampla sala de projecção de vídeo e filmes. As exibições incluem um grande aquário, com espécies importantes para a indústria; a famosa escuna “Bluenose”; os trágicos Temporais de Agosto de 1926-27; a Vida nas Comunidades Piscatórias; Construção Naval; Motores Náuticos; Baleias e Baleeiros e um salão dedicado às Pescas Costeiras, com barcos dedicados a essa pesca.
Com o passar dos anos a frota do museu alterou-se, mantendo-se o “Theresa E. Connor” como a bandeira que em 1988 entrou num exaustivo processo de restauro de 7 meses no valor de $750.000. Junto com esta escuna está agora a traineira de arrasto lateral em aço “Cape Sable” desde 1984 e construída em 1962.
As exibições no museu são apenas uma parte dos programas virados para o público. Grupos escolares são encorajados a participar em projectos especiais que enaltecem aspectos das pescas costeira e longínqua. Correntemente estes focam os dóris, a pesca de lagostas e a vida a bordo da escuna de pesca “Bluenose”. Cada programa é adaptado aos vários níveis de idade e dura aproximadamente uma hora. O Centro de Documentação do museu inclúi uma colecção fotográfica de vários milhares de items, arquivos, uma biblioteca e registos micro-filmados. Todos estes materiais estão disponíveis a estudantes e investigadores. Na foto 3 pode ver-se uma demonstração junto às águas do museu de como se processava a pesca nos dóris. 
Tradução baseada no site oficial do Museu das Pescas do Atlântico.
Todas as fotos são propriedade do museu.
 
Vila do Conde construíu um réplica fiel de uma nau 450 anos depois. Deixo no ar a data na qual Ílhavo, por si ou em sociedade, finaciaria uma réplica funcional de um lugre bacalhoeiro em madeira. Demonstrações da pesca do bacalhau à linha em dóris também seriam bonitas de se ver.


publicado por cachinare às 18:32
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