Sábado, 25 de Outubro de 2008
Ainda os Franceses na pesca do bacalhau.
Em 1830, Paimpol, no Norte da Bretanha em França possuía uma população marítima bastante densa. Era um reservatório de mão-de-obra no qual se abasteciam outros portos para a cabotagem, o longo-curso e a pesca ao bacalhau e à baleia. Paimpol arma navios para a Terra Nova em princípios do séc. XVII até à Revolução Francesa. É o maior porto bacalhoeiro das Costas do Norte e a região detém em 1850 5.200 marinheiros inscritos. A pesca costeira é também próspera graças ao adubo feito com produto marinho e a cabotagem arma 50 navios de grande tonelagem. Um tratado de Julho de 1841 definiria as zonas de pesca.
Na 2ª metade do séc. XIX, a pesca na Terra Nova entra em declínio. O armador Luis Morand, seguindo os conselhos dos bacalhoeiros de Dunquerque, arma uma pequena escuna de 72 toneladas de nome “l´Occasion” para a pesca na Islândia e dá início a 80 anos de pesca naqueles mares. É em Abril de 1852 que “l´Occasion” aparelha em Paimpol para rumar à Islândia, com uma tripulação de Paimpol e um capitão de Dunquerque, fazendo escala em Plouézec. Após 1869, os armadores passam a ter a liberdade de escolher a data de partida para a Islândia e tal causaria inúmeros naufrágios, pois as escunas partiam em finais de Janeiro, princípios de Fevereiro e os anos de 1887, 1888 e 1896 foram trágicos.
Apenas em 1886 a frota mantém-se estacionária nuns 50 veleiros manobrados por cerca de 800 homens. Mas nos anos seguintes a progressão aumentaria, sendo que só a actividade piscatória costeira empregava um milhar de homens em mais de 300 embarcações. Em 1895, o porto de Paimpol está no seu apogeu armando para a grande pesca na Islândia e uma floresta de mastros de 82 navios bacalhoeiros enche o seu porto. O empreendimento na Islândia dominara toda a economia local e 1.200 famílias trabalhavam e viviam da grande pesca. De 1895 a 1900 os resultados da pesca decrescem, enquanto o transporte e cabotagem se desenvolvem. Com uma nova doca em 1906, o porto recupera o seu movimento.
Com o primeiro barco a vapor a armar para a Islândia, um novo método de pesca tem início, no entanto os armadores de Paimpol não lhe seguem o exemplo e conservam o seu método de pesca à linha. O rendimento começa de novo a variar e a concorrência estrangeira faz baixar o preço do bacalhau. Em 1911, os homens de Paimpol reiniciam a pesca na Terra Nova com 7 barcos, enquanto 20 voltam à Islândia. Entre 1905 e 1914, 32 navios desapareceram no mar e a grande pesca continua a ter numerosas flutuações até à última campanha em 1935.
Em 1922 o governo da Islândia fecha as suas águas territoriais aos navios estrangeiros, de modo a preservar as suas pescas e produção. O custo da exploração de navios em madeira aumenta e a frota vê diminuir os seus efectivos, sendo a pesca à vela no 2º quarto do séc. XX já considerada arcaica. Em 1926, homens de Paimpol tentam a pesca na Gronelândia em alternativa ao ostracismo da Islândia. A campanha do lugre de 3 mastros “Bar Avel”, comandado por um capitão de Plouézec, não foi grande encorajamento, com uma apanha de apenas 47.000 peixes. Na 2ª campanha em 1927, o “Bar Avel” naufragava. A escuna “Goelo” que fazia parte desta derradeira e fatídica campanha é vendida pelo armador a uma sociedade de Gravelines, sucedendo o mesmo a outros navios de Paimpol. Em 1931 são apenas 3 os armadores e em 1934 apenas duas escunas partem para a Islândia, a “Glycine” e a “Butterfly” e as receitas foram miseráveis.
A comunidade litoral de Plouézec, próximo de Paimpol compreende uma grande faixa marítima, com altas falésias que se abrem em pequenas baías. Dois portos animavam esta costa selvagem: Port Lazo, o porto principal dos pescadores costeiros e da Islândia e Port Bréhec, protegido por um dique e local de descarga habitual dos cargueiros. Em 1901, Plouézec representa a comuna mais populosa de Paimpol com 4.925 habitantes. Também a partir de Plouézec, foi grande o número de marinheiros que participou nas campanhas bacalhoeiras da epopeia Islandesa. Cerca de 766 pescadores desta terra pereceram nos 80 anos de pesca na Islândia e o tributo em ganhos para os armadores de Paimpol foi bastante elevado.


publicado por cachinare às 11:57
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