Quarta-feira, 18 de Maio de 2011
A nova fanequeira de Vila Chã - Dia 21.

6 de Outubro - Quarta-feira

 

Um banco à proa e mais 4 gatos

 

Ao colocar provisoriamente os gatos no lugar decidi deitar mais um banco à proa, para melhor firmeza, repetindo o que os meus mestres faziam, por vezes, em alguns barcos. Risquei e serrei o novo banco e fiz mais quatro gatos para esse banco. Preguei todos os gatos no sítio.
No total a embarcação ficou com cinco bancos e 20 gatos.

 

 

texto e imagens – projecto CCC – Celebração da Cultura Costeira.

 

 



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Terça-feira, 17 de Maio de 2011
A nova fanequeira de Vila Chã - Dia 19, 20.

4 e 5 de Outubro - Segunda e Terça - feira

 

Começar os gatos

 

Coloquei os 4 bancos no seu lugar e comecei a acertar com a enxó os gatos para os bancos. Comecei do banco da ré, à esquerda. No primeiro dia acertei parte dos gatos e no dia seguinte continuei este trabalho até os gatos que ficaram todos prontos. Dão muito trabalho.

 

 

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Quinta-feira, 12 de Maio de 2011
A nova fanequeira de Vila Chã - Dia 18.

1 de Outubro - Sexta – feira

 

Pregar as dragas e começar os bancos

 

Marquei com compasso todos os enchimentos e braços. Com todas as marcações feitas fico orientado para iniciar a pregação das dragas de baixo (as de apoio aos bancos). Prego da ré para a proa porque a ré é mais redonda e isso facilita o início do trabalho. A draga foi molhada antes, várias vezes, com bastante água quente para ceder e não partir ao colocar. Neste dia as duas dragas de baixo ficaram no lugar. Comecei a aparelhar os bancos que ficaram prontos.

 

 
 
 

 

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Quarta-feira, 11 de Maio de 2011
A nova fanequeira de Vila Chã - Dia 16, 17.

29 de Setembro - Quarta – feira

 

Até breve

 

Benjamim Moreira e Gunnar Eldjarn encontram-se neste último dia de trabalho conjunto para programar os dias seguintes. Gunnar parte na parte desse dia, mas o trabalho continua com um ritmo diferente e objectivos diferentes. Trazem-se as cadeiras para perto da embarcação e fazem-se algumas fotos finais. A partir de hoje mestre Benjamim trabalhará sozinho mas vai ser possível continuar a acompanhar o trabalho, através do site.

 

30 de Setembro – Quinta - feira

 

Riscar as dragas

 

Risquei as 2 dragas de baixo. Risquei, serrei e aparelhei a junta da draga com a garlopa e graminhei depois os 5 cm de largura. Serrei as dragas manualmente com a serra de volta e boleei-as com a plaina. Ficaram prontas a colocar. As dragas têm como função principal prender a embarcação, isto é, reforçá-la. As dragas de baixo também sustentam os bancos.

 

 

 

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Terça-feira, 3 de Maio de 2011
A nova fanequeira de Vila Chã - Dia 15.

28 Setembro – Terça-feira

 

Colocação das segundas e medições para a vela do novo barco

 

O Mestre Benjamim tinha humedecido o lado de fora das segundas com água fria no dia anterior. E o dia começa com a repetição dessa operação. A do lado esquerdo foi posicionada com um grampo, a meio do barco (meio cavernas mestras) e pregada. Certificou-se que estava bem justa à cinta. Depois, e caverna a caverna, a segunda foi sendo pregada, sempre muito ajustada à cinta, em direcção à proa. Foi deixada por pregar quatro enchimentos antes da proa. O mesmo procedimento à ré, do lado esquerdo. E também aqui não se pregou até ao alefriz. O mesmo aconteceu com a segunda do lado direito.
Só então se procedeu ao fecho desta operação, terminando a pregação da segunda à proa, do lado esquerdo ajustando a cinta com um formão, passo a passo. Depois realizaram-se as mesmas operações para o lado direito. O mesmo procedimento à ré, mas dobrando mais. Aqui a operação foi mais delicada e demorada devido à dureza da madeira (junto ao pé).

Durante a pregação aguenta-se em cheio da parte de dentro com a maceta para que o prego entre melhor e evitar que o braço parte, pois o braço é uma obra melindrosa. A colocação das segundas foi realizada em duas fases. Entre elas realizaram-se os trabalhos de medição da vela que se realizaram com a ajuda de Manuel Rão.

Mestre Benjamim tinha um vela com bastantes anos, não usada. Era a vela suplente de um dóri, pertencente a um pescador de Vila Chã, Carlos Cardoso, traçada de acordo com as velas locais. Na segunda feira tinham-se já realizado algumas experiências e medições, no estaleiro.
A vela modelo foi colocada na areia húmida e presa com espeques. Fixou-se o comprimento da vela a partir das dimensões da embarcação. Depois, e por tentativas, foi-se chegando a um acordo quanto à forma e às medidas finais. Para isso a altura e a relação dos ângulos(principalmente o punho da verga com a linha da amarração) foi sendo ajustada, pois estão relacionadas. Tudo deve ficar numa certa proporção. Para terminar cada lugar onde a corda tinha sido enrolada ao espeque foi atado com um fio de cor. A corda foi enrolada. A vela foi dobrada.
Se o pano já tivesse sido adquirido proceder-se-ia imediatamente ao corte, na praia. A vela seria depois levada a coser.

 

 
 
 
 

 

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Segunda-feira, 2 de Maio de 2011
A nova fanequeira de Vila Chã - Dia 14.

28 de Setembro de 2010, Segunda-feira

 

Dar calor aos gatos e preparar as segundas

 

O dia começou com apanha de cisco (caruma) para dar calor aos gatos, que tinham sido previamente serrados. Fez-se uma cama de caruma e os gatos foram empilhados e cobertos posteriormente com mais caruma. A fogueira ardeu cerca de 10 minutos findo os quais não se tocou na madeira.

Depois seleccionou-se a tábua para a execução das segundas. A primeira foi colocada na posição correcta do lado de fora das cavernas e riscou-se o limite superior pelo lado de dentro da cinta. A segunda foi retirada da embarcação, colocada no banco de trabalho e riscada na íntegra. A segunda foi serrada com a serra de volta. Uma segunda tábua foi trazida para o banco de trabalho e as arestas aplainadas manualmente. Então, a segunda da esquerda foi copiada para esta nova tábua.  Os braços e enchimentos foram galivados com ajuda da faísca de galivar. Durante esta sessão retomou-se a discussão sobre a vela, observando uma vela de dóri.  Durante a tarde Mestre Benjamim Moreira teve outros assuntos a tratar e não foi possível continuar o trabalho.

 

Segundas – nome que se dá às peças colocadas imediatamente após a cinta, uma do lado esquerdo e outra do lado direito da embarcação.

 

 
 

 

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Domingo, 1 de Maio de 2011
A nova fanequeira de Vila Chã - Dia 13.

27 de Setembro de 2010, Domingo

 

Finalizar enchimentos de ré, ajustar, cortar madeira para os gatos

 

Pregaram-se os últimos enchimentos de ré. Pregou-se definitivamente a parte de baixo da cinta aos braços.

Tendo em vista o trabalho de amanhã o mestre colocou três sarrafos mais ou menos onde se encontram as cordas, pois estas serão retiradas amanhã. Durante esta operação ajustou um pouquinho a forma da embarcação (talvez 1 ou 2 milímetros). Os trabalhos interromperam-se para descansar não sem antes limpar o local de trabalho.

A meio da tarde foi-se à bouça procurar a madeira para os gatos.Optou-se por carvalho e cortaram-se os gatos suficientes de apenas 3 árvores.

 

 

 

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Quarta-feira, 20 de Abril de 2011
A nova fanequeira de Vila Chã - Dia 12.

25 de Setembro de 2010, Sábado

 

Enchimentos de ré

 

O dia de sábado foi dedicado à execução dos enchimentos de ré. A ré tem quatro enchimentos e dois foram reforçados.

Durante o dia realizou-se também o ajustamento da folga da cinta ao cavername da embarcação.

Durante a tarde fomos surpreendidos por duas visitas: a da Associação Cultural de Labruge e a de Amadeu da Gonçala, sargento enfermeiro reformado da Marinha, um notável local muito interessado na história de Vila Chã.

 

 

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Terça-feira, 19 de Abril de 2011
A nova fanequeira de Vila Chã - Dia 11.

24 de Setembro de 2010, Sexta-feira

 

Enchimentos de proa e ré

 

Benjamim Moreira terminou os enchimentos do lado esquerdo do barco e a partir deles começou a copiar para o outro lado. Buscou madeira apropriada e riscou os enchimentos da direita. Serrou com a serra de fita eléctrica, com já com o ângulo correcto. Com os dois enchimentos no lugar foram ajustados um ao outro sobre a roda de proa. Os dois primeiros enchimentos a partir da 6ª de ré são reforçados com uma terceira peça. Os três restantes à proa são simplesmente ajustados. Por fim a cinta foi pregada aos enchimentos, de cada lado.

Idêntico trabalho se começou a realizar à ré. Quando começou o mestre ainda não tinha decidido quantos enchimentos serão reforçados. A execução destas obras na embarcação dão bastante trabalho e requerem atenção embora isso não seja evidente quando se olha.

 

 

 

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Quinta-feira, 14 de Abril de 2011
A nova fanequeira de Vila Chã - Dia 10.

23 de Setembro de 2010, Quinta-feira

 

Riscar e posicionar os enchimentos de proa

 

O dia começa com o corte do dos braços cerca de 4cm acima da cinta e vai desenvolver-se em torno dos enchimentos de proa. O mestre tem moldes diferentes e dedica algum tempo a escolher o que vai servir de fundamento para os enchimentos desta embarcação. Benjamim Moreira chama atenção para o facto de ir usar as partes sobejantes da madeira do cavername, sempre que derem obra. Este aproveitamento eficaz, também do ponto de vista económico, é possível porque se planifica sistematicamente todo o trabalho desde o princípio. O mestre aborda cada peça de madeira e cada peça da embarcação de um modo global, isto é, com o conhecimento do que a totalidade da embarcação pede e a madeira pode dar.

Depois começa a cortar e a ajustar cada enchimento de per si. Entre os testes e o trabalho individualizado em cada enchimento o mestre fixa a faísca de galivar. O ajuste de cada enchimento é executado com a enxó.

De tarde Benjamim Moreira teve de participar numa reunião de trabalho e mais uma vez suspendeu-se a execução da obra.

 

Expressões ouvidas durante o dia:

 

Faísca de galivar – é uma ferramenta para alinhar, tal como uma régua.

Galivar – dar forma à peça acertando, lentamente e a olho nu, e verificando, caso a caso e sucessivamente, a correcção da forma e da posição.

 

 

 

 

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Quarta-feira, 13 de Abril de 2011
A nova fanequeira de Vila Chã - Dia 9.

22 de Setembro de 2010, Quarta-feira

 

Pregar a cinta

 

A manhã foi totalmente dedicada à colocação das cintas. A primeira operação, realizada entre duas pessoa, foi a colocação temporária da cinta, da proa para a ré. A tábua tinha cerca de 50cm a mais. Quando foi encontrada a posição correcta à proa cortou-se a cinta à medida e pregou-se a cinta à roda de proa; foi então estroncada contra os braços da embarcação.

Seguiram-se idênticos trabalhos para a cinta contrária do mesmo lado.
Seguiram-se largos momentos de consideração e avaliação visual. Benjamim Moreira decidiu então subir a cinta do lado da proa cerca de 5 cm e pregá-la permanentemente de um lado e do outro. Todas as operações foram executadas manualmente Depois seguiram-se operações similares à ré até que a cinta foi fixada permanente ao cadaste de ré. Antes destas operações tinha-se subido o alefriz à proa e à ré de ambos os lados. Também se executaram várias operações, a frio e com água quente, à ré, para dar a forma correcta à cinta. Depois levantou-se a cinta ao longo de toda a embarcação, escorando-se e amarrando-se cinta a cinta á proa, a meio e a ré e apontou-se provisoriamente com pregos.

No geral as operações realizadas não foram muitas nem diversas, mas usou-se bastante tempo para aferir resultados e tomar cada decisão final. As tábuas para a cinta tinham sido serradas com 13 mm e o falho da tábua colocado para o lado de dentro da embarcação, "seguindo a natureza". Benjamim Moreira diz que ao usar a madeira nesta direcção a cinta corre menos riscos de rachar. (por outras palavras poder-se-ia dizer com o cerne da árvore para fora). Também fez notar que quando se risca a cinta o traço é descendente da caverna de ré para cadaste e da caverna de 6 de proa para a roda de proa. No entanto depois de ir ao lugar, "com a evolução", fica um alinhamento perfeito com a área da embarcação.De tarde cortaram-se duas longarinas que se pregaram no embrace da cada caverna com o braço. Com a ajuda de um compasso posicionaram-se os braços. E pregaram-se as cavernas às longarinas. O trabalho terminou mais cedo porque o mestre foi assistir a um funeral.

 

Expressões ouvidas durante o dia:

 

Cerne – Mestre Benjamim Moreira distingue entre cerne e coração de uma árvore. Cada árvore tem um coração, ao meio. Se o coração não estiver podre pode então falar-se de cerne.

Não paga a pena – Expressão usada por vezes por Benjamim Moreira indicando que certa operação não se justifica ou não vale o trabalho que origina.

Já não tem lombas – expressão usada por Benjamim Moreira quando se deu por satisfeito com a forma que a cinta ganhou depois de toda levantada e escorada.

 

 

 

 

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Terça-feira, 12 de Abril de 2011
A nova fanequeira de Vila Chã - Dia 8.

21 de Setembro de 2010, Terça-feira

 

Montar a quilha ao picadeiro e pregar as cavernas à quilha

 

As operações da manhã foram marcadas pela montagem da quilha no picadeiro. Depois do prumo colocado pregaram-se duas estroncas para firmar a roda de proa e outras duas para firmar o cadaste. A roda de proa e o cadaste foram aprumados. Terminadas estas tarefas o mestre furou o meio das cavernas após o que foi realizando um conjunto de medições práticas medindo as cavernas mestras do meio e as 6ªas da proa e da ré. Só depois de realizadas estas operações na nova embarcação se foi ao original verificar as medidas. Mais uma vez se referiu que isto apenas interessa porque se está a ter como referência um objecto original. O desvio encontrado foi pequeno.

Iniciou-se então os procedimentos para pregar as cavernas à quilha. Começou-se pela 6 de proa até às mestras do meio e depois da 1ª para a 6ªa de ré. O mestre sentou-se sobre uma tábua, que ia afastando, durante esta operação. Brindou-se com Porto. A partir deste momento falou-se da embarcação como "um esqueleto em que a quilha é a espinha e as cavernas as costelas do ser humano".

Os trabalhos da manhã terminaram com a colocação de escoras no meio e nas 6ªas de proa e ré. Da parte de tarde, depois de niveladas as cavernas do meio e as 6ºas de proa e ré prepararam-se as cintas, efectuando-se um conjunto de medições básicas que foram dando origem a vários pontos de referência até ao risco final. Executada a cinta direita transferiu-se para a outra tábua que foi riscada. Muito deste trabalho foi feito a olho nu, com movimentos sucessivos de aproximação e afastamento de certos pontos de referência.

 

Expressões ouvidas durante o dia:

 

Estroncar a roda de proa/ré - imobilizar a roda de proa/cadaste pregando duas estroncas de uma trave no tecto à parte superior da roda de proa/cadaste (bicos). Assim se prepararam temporariamente as condições ideais para que o trabalho se possa realizar com toda a correcção.

Trabalho ao milímetro – Expressão usada por Benjamim Moreira para qualificar a qualidade do trabalho realizado enquanto aprumava a roda de proa.

Apanhar a norma do S. Mateus – Através de divisões feitas a compasso perceber não só o espaçamento entre cavernas mas também certas referências na embarcação original. As cavernas 6 de proa e ré são fundamentais nestes exercícios de compreensão da embarcação original, compreensão essa que se está a transferir a Gunnar Eldjarn através da construção de uma embarcação.

Dividir as cavernas de meio a meio – expressão usada por Benjamim Moreira para indicar que a norma se procura com a mesma divisão de caverna, a partir do meio.

 

 

 

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Segunda-feira, 4 de Abril de 2011
A nova fanequeira de Vila Chã - Dia 7.

20 de Setembro de 2010, Segunda-feira

 

Escarvas

 

O dia começou com medições e o posicionamento correcto do ângulo da ré. Terminada esta tarefa executaram-se medições preliminares para a proa.

Benjamim Moreira começa a riscar a escarva no cadaste passando depois à execução dessa escarva na quilha do lado da ré. Depois colocou o cadaste no lugar com ajuda de grampos, riscou e executou o outro lado (o da quilha) da escarva de ré. Fizeram-se pequenos ajustes para que tudo encaixe perfeitamente. Com a ajuda de várias medições e observações a olho nu fixou-se o ângulo certo e colocou-se a proa no lugar. Uma medição final resulta na confirmação de valores anteriores - 5,20m. Executam-se de novo as mesmas operações para se obter a escarva de proa. Esta é uma tarefa de grande precisão, levada a cabo com a ajuda de formão e macete. Todos os cortes das escarvas devem ficar em esquadria. A quilha ficou pronta quando se terminou o talhe na proa e no cadaste.

Passa-se à execução do alefriz – talhe na roda de proa e cadaste onde todas as tábuas do costado vão terminar, quer à proa quer à ré. Executado o lado direito transferiu-se o risco para o lado esquerdo, com ajuda de um compasso. A hora seguinte foi usada na construção de um picadeiro temporário. O mestre ainda colocou a quilha sobre o picadeiro para ver se tudo estava certo, antes de dar por terminado o dia.

 

Expressões ouvidas durante o dia:

 

Ver o que a embarcação nos pede – expressão usada por Benjamim Moreira durante as operações de observação a olho nu, a certa distância da embarcação, até fixar o ângulo correcto da roda de proa. Neste caso, porque se trata de uma cópia, foi especialmente cuidadoso.

Ver de longe e notar é pôr a vista a trabalhar – Expressão para explicar o que acontece mentalmente ao observar de longe a embarcação durante a execução da quilha.

Nesta arte conta mais a vista que as medições – Expressão usada no contexto dos exercícios de observação a olho nu da embarcação para definir ângulos correctos.

Está sempre a dar o mesmo – Frase de confirmação após vários testes de medição efectuados durante o dia.

Pôr a proa alegrezinha – Expressão usada por mestre Benjamim indicando uma operação que terá lugar muito mais tarde, ao deitar a cinta, e que dará um toque de alegria à embarcação.

Abrir o alefriz – Rasgar a formão e macete uma cavidade, na roda de proa e cadaste, onde mais tarde irão terminar as tábuas do costado.

Ajeitar o picadeiro (temporário) – Montar sobre traves de madeira resistente um sistema de ripas de modo a que se possa colocar, a prumo, a quilha da embarcação. Assim todas as cavernas podem ficar firmes e ser niveladas.

 

 

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Quarta-feira, 23 de Março de 2011
A nova fanequeira de Vila Chã - Dia 6.

18 de Setembro de 2010, Sábado

 

Pregar os braços à cavernas

 

Facearam-se as cavernas e os braços antes de pregar. Depois de pregar faceou-se por dentro e por fora cada caverna.

 

 

 

 

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Sábado, 12 de Março de 2011
A nova fanequeira de Vila Chã - Dia 5.

17 de Setembro de 2010, Sexta-feira

 

Acabar os braços; escolher a madeira para a quilha e riscá-la; visita à praia dos pescadores de Angeiras.

 

Continua-se o trabalho com os braços que são cortados, aos pares, ao mesmo comprimento.

Foram também desengrossados. Os braços estão prontos para serem ligados às cavernas.

De tarde fomos a outra serração escolher a madeira para a quilha. Cambala é a opção final. Benjamim Moreira usou também sucupira quando essa madeira era regularmente importada. Sobreiro ou eucalipto foram madeiras nacionais usadas em outros tempos. Quer as madeiras de fora quer a escolhida apresentam idêntico comportamento na água salgada, apesar de crescerem em diferentes habitats, explica o mestre. A quilha foi riscada directamente na câmbala e cortada imediatamente.

Terminada esta tarefa visitou-se a praia de Angeiras onde foi possível conversar com alguns pescadores e ver alguns barcos feitos e adaptados posteriormente por Benjamin Moreira (que construiu muito para esta praia), por seu tio-avô mestre Caseiro e mestre Conde seus mestres.

Quando se regressa ao estaleiro a quilha já aí estava. Benjamim Moreira coloca-a então paralelamente ao barco, vai buscar a roda de proa simulando a tarefa do próximo dia, dizendo: amanhã!

 Pela manhã - acabaram-se os braços, escolheu-se a madeira para a quilha e riscou-se a quilha.

 

 

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Quarta-feira, 9 de Março de 2011
A nova fanequeira de Vila Chã - Dia 4.

16 de Setembro de 2010, quinta-feira

 

Serrar as últimas cavernas, riscar e serrar os braços

 

Durante a manhã terminaram-se as cavernas. Antes de se retomar os trabalhos com os braços Benjamim Moreira mediu o barco: primeiro a largura, depois o pontal junto à caverna mestra, e à sexta de proa e ré.

Foi então possível reajustar as marcas das cavernas às dos braços. Depois o risco dos braços foi reajustado, um a um, às cavernas porque o sutamento de cada braço a cada caverna é diferente. A mesma operação foi realizada para o outro lado, o esquerdo. Executou-se um teste simples demonstrando que a correcção executada estava de acordo com o barco original. Só então se começou a serrar os braços. Esta tarefa não ficou concluída.

 

 

 

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