Segunda-feira, 19 de Novembro de 2007
António “Bacalhau”.
Hoje umas palavras de apreço aos pescadores açorianos, homens valentes que também foram parte da grande epopeia do bacalhau e que por vezes são algo omitidos, talvez devido ao seu isolamento no meio do mar Oceano... e não só.
A capa do livro acima intitula-se “O Homem e o Mar – Os Açorianos e a Pesca Longínqua nos Bancos da Terra Nova e da Gronelândia”. Foi escrito e preparado por um açoriano natural das Flores, João A. G. Vieira, que antes já tinha lançado uma obra sobre a caça à baleia nos Açores. Para os interessados na Faina Maior, é uma obra de enorme interesse e já a encontrei à venda na internet, no entanto ao preço de 70 €. Que me desculpem os editores, mas deve estar escrita a ouro. Provavelmente uma ou duas dúzias de pessoas e instituições a comprará, mas como não me farto de repetir, interessa é que se venda ao maior número de pessoas possível. E andamos tantos de nós a tentar perceber porquê que “as coisas não se sabem” ou o povo não se interessa pelas coisas... . Em Portugal tem-se muito a mania de editar livros e conhecimento a preço de ouro. Mas não me quero alongar nisto, pois é o que temos. Curiosamente a capa do livro é quase igual à da última edição d´ “A Campanha do Argus” de Alan Villiers, que por acaso já adquiri. Alguém meteu a pata na poça numa das editoras. Adiante.
A principal razão pela qual escrevo sobre este livro, é que num curto resumo sobre o mesmo, descobri que muitos dos pescadores açorianos eram também jogadores da bola. Lugres como o Argus ou o Oliveirense, entre outros, faziam escala nos Açores em Ponta Delgada rumo à Terra Nova para embarcar pescadores locais, dos melhores que havia alguns deles. Eram também momentos que as gentes dos Açores não esquecem e em tudo se assemelhavam às partidas ou chegadas dos navios no continente, os mesmo choros, sorrisos e desesperos. Ora como referi, muitos desses açorianos eram jogadores de futebol e sendo eu grande apreciador da bola, não podia deixar passar esta junção ao bacalhau. O Marítmo Sport Clube, (não confundir com o Marítimo madeirense) fundado em 1934, era uma das equipas que dava cartas por alturas dos anos 50 (e não só) no campeonato açoriano, sendo várias vezes campeão e tendo por rival o conhecido Santa Clara. Ambos estes clubes são de zonas piscatórias e como tal a rivalidade é enorme. É o mesmo entre Rio Ave e Varzim, de onde eu venho... . Entre os seus jogadores, um dos mais acarinhados na altura chamava-se António Augusto, mais conhecido por “Bacalhau”, homem que jogava na área, marcava e dava a marcar imensos golos e que a figura acima mostra. Na foto do plantel pode-se ver em baixo, o último à direita, António Carreiro que jogava a extremo-esquerdo. Tanto o “Bacalhau” como o Carreiro partiam para a Faina quando os navios chegavam a Ponta Delgada, curiosidade esta que me faz pensar sobre o futebol actual. Entre os dois, na foto do plantel encontra-se a “estrela” António Viúva, considerado o melhor jogador de sempre do clube e que faleceu aos 80 anos em Toronto no Canadá. Lá viveu os últimos 30 anos da sua vida onde ainda foi pescador. Vida dura tinha o jogador da bola nestes tempos e como disse Hildeberto, outro jogador do mesmo plantel, “No meu tempo os jogadores comiam uma laranja ao intervalo e lavavam a roupa em casa. Agora há tudo e ninguém passa a vida toda num clube, como nós antigamente”.
Sem dúvida que os tempos agora são outros, o bacalhau vem de outras paragens e não sei se tantos jogadores da bola serão pescadores actualmente. O que sei é que os açorianos merecem e muito também que se fale deles e mereciam ter mais que umas visitas raras do “Creoula” de vez em quando. Mereciam ter um lugre só seu, uma réplica do “Oliveirense” digo eu, para que a sua memória fosse bem visível, ali atracada no porto. O turismo açoriano poderia bem pensar no assunto,  pois não falta gente a querer “dar umas voltas de barco”, tal como escolas e universidades tirariam vantagens de aprendizagem dele. Veremos como a recuperação do Santa Maria Manuela vai impulsionar a que se construam réplicas de belíssimos lugres, quer a nível privado ou institucional. É algo que ambiciono ver um dia.
Para terminar... fica a insatisfação pelo preço da obra.


publicado por cachinare às 15:32
link do post | comentar | favorito

mais sobre mim
subscrever feeds
últ. comentários
Na verdade, tão belo quanto elucidativo este quadr...
Mas que beleza de foto ou pintura que retrata bem ...
Aproveitando a ocasião, sugiro a todos, pescadores...
Na verdade, tal como diz o Jaime Pontes, esta pose...
Claro que como demonstração tá tal e qual mas ,não...
Tal como se fosse um «filho pródigo», 7 meses depo...
é com orgulho e admiração que leio e recordo este ...
Esta bela foto retrata bem o que eram os tempos an...
Mais de um ano depois, volto aqui (ao blog), e li ...
é de facto interessante, mas .... o que caracteriz...

culturmar

tags

a nova fanequeira de vila chã

ala-arriba

alan villiers

apresentação

aquele portugal

argus

arte marítima

bacalhoeiros canadianos-americanos

bacalhoeiros estrangeiros

bacalhoeiros portugueses

barcos tradicionais

caxinas

cultura costeira

diversos

fotos soltas

galiza

jornal mare - matosinhos

memórias

modelismo naval

multimédia

museus do mar

pesca portuguesa

póvoa de varzim

relatos da lancha poveira "fé em deus"

santa maria manuela

veleiros

vila do conde

todas as tags

Vídeos
links
arquivos