Segunda-feira, 6 de Outubro de 2008
Os Ciclones de Agosto de 1926 e 1927.
Em Agosto de 1926 e 1927, severas tempestades devastaram a costa Atlântica do Canadá, Terra Nova e E.U.A.. A tempestade, ou “Ciclone”, foi particularmente intensa próximo a Sable Island. Durante ambos os Ciclones, o bem conhecido “Cemitério do Atlântico” (Sable Island) reclamou as vidas das tripulações de 6 escunas de Lunenburg e da escuna Americana “Columbia”.
Sable Island é uma longa extensão de acumulação de areia ao largo da Nova Escócia e na imagem nr. 1 é possível ver “alguns” dos naufrágios em volta de toda a ilha.
Os “Ciclones de Agosto” foram primeiro registados em Sable Island em 1873. Muitas embarcações se perderam. Contudo, só foi em 1926 que a frota de pesca de Lunenburg, Nova Escócia sentiu a verdadeira força desta “ilha negra de luto”.
A 8 de Agosto de 1926, as escunas de Lunenburg “Sylvia Mosher” e “Sadie A. Knickle” naufragaram. Os membros das tripulações vinham de pequenas comunidades piscatórias ao longo da costa da Nova Escócia e durante várias semanas após o temporal a confusão foi enorme quanto à extensão das perdas. Uma vez que muitos poucos restos deram à costa e não existia comunicação rádio entre o navio e terra, era difícil determinar quantas embarcações realmente se tinha perdido.
Fizeram-se planos após o Ciclone de 1926 para instalar equipamento de rádio e motores nas escunas de pesca. Com estes melhoramentos, as escunas estariam melhor preparadas para resistir a temporais semelhantes. Contudo, as alterações não foram feitas a tempo do Ciclone de Agosto de 1927.
Em 1927, as escunas “Mahala”, “Uda R. Corkum”, “Clayton W. Walters” e “Joyce M. Smith” naufragaram levando consigo as suas tripulações. A escuna Americana “Columbia”, com quase toda a tripulação vinda da Nova Escócia, também se perdeu. Perto de 100 pescadores perdiam assim a vida. Em adição a estas perdas, muitos outros navios se perderam ao longo da costa do Atlântico.
Para as escunas de Lunenburg, o desastre foi particularmente adverso. Cada embarcação tinha tripulantes familiares uns dos outros, encontrando-se um exemplo no “Mahala”. O Capitão Warren Knickle, falecera com os seus dois irmãos, Owen e Grenville e com o seu cunhado Scott Miller.
Tal como em 1926, semanas de incerteza foram sentidas por todas as famílias que tinham entes no mar. O Ciclone teve lugar a 24 de Agosto de 1927 e no caso da escuna “Columbia”, só em Outubro os donos da escuna puderam confirmar que a embarcação se perdera.
No Museu das Pescas do Atlântico em Lunenburg, casa da escuna “Bluenose II”, existe uma exposição permanente sobre estes acontecimentos, a qual dá ênfase aos perigos da pesca em escunas, focando a perda de 138 homens nestes dois anos.
Para aquelas famílias, os Ciclones foram o início de anos de luto e dificuldades financeiras. As famílias da Nova Escócia receberam compensações em dinheiro, mas as da Terra Nova só receberam assistência quando um padre Anglicano arranjou pagamentos de $100.000 anuais a cada família afectada.
A exposição também ajuda o visitante a perceber que a imagem romântica de uma escuna dos Bancos não é a mais correcta. A beleza das embarcações contrasta com a morte sempre presente. Podem ver-se inúmeras fotos e biografias de pescadores que pereceram, artigos de imprensa da altura e objectos recuperados dos naufrágios. A secção inicial centra-se em Sable Island e o seu papel fulcral nos desastres. Cópias fotográficas de cartas náutcas antigas, mostram que a zona sempre foi fonte de preocupação para os navegadores deste o tempo do primeiro naufrágio em 1583. Em 1630, Sable Island já era descrito como um “local bem conhecido de naufrágios”.
As comunidades costeiras devem hoje imenso às famílias das gerações de homens que saíam para o mar naqueles navios. 
Gravura nr.2 de Napier Hemy.


publicado por cachinare às 11:10
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1 comentário:
De jaimepontes a 7 de Março de 2009 às 13:48
Sable island ,diz muito do que são térras de pescadores . Começemos do prinçipio ,que onde hà pescadores ,hà lamentos, horrores e vestes negras ! Não é de admirar o que aconteçia ém Sable Island Lunenburg e Nova Escóçia ,pois os lugres ou escunas no tempo éram muito rudimentares e na altura não se podia exigir mais éra o tempo que éra , portanto quando enfrentávam um temporal ,não tinham condições de enfrentar esse mesmo temporal ou ciclone ! e por isso ,com faltas de radios e motores que não havia na altura ,éra muito difiçil, não só para esses más para todos que pescavam antes e depois desses tempos nos bancos da Terra Nova ou Groenlandia , por exemplo os portugueses éram navios maiores até porque tinha-mos que fazer maiores travessias e isso exegia maiores cuidados e não só ? Antes dos portugueses pescarem na Groenlandia já as escunas de varios Paizes pescavam nesses mares gelados da Groenlandia ,isto ao anzol ,porque ao arrasto já lá andavam de varias Nações e não tenho dúvidas nenhumas que o arrasto ao nivél de arte é a máis nuçiva e foi desde que apareçeu o arrasto que o bacalhau começou a faltar ,senão vejamos ,desde que se pescou com anzois desde os tempos dos nossos primórdios ,nunca faltou bacalhau e isto muitas centenas de anos ,e ém poucos anos de arrasto o bacalhau desapareçeu a eito! e se não fora os países se óporem as coisas hoje lamentáva-se muito mais . Não é preçiso ser biólogo para se saber tudo isto ,porque o anzol ém qualquer parte do mundo é positivo e arrasto ou redes de tresmalho ,são artes noçivas mesmo negativas,eu que trabalhei como mestre de arrasto e também com redes de tresmalho tive essa experiençia e não é preçiso como digo atrás ser biologo para chegar a ésta conclusão ,por isso os pescadores séja qual for a parte do mundo ,são muito descriminados , porque não hà quem os defendam e salvo exeções dos Paises desenvolvidos como Espanha e outros ,então o résto é uma mizéria entre estes Portugal ! Por tudo isto ,présto minha ´homenagém a todos que trabalharam e trabalham no mar e todos que perderam a vida nas águas do mar ,para todos bém haja para sempre . Amigo António um abraço e saúdações maritimas .J.Pontes.


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