Quarta-feira, 26 de Novembro de 2008
Arte marítima.

Running by  -  Thomas Hoyne

 
Nesta obra de Hoyne, a nova escuna “Shepherd King” é mostrada a passar pela “Norumbega” no ano de 1905. “Norumbega”, na língua nativa dos Algonquin, significa “águas calmas” e estas escunas de pesca da Nova Inglaterra são consideradas por muitos como os mais belos veleiros jamais construídos. A sua eficiência e velocidade combinavam com uma graciosa beleza de formas. Nenhuma outra classe de navios ostentava uma relação tão próxima entre embarcação e tripulação.
Quanto à escuna “Shepherd King”, no New York Times de 14 de Julho de 1907 lia-se assim: «Sob um pesado manto de nevoeiro na passada sexta-feira de manhã, outra escuna de pesca foi afundada ao largo de Nantucket por um transatlântico que chegava. Desta vez calhou ao barco de pesca de 74 toneladas “Shepherd King”, o qual foi mandado para o fundo juntado a sua ossada às muitas outras embarcações que por lá se encontram.
O navio que fez naufragar os pescadores foi o vapor Russo “Saratov”, vindo de Roterdão e Libau. Chegou ontem, trazendo a tripulação do “Shepherd King”. Não se perderam vidas, pois o acidente ocorreu pelas 8h45 da manhã, quando todos já se encontravam no convés.
O “Shepherd King” foi atingido ao largo da zona Sul dos baixios do Georges Bank e afundou-se quase de imediato. Os resgatados incluem o Capitão J. Brigham, sete pescadores de Boston, quatro do Maine e um da Terra Nova. O Capt. Brigham, um velho pescador grisalho, narrou assim o sucedido: “Estávamos há 16 dias saídos de Boston e a arpoar espadarte. Andávamos com sorte e tínhamos 86 grandes peixes no nosso porão, 1.050 quilos de peixe. Na quinta-feira à noite começou a engrossar a névoa e na sexta de manhã mal se via. Havia uma leve brisa de su-sudoeste e navegávamos calmamente. Frank Watts, o homem da Terra Nova, encontrava-se adiante aguardando para ajudar a meter o peixe arpoado para dentro do navio. Cerca das 8h45, estava eu no púlpito com um arpão de cinco metros e meio pronto a lançar quando Watts gritou “Vapor adiante”. Corri então à ré, ao homem do leme e gritei-lhe para que se mantivesse ali. Não houve tempo para fazer mais nada, pois nesse momento a proa do vapor estava em cima de nós. Embateu-nos com força do lado de estibordo, perto do cordame principal e literalmente desfez-nos em pedaços, traçando-nos a ¾.
Havia quatro dóris no convés e conseguimos lançar um borda fora. Foi uma questão de o fazer rapidamente. Arrastámo-nos até ao pequeno bote à medida que a água entrava no convés e tivemos de nos afastar com os remos para evitar ser engolidos pelo turbilhão. Um ou dois segundos mais tarde a escuna estrebuchou e afundou-se.
Watt aproximara-se mal a escuna sofreu o embate e levou consigo 4 homens. O “Saratov” parou mal nos bateu mas já não havia necessidade de lançar um barco à água, uma vez que estávamos já junto dele. Subimos a bordo e ficámos muito contentes quando vimos que todos se haviam salvado.”
Segundo o Capitão do “Saratov”, este seguia lentamente à marcha de nove nós. Através do nevoeiro ouviu de repente uma ronca próxima da proa. Antes que algo pudesse ser feito para evitar a colisão, a proa do vapor Russo embatia no “Shepherd King”. O Capitão afirma que manteve o seu assobio de aviso a intervalos frequentes.»


publicado por cachinare às 08:58
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Na verdade, tal como diz o Jaime Pontes, esta pose...
Claro que como demonstração tá tal e qual mas ,não...
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