Sexta-feira, 16 de Novembro de 2007
Vistos por satélite.
Para quem não sabe, o Google Earth é mais uma das muitas características deste motor de busca que permite “viajar” por todo o globo terrestre e chegar à nitidez de se poder ver a nossa casa vista do ar. De vez em quando perco umas horas a saltar de um sítio para o outro, pois considero esta ferramenta bastante interessante e lúdica.
Há uns tempos que já havia descoberto o “Gil Eannes” atracado em Viana, foi fácil, com o seu branco reluzente. Uns dias depois andei a “voar” por São Jacinto, Aveiro em busca do “Santa Maria Manuela” e também não foi difícil, pois a silhueta não engana, é a mesma do “Creoula” e a ferrugem também lá está toda. Devo mencionar que este programa usa imagens cerca de um ano em atraso, ou seja, andamos a ver como eram os sítios mas provavelmente em 2006. Mais recentemente, resolvi procurar por todos os outros navios da história bacalhoeira portuguesa ainda possíveis de encontrar e a tarefa foi no mínimo... prolongada. Por zonas da capital, também lá está o “Creoula” na base do Alfeite em Almada, com os seus quatro mastros a fazer sombra na água e muito próximo da base, no Talaminho, Seixal consegui descobrir os restos do “Capitão Ferreira”, navio mítico para muitos e que mete dó olhar para ele naquele estado. Só me foi possível encontrá-lo com a dica da sua localização no blog “lmcshipsandthesea”, no qual aconselho que leiam os comentários. Voltando-me de novo para Norte, por águas de Ílhavo, lá está o “Santo André”, arrastão-museu flutuante de sucesso junto ao Jardim Oudinot. Resolvi então ir em busca do “Gazela Primeiro” e do “Argus”. Para o “Gazela” teria de ir até Filadélfia nos E.U.A., inteirar-me de toda a zona de rio da cidade, que é enorme e dos muitos sítios de atracação de navios. Após um par de horas lá o descobri, o agora denominado “Gazela of Philadélphia”, também de silhueta inconfundível e foi uma alegria. Quanto a ir em busca do mais complicado, o “Argus” agora denominado “Polynesia II”... sabia que faz a sua vida em cruzeiros pelas Caraíbas e tive de descobrir quais as ilhas por onde faz escalas. A companhia de turismo a que pertence tem uns 7 percursos diferentes só para este navio e foi então que a tarefa se complicou. Cada percuro, passa por umas 6 ou 7 ilhas diferentes, não havia saída fácil e foi começar pelo primeiro percurso e primeira ilha. Muitas horas depois... nada a não ser dois navios que “poderiam” ser o “Argus”, mas não me parecia. Aparece-me então uma ilha onde um turista qualquer colocou uma foto precisamente do “Polynesia II” ancorado ao largo, mas para azar, a imagem de satélite inclúi umas nuvens precisamente nessa zona. Algo desiludido com tal azar, faltavam ainda umas poucas ilhas a circundar, pensando eu que talvez a foto não fosse do mesmo ano da de satélite. Assim se confirmou, pois acabei por reparar numa silhueta muito semelhante ao “Polynesia II”, ancorado ao largo da ilha de St. Barthélemy (pertence à França). Os botes condizem, a lona azul condiz mas acima de tudo o gurupés (mastro da proa) com a rede é inconfundível. Após 3 dias de buscas, era de certeza o “Polynesia II”, antigo “Argus”. Então aí é que fiquei mesmo contente, mas curiosamente também algo triste porque não havia mais nenhum para procurar. Muitos mais lugres e navios bacalhoeiros portugueses existem... mas todos debaixo de água e aí o Google ainda não chegou... .


publicado por cachinare às 13:23
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2 comentários:
De garina do mar a 17 de Novembro de 2007 às 12:24
uma verdadeira "demanda"...
e deu um belo registo! parabéns


De César Lourenço a 27 de Dezembro de 2012 às 16:17
Exmos senhores, um excelente trabalho que habitualmente vou seguindo.
Queria apenas dar uma informação. O Santo André está atracado no Jardim Oudinot no Forte da Barra, lugar da cidade da Gafanha da Nazaré.
Espero que não levem a mal o meu reparo. A culpa não é vossa, é dos politiqueiros que governam a Câmara Municipal de Ílhavo que constantemente bombardeiam a comunicação social com mentiras a este respeiro. Nós não somos ilhavenses nem nos identificamos, embora nos queiram constantemente decretar com tal.
Navios em ilhavo é mentira. Só bateiras, botes e moliceiros (sem mastro)
Votos de um excelente 2013!


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